Agronegócio

Produção de laranja em São Paulo e Minas deverá cair 12,9% na próxima safra

A estimativa, apresentada pelo Fundecitrus em Araraquara (a 273 km de São Paulo) na manhã desta sexta-feira (8)
Produção de laranja em São Paulo e Minas deverá cair 12,9% na próxima safra
Foto: Ari Dias/Governo do Paraná

A produção de laranja 2026/27 na principal região produtora do mundo deverá cair 12,9% em relação à última safra, pressionando os preços da fruta no mercado.


A estimativa, apresentada pelo Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) em Araraquara (a 273 km de São Paulo) na manhã desta sexta-feira (8), aponta para uma safra com 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos cada no cinturão citrícola formado pelo interior de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. A última safra totalizou 292,94 milhões de caixas.


A estimativa de safra, feita pelo Fundecitrus desde 2015 com apoio da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal, indica que a produção inferior se deverá à bienalidade da cultura (produz mais num ano e menos no outro), à redução no número de frutos por árvore e ao aumento da taxa de queda prematura.


O cenário só não será mais desfavorável porque o levantamento do órgão aponta que os frutos deverão estar mais pesados e que houve crescimento no total de árvores produtivas.


A safra, se confirmada, também será 14,7% inferior à média histórica dos últimos dez anos e confirmará um recuo na produção que já se desenhou na temporada passada.


O Fundecitrus estimou em maio de 2025 que a safra encerrada agora produziria 314,6 milhões de caixas da fruta, mas o ano extremamente seco fez o total ser reestimado no decorrer dos meses, até terminar nas 292,94 milhões de caixas produzidas.


Uma forte estiagem ainda em maio de 2025, afirma o órgão, causou estresse hídrico nas plantas, posteriormente interrompido por irrigação nas regiões com áreas irrigadas, o que estimulou a primeira florada, mas o pegamento de parte dos frutos foi prejudicado por temperaturas acima da média em setembro, que ficou até 28% acima da média histórica.


“Frutos por árvore é o fator número um, que determina a redução da safra em praticamente 13%. Nós teremos 17% menos frutos por árvore, porque praticamente das 12 regiões citrícolas, nós [só] temos duas, região do Triângulo Mineiro e Bebedouro, em que o número de frutos é praticamente o mesmo […] Das 12 regiões, em 8 existe um decréscimo significativo do número de frutos”, afirmou o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres.


Ele citou como exemplos as regiões de Porto Ferreira e Matão, que deverão ter menos frutos por dois efeitos.


“Porto Ferreira é um efeito marcante do greening, como as regiões limítrofes. E Matão, que teve um efeito muito forte de altas temperaturas e alta incidência de leprose no ano anterior, o que levou a uma poda muito severa nas nossas árvores.”


O greening é a pior doença da citricultura e seu controle tem sido o principal desafio dos citricultores nas últimas duas décadas. A doença ataca todos os tipos de citros e não há cura para as plantas contaminadas.

A margem de erro do inventário de árvores do cinturão citrícola é de 2,4%, segundo o Fundecitrus, o que indica possibilidade de oscilação de cerca de seis milhões de caixas para mais ou para menos.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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