Frutas e hortaliças ficam mais baratas em Belo Horizonte com avanço da safra e clima favorável
O período de safra combinado com um clima mais favorável fez com que os preços da maioria das hortaliças e frutas, em julho de 2026, ficassem mais baratos. De acordo com o Boletim Hortigranjeiro, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os preços das principais hortaliças comercializadas no entreposto da Ceasa Minas Belo Horizonte apresentaram um comportamento predominantemente de baixa, com destaque para quedas expressivas no tomate, na cenoura e na batata quando comparado com junho. No setor de frutas, o comportamento foi equivalente, com três dos cinco itens mais consumidos apresentando redução. Apesar das quedas, o mamão, a melancia e a alface tiveram reajustes de dois dígitos.
Ao longo de julho, o tomate apresentou a maior queda de preço, com a cotação retraindo 46,14% em relação ao mês anterior, passando a ser comercializado a R$ 2,48 por quilo. A queda é resultado da recuperação da oferta após o pico de preço registrado em maio, impulsionado pela intensificação da safra de inverno. No período, Minas Gerais desempenhou papel central no abastecimento nacional, respondendo por 32% do volume total de tomates comercializados nas Ceasas do País.
Outro destaque de queda foi no valor da batata, cujo preço caiu 36,27% em Belo Horizonte, sendo negociada a R$ 2,68 por quilo. A safra de inverno ganhou força, ampliando a disponibilidade do tubérculo no mercado. No mês, Minas Gerais foi o segundo maior fornecedor nacional de batata, com 33,05 mil toneladas e respondendo por 35% do total nacional. Apesar da queda expressiva, a Conab destaca que os preços de julho de 2026 ainda se mantêm 53,1% superiores aos praticados no mesmo mês de 2025 na Ceasa Minas.
“A batata vinha com um movimento de alta nos preços, que desacelerou e, em julho, caiu. Mas, mesmo com a retração, comparando com anos anteriores, os preços estão em patamares elevados, chegando a aumentar 53% em Belo Horizonte quando comparado com igual mês de 2025”, explicou a gerente de Produtos Hortigranjeiros da Conab, Juliana Torres.
Ainda segundo ela, para agosto, a tendência é de nova queda. “Em agosto, a tendência é de queda de preços, o que foi verificado na primeira quinzena. A safra de inverno ganha força, o que deve permitir preços mais baixos. Mas, é importante lembrar que as chuvas podem afetar o ritmo da colheita e pressionar os preços para cima”, confirmou.

A cenoura também registrou forte redução, de 35,46%, e preço médio de R$ 3,22 por quilo. A intensificação da safra de inverno em Minas, que é o maior produtor do País, com 38,3% da participação nacional, foi o principal fator para a queda.
Diferentemente das demais hortaliças, a alface apresentou alta de 15,84% na Capital, fechando o mês cotada a R$ 9,85 por quilo. A folhosa é altamente influenciada por variáveis climáticas e as chuvas ou variações térmicas nas regiões produtoras mineiras impactaram de forma negativa a oferta local.
Ainda que em menor escala, a cebola também registrou incremento, de 2,93%, sendo vendida a R$ 4,25 por quilo. Embora a alta mensal tenha sido mais contida na Ceasa Minas, o preço atual está 116,8% superior ao registrado em julho de 2025, o que, segundo a Conab, evidencia o patamar elevado que a cultura enfrenta neste ano devido aos impactos climáticos anteriores.
Alta chega a dois dígitos no mamão e na melancia
No segmento de frutas, apesar da maioria dos itens ter registrado queda de preços, mamão e melancia encerraram julho com valorizações expressivas nas cotações. Os dados da Conab mostram que o preço do mamão saltou 29,87% na Ceasa Minas, atingindo R$ 5,36 por quilo. Esse movimento altista foi puxado pela retração na oferta da variedade formosa, afetada pelas baixas temperaturas de junho e início de julho, que desaceleraram o amadurecimento nos pomares. A quantidade comercializada de mamão em Belo Horizonte teve uma queda expressiva de 18%, influenciada pela diminuição de 32,3% nos envios do Norte de Minas, principal região produtora do Estado.
A melancia seguiu tendência semelhante, com alta de 34% no preço médio, comercializada a R$ 2,84 por quilo. A alta ocorreu devido ao período de entressafra na maioria das regiões produtoras do País. No entanto, os envios de melancia de Minas para as Ceasas aumentaram 44% em julho, liderados pela microrregião de Curvelo, e ajudaram a suprir a demanda nacional em meio à oferta restrita de outras praças.
“Após a queda em junho, os preços da melancia voltaram a subir em julho. A oferta ficou menor em vários entrepostos, com produtores controlando a oferta frente à menor demanda provocada pelo tempo frio e as férias escolares”, explicou a gerente.
Para compensar as altas, três das cinco frutas mais consumidas registraram queda de preço na Ceasa Minas. A maçã apresentou o recuo mais expressivo no setor de frutas, com queda de 16,56% e cotada a R$ 4,71 por quilo. A finalização da colheita da maçã fuji na região Sul do País elevou significativamente os estoques acondicionados em câmaras frias, facilitando a distribuição e forçando a redução dos preços.
A laranja registrou queda de 9,56% no preço médio, sendo vendida a R$ 1,82 por quilo. Conforme a Conab, o início da colheita da safra 2026/27 e a menor demanda externa por suco de laranja in natura aumentaram a disponibilidade da fruta no mercado interno e permitiram a formação de preços menores para o consumidor.
No caso da banana, a redução de valor chegou a 3,91%, com preço médio de R$ 3,11 por quilo. O período de férias escolares reduziu a demanda pela fruta, o que combinado com a menor velocidade de maturação em função do frio no Norte de Minas permitiu a retração do preço. O Estado seguiu como o maior fornecedor de banana para as Ceasas do País, enviando 14,77 mil toneladas no mês.
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