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Agronegócio

Safra mineira de café deve crescer mas será menor do que a de 2020

Após queda expressiva na última temporada, Conab estima em sua 1ª previsão avanço de 21,9% para safra estadual

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No Brasil, é esperada uma safra 16,8% maior, com produção estimada em 55,7 milhões de sacas | Crédito: José Gomercindo / AENotícias
No Brasil, é esperada uma safra 16,8% maior, com produção estimada em 55,7 milhões de sacas | Crédito: José Gomercindo / AENotícias

A safra total de café 2022 em Minas Gerais deve alcançar 26,9 milhões de sacas de 60 quilos, segundo estimou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A primeira previsão para a cultura no ano, divulgada ontem, indica uma alta de 21,9% sobre a safra 2021, que foi de bienalidade negativa. Em relação à última safra de ciclo alto, em 2020, a produção neste ano ficará em torno de 22% menor. Isso porque mesmo com expectativa de avanço, a produção foi afetada pela seca, altas temperaturas e geadas. 

De acordo com os dados da Conab, a produtividade média das lavouras foi estimada em 27,3 sacas por hectare, uma recuperação de 20,6% frente ao ciclo de 2021. A área em produção ficou 1,1% maior e totalizou 990 mil hectares. 

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Segundo o diretor-presidente da companhia, Guilherme Augusto Sanches Ribeiro, mesmo com todos os problemas climáticos enfrentados, a previsão inicial da Conab sinaliza um aumento da produção. No Brasil, é esperada uma safra 16,8% maior, com a colheita estimada em 55,7 milhões de sacas.

“Estamos com o ciclo em andamento e na fase de enchimento de grãos. A previsão inicial sinaliza um aumento em relação à temporada anterior, que foi de bienalidade negativa, porém vai ficar pouco abaixo de 2020, que foi a última safra de bienalidade positiva. A área estimada apresentou leve aumento”, disse Ribeiro. 

Arábica

Do volume total esperado para o Estado, a maior parte é do grão arábica. A produção do arábica foi estimada em 26,6 milhões de sacas, avanço de 22,1% sobre a safra anterior. A produtividade do parque cafeeiro tende a crescer 20,8% e alcançar um volume de 27,2 toneladas por hectare. A área em produção é de 980 mil hectares, 1% a mais.

A produção de conilon pode chegar a 309,8 mil sacas, alta de 9,3%, e a produtividade, inicialmente, está 3,7% menor, com rendimento médio de 32,1 sacas por hectare. A área em produção, 9,6 mil hectares, aumentou 13,5%. 

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O gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Rafael Fogaça, ressaltou que Minas Gerais é o maior produtor de café do País. O Estado, sozinho, é aliás o maior produtor de café arábica do mundo. Em relação à safra atual, o clima afetou a capacidade produtiva.

A falta de chuvas em agosto e setembro, início da floração e da recuperação da planta após a safra, fez com que as lavouras passassem por escassez. Mesmo com a normalização da chuva, a partir de outubro, a estiagem afetou a produtividade esperada e desejada para um ano com bienalidade positiva. Em Minas, a produção em 2022 (26,9 milhões de sacas) será bem abaixo das 34,6 milhões de sacas registradas em 2020, quando a bienalidade era positiva, mas superior à última safra, que foi de 22,1 milhões de sacas”, disse.

Ainda segundo Fogaça, a área em produção no Estado ficou abaixo de 1 milhão de hectares. “A área menor de 1 milhão é reflexo das geadas do ano passado, que forçaram o produtor a colocar as lavouras em manejo mais intenso, seja de esqueletamento ou recepa, ficando fora de produção neste ano”, explicou.

Em relação às fortes chuvas ocorridas em Minas Gerais, no início do ano, Fogaça descartou impactos negativos. Segundo ele, o maior volume de chuvas é importante para a atual fase, de enchimento dos grãos.

A produção de café em Minas neste ano ainda será afetada por impactos climáticos | Crédito: Reuters/Roosevelt Cassio

Cocarive prevê quebra de 30% mesmo em ano favorável

Apesar da estimativa positiva para a safra mineira 2022 frente a 2021, na área de atuação da  Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive), a expectativa é de que haja uma quebra em torno de 30%. O técnico agropecuário da Cocarive, Sebastião Márcio Pereira Nogueira, explica que os efeitos do clima foram adversos para a produção. Com as chuvas abundantes registradas entre dezembro e janeiro, houve uma pequena recuperação, reduzindo a quebra de 35% para atuais 30%.

Agora, o receio é o grande volume de chuvas, que promoveu o aparecimento de doenças secundárias e atrasou os tratos culturais contra enfermidade dos cafezais, como a ferrugem. Por ser uma região montanhosa, o manejo é prejudicado. 

“Este ano vamos ter quebra na produção. Em dezembro, nossa estimativa era de uma redução de 35% na região. Hoje, com as chuvas, a situação já melhorou um pouco e estimamos perdas em torno de 30% na região da Mantiqueira de Minas. No ano passado, recebemos, dos 12 mil cooperados, cerca de 130 mil sacas de 60 quilos e esperamos um volume 30% menor. A perda só não será maior porque houve renovação de lavoura há quatro anos e elas vão produzir agora”, afirmou.

A produção da região foi afetada pela seca, altas temperaturas e também pelo excesso de frio, que provocou o abortamento dos grãos. Com a oferta ajustada, os preços estão em alta e a saca passou de R$ 600 no início de 2021 para atuais R$ 1,5 mil. 

“O produtor que ainda tiver café para vender está em uma situação mais tranquila. Porém, quem vendeu a safra ou fez trava está sofrendo pelo aumento dos custos e perdas”, explicou. 

Conforme o levantamento da Conab, no Sul de Minas, que concentra a maior parte da produção estadual, a previsão é de uma safra 18,9% maior, somando 13,9 milhões de sacas. No Cerrado o volume pode alcançar 4,8 milhões de sacas, gerando um aumento de 1,2% frente à safra 2021. Nas Matas de Minas é esperada recuperação significativa, com alta de 51,9% na produção, calculada em 7,4 milhões de sacas.  Nas regiões Norte, Jequitinhonha e Mucuri, o aumento esperado é de 3,6%, com a colheita de 718 mil sacas de café.

Exportações brasileiras sobem e superam US$ 6 bi

O Brasil exportou 40,372 milhões de sacas de 60 kg de café em 2021, obtendo US$ 6,242 bilhões. O desempenho representa queda de 9,7% em volume, mas evolução de 10,3% em receita cambial frente aos números registrados nos 12 meses de 2020. Os dados fazem parte do relatório estatístico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Essa performance implica o terceiro maior volume remetido ao exterior pelo País na história, mesmo em meio à transição para uma safra de ciclo baixo, e, em valores, o melhor nos últimos sete anos, refletindo os preços elevados no mercado e o câmbio favorável às exportações.

“Diante do ingresso na temporada 2021/22, com uma menor colheita devido ao ciclo bienal e aos impactos do clima nos cafezais do Brasil, vivemos intensas volatilidades no mercado. As cotações evoluíram para perto de seus níveis históricos, com o preço médio das exportações, de US$ 154,63, sendo um dos maiores da série. Esses fatores, aliados a um dólar forte ante o real, favoreceram o maior ingresso de divisas no Brasil”, analisa o presidente do Cecafé, Nicolas Rueda.

Conforme ele, o desempenho do ano passado é significativo e resulta do profissionalismo dos exportadores brasileiros, que realizaram trabalho exemplar para lidar com expressiva elevação no custo dos fretes, rolagens de cargas, constantes cancelamentos de bookings e disputa por contêineres e espaço nas embarcações.

“Vivemos um ano inteiro com impactos da Covid-19, e a capacidade dos nossos associados foi o que permitiu que o Brasil alcançasse o terceiro melhor desempenho em volume embarcado da história. Os exportadores nacionais foram resilientes e realizaram esforços titânicos, não se deixando vencer. Assim, após mais de duas décadas, e como alternativa, retomaram os embarques na modalidade break bulk, com tecnologia moderna, via big bags, que supriu, em parte, a falta de contêineres”, enaltece.

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