Agronegócio

Produção de azeite cresce na Mantiqueira e alcança marca histórica

Produção de azeite na mantiqueira deve alcançar 300 mil litros em 2026, impulsionada pelo clima favorável e expansão dos olivais.
Produção de azeite cresce na Mantiqueira e alcança marca histórica
O crescimento da produção é resultado das condições climáticas favoráveis do ano anterior | Foto: Divulgação Assoolive

A safra de azeite de 2026 na Serra da Mantiqueira vem se consolidando como um marco para a olivicultura nacional. Com uma produção estimada em 300 mil litros, o Sudeste brasileiro, impulsionado principalmente por Minas Gerais, alcança um recorde histórico após um 2025 de produção baixa. Nesta safra, a qualidade dos azeites, já reconhecida internacionalmente, é agora reforçada pelo Selo de Certificação de Origem Assoolive.

A certificação, concedida pela Associação dos Olivicultores da Mantiqueira e Sudeste (Assoolive), além da análise físico-química dos azeites passou a incluir a análise sensorial, elevando o padrão técnico dos azeites e reforçando os critérios rigorosos de qualidade, autenticidade e procedência.

Conforme o presidente da Assoolive e coordenador da Câmara Técnica Setorial de Olivicultura junto à Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa), Moacir Batista do Nascimento Filho, a safra de 2026 de azeite na região da Mantiqueira cresceu expressivamente e está batendo o recorde de produção.

A produção de azeite na Mantiqueira e no Sudeste do Brasil, que tem Minas Gerais como principal produtor, tende a somar cerca de 300 mil litros, um aumento expressivo em comparação aos 150 mil litros registrados em 2024 e bastante superior aos 60 mil litros fabricados em 2025.

“O crescimento da produção é resultado das condições climáticas favoráveis. A safra de azeite depende muito da parte climática do ano anterior, pois precisamos de frio no período de floração para que, seis meses após, tenhamos uma colheita com abundância”, explica Moacir. Ele ressalta que a olivicultura, ainda jovem na região, iniciou-se em 2008 com o trabalho da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, no Sul de Minas, e tem muito espaço para se desenvolver.

Segundo Nascimento, a expansão dos olivais, que antes se concentravam na Serra da Mantiqueira, agora avança para a Serra do Espinhaço, com plantações em diversas cidades mineiras. Apesar do crescimento, a produção nacional de azeite ainda representa apenas 1% da demanda brasileira, estimada em 1 milhão de litros.

O azeite mineiro é vendido entre R$ 80 e R$ 120 por garrafa de 250 ml, dependendo da marca e do local de venda. A maior parte das vendas ainda ocorre em empórios regionais e diretamente nas fazendas, impulsionada pelo olivoturismo. Essa modalidade oferece ao consumidor a oportunidade de conhecer todo o processo de produção, desde o plantio até a extração.

Com o crescimento da produção e para atestar a qualidade dos azeites e oferecer maior segurança ao consumidor, a Assoolive implementou um selo de certificação. Criado em 2012, o selo inicialmente exigia apenas análise físico-química. No entanto, a partir de 2026, a certificação passou a incluir também a análise sensorial, um passo importante para garantir a ausência de defeitos no produto.

“A adesão ao selo é facultativa e voltada para os produtores associados à Assoolive, mas representa um diferencial significativo no mercado. Cerca de 20 marcas já utilizam o selo, que garante ao consumidor que o azeite passou por uma análise completa e rigorosa”, explica.

Nascimento enfatiza que para a continuidade do crescimento da produção de azeite em Minas Gerais e demais regiões é importante que se invista em pesquisa.

“Para a consolidação e o crescimento contínuo da olivicultura, o fortalecimento da pesquisa é fundamental. Precisamos desenvolver políticas favoráveis, captar recursos para pesquisa e desenvolvimento e alocar mais pesquisadores em universidades e instituições como Epamig e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A introdução de novas variedades e o aprofundamento em diversas linhas de pesquisa são cruciais para a adaptação da cultura às diferentes regiões e para o aumento da produtividade”, observa.

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