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Agronegócio

Redução no preço do etanol pago aos usineiros não chega aos postos

Mesmo com recuo no valor pago aos produtores em Minas, redução não se reflete nas bombas e custo vai se manter em níveis elevados

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Usina de processamento de cana em Valparaíso (SP)
Da matéria-prima processada, 89% foi destinada à produção de etanol e apenas 11% para açúcar | Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

Os preços altos dos combustíveis e a renda da população em queda diminuíram a demanda por etanol hidratado e geraram redução dos valores pagos aos produtores. Desde dezembro, os preços nas usinas caíram cerca de R$ 0,50 e estão em torno de R$ 3,35 por litro, sem impostos. Apesar da redução do valor pago aos produtores, a queda total ainda não chegou aos postos de combustíveis de Minas Gerais. Caso o repasse seja feito, existe a possibilidade da paridade do etanol com a gasolina ficar pouco mais vantajosa para o biocombustível.

Em 2021, a produção de cana-de-açúcar e de hidratado ficou menor no Estado. Além da queda da demanda pelos combustíveis, fatores climáticos impactaram de forma negativa os canaviais. Para este ano, é esperada uma recuperação da produção, porém, a alta ainda será limitada. 

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Segundo o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, o mercado para o biocombustível em 2021 iniciou mostrando uma recuperação muito forte da demanda depois de um ano complicado como em 2020.

“Estávamos observando um ano de recuperação forte frente a 2020. A safra já estava praticamente dada, sabíamos quanto de cana tinha no campo, a oferta de etanol já estava definida. Se projetou uma demanda para certo nível de oferta de etanol, tivemos, paralelamente, o mercado de petróleo recuperando e câmbio volátil, o que fez com que a gasolina subisse bastante. O tom do mercado do etanol foi acompanhar o que estava acontecendo no mercado de gasolina”, analisa.

Ainda segundo Campos, quando chegou ao final da safra, os preços começaram a sinalizar uma redução do crescimento da demanda em função da renda do brasileiro, que ficou menor, e da alta dos preços. Com isso, a procura do último trimestre de 2021 ficou aquém do que se aguardava.

“A demanda cresceu porque 2020 foi muito ruim, mas menos que o esperado. Há expectativa de que, com estes níveis de preços, o primeiro trimestre de 2022 seja parecido com o final de 2021. Estamos sem grandes pulos de demanda pelos combustíveis, já que o efeito preço tem impactado a demanda. Desta forma, há um ajuste que o próprio mercado faz de nível de preço conforme demanda”, explica.

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De acordo com Campos, a relação de preços do etanol atingiu um patamar no qual a migração para a gasolina se tornou acentuada e começou a se vislumbrar uma oferta adicional de produtos na entressafra. Com isso, o mercado  corrigiu para baixo os preços ao produtor. Apesar do recuo nas usinas, houve demora da transmissão até chegar às bombas de combustíveis.

“A gente não observou nos postos a redução que teve no produtor em dezembro. Só agora estamos observando a queda, mas menor que os R$ 0,50 visto nos preços dos produtores. Nas primeiras semanas do mês de janeiro, a gasolina teve alta e o etanol redução”, diz. 

Biocombustível mais competitivo 

A queda do preço do etanol fez com que a relação com a gasolina caísse de forma importante, sinalizando a possibilidade da volta do consumo de etanol nas próximas semanas. 

Dados da semana passada, segundo a Siamig, mostram que na região do Triângulo a relação de preços está próxima a 72%. Em Belo Horizonte, ainda está em 76%, o que é bem elevado. Em Minas, como um todo, a relação de preços entre o etanol e a gasolina está em 76%.

“A relação em Minas ainda está alta, mas já esteve beirando os 80% em novembro. Estamos observando uma redução do preço do etanol e aumento da gasolina, esse movimento pode gerar alta na demanda para etanol. Depois da queda de R$ 0,50 no preço do produtor, os valores nas usinas se mantiveram estáveis. O setor  espera que a diferença chegue ao consumidor”, afirma.

Para 2022, as estimativas são de preços mais estáveis, mas ainda em patamares elevados. 

Safra 2022/23 pode ser maior, mas abaixo de marca histórica de 2020

De acordo com o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, a safra 2021/22 de cana-de-açúcar, em Minas Gerais, foi encerrada, com poucas chances de que alguma empresa produza até março. Campos explica que, em 2021, a  seca se estendeu até setembro e, somente a partir de outubro, foram registradas chuvas abundantes, o que vem favorecendo a safra 2022/23.

“As chuvas, até o momento, têm sido boas e estão até acima dos níveis históricos,  o que é bom para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. Algumas empresas estavam um pouco mais pessimistas, mas agora a gente está em uma situação um pouco melhor do que quando começamos a projetar a safra 2022/23. Mas não acredito em grande recuperação, porque o que ocorreu em  2021 gerou muita falha no canavial. Foram  geadas, seca e incêndios, e isso gera muitas falhas nos canaviais. Ainda é muito cedo para fazer projeções. Teremos uma safra maior, mas não será igual à safra de 2020, que foi recorde”, destaca.

De acordo com os dados da Siamig, em 2021, a produção de cana-de-açúcar retraiu 9% em Minas Gerais, com a moagem atingindo 3,9 milhões de toneladas. Com a queda, a produção de açúcar foi reduzida em 11% e somou 4,1 milhões de toneladas.
A produção total de etanol foi de 2,8 bilhões de litros, sendo de hidratado 1,5 bilhão de litros, volume 25% menor. A produção de etanol anidro (1,3 bilhão de litros) avançou 24%, acompanhando o maior consumo de gasolina.

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