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Agronegócio

Produção de alimentos na Caatinga desafia pesquisadores

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O cultivo da palma forrageira tem colocado a região entre as grandes produtoras de leite | Crédito: Divulgação/ Emater-MG

As pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias são essenciais para a produção de alimentos e a redução da fome e da pobreza. No Brasil, muito já se avançou, principalmente, com o desenvolvimento da agricultura tropical, que permitiu produzir no bioma Cerrado. Mas ainda são muitos os desafios. Um dos mais importantes é a produção de alimentos e riquezas nas regiões semiáridas, onde 70% da área são ocupados pelo bioma Caatinga e que abrange grande parte do Nordeste do País e também o Norte de Minas Gerais.

A aposta em tecnologias e o estímulo às vocações da região da Caatinga  são considerados importantes para mudar a realidade do semiárido, que ainda apresenta alto índice de pobreza quando comparado com as demais regiões do País. 

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O assunto, aliás, foi discutido ontem durante o “Seminário Internacional Os Desafios da Ciência em Novo Pacto Global do Alimento”, promovido e organizado pelo instituto Fórum do Futuro. Dentro do evento, que integra as estratégias do projeto Biomas Tropicais, foi realizado o painel “Um novo olhar sobre a Caatinga”.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical Lucas Leite, para desenvolver a região semiárida é preciso explorar os potenciais da biodiversidade da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, e desenvolvê-los através da pesquisa.   

“Nós, da Embrapa Agroindustrial, temos a perspectiva de olhar a problemática tendo como foco a região não como problema, mas como detentora de um grande potencial pela riqueza da biodiversidade. Acreditamos que a Caatinga tem uma vocação para a exploração de nichos. Diante disso, a valorização da biodiversidade com base na ciência, aprofundando os estudos sobre plantas, animais e microrganismos adaptados às condições climáticas da região, é o caminho para viabilizar as transformações desejadas”, explicou.

Irrigação

O pesquisador e chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Unidade Semiárido – (Embrapa Semiárido), Pedro Carlos Gama da Silva, afirma que, na região semiárida que coincide com o bioma Caatinga, o caminho mais curto para o desenvolvimento da agricultura é a irrigação.

“O sucesso dos perímetros irrigados já é consolidado. São produtos de alto valor agregado como fruticultura. Para chegar aos resultados atuais, destaco o papel das instituições de pesquisas, entre as quais estão a Embrapa e diversas universidades, que foram as responsáveis pela criação da base tecnológica para a agricultura irrigada. São condições muito específicas do semiárido tropical e para a Caatinga, que é única no mundo”, avaliou.

Ainda segundo Gama, com a base tecnológica para a irrigação, o desenvolvimento produtivo e a adaptação das espécies de clima subtemperado, hoje é possível produzir, no semiárido, uva, pera, maçã, caqui, entre outras. “Com a pesquisa foi possível fazer a tropicalização destas frutas especiais”.

Por outro lado, para produzir no semiárido ainda existem muitas dificuldades, principalmente, quando o acesso à água é limitado. “Este é um desafio muito forte para a pesquisa. Precisamos promover o desenvolvimento da atividade agrícola na condição de semiárido e nas áreas de sequeiro, levando em consideração a irregularidade de chuvas e adversidades de ordem climática. Precisamos fazer destas adversidades, oportunidades produtivas e econômicas que possam se traduzir em renda e ocupação para a população nesse imenso espaço que predomina o bioma Caatinga”, disse.

Para Gama, mais uma vez, será fundamental o papel das instituições na geração de tecnologia, conhecimento e inovação para o semiárido.  “Potenciais da região podem ser explorados e desenvolvidos, como a caprinocultura, a bovinocultura de corte e de leite. A palma forrageira, através dos novos sistemas produtivos e com suplementação hídrica, é algo fantástico e tem colocado a região entre as grandes produtoras de leite, inclusive podendo concorrer com outras regiões tradicionais”, destacou.

Grande potencial regional

Sem dúvidas, para Gama, a grande oportunidade para o desenvolvimento econômico na Caatinga é a exploração do próprio bioma. Muitas atividades têm grande potencial para ser desenvolvidas e ainda contribuem para a preservação do bioma. As práticas corretas de manejo, como a Integração Lavoura e Pecuária (ILP) é uma delas, onde os produtores podem fazer a integração usando espécies nativas ou exóticos adaptados. A fruticultura de sequeiro também pode ser outra alternativa, com exploração de frutas típicas da região, como o umbu e o maracujá do mato.

“Estas alternativas têm sido exploradas pela pesquisa e gerado oportunidades de ocupação para a população. Também temos grande potencial para a exploração de espécies de forrageiras próprias da região. Mas temos como desafio não pensar somente na forma extrativista. Precisamos da pesquisa para fazer a domesticação das espécies nativas, tornando-as mais produtivas e gerando maior produção e agregação de valor. Além disso, essa domesticação é importante para evitar a degradação do ambiente”, explicou.

O Cerrado é outro bioma brasileiro que vem tendo o seu potencial explorado e bastante pesquisado | Crédito: Nilton Tadeu Vilela / Embrapa

O que é o Projeto Biomas Tropicais?

De acordo com os dados do Fórum do Futuro, o Projeto Biomas tem como objetivo aprofundar o conhecimento científico dos biomas tropicais instalados no Brasil, visando identificar os limites sustentáveis de uso dos seus recursos naturais.

A partir dessas informações, e através de aproximações sucessivas, pretende-se aferir e localizar as condições favoráveis de clima de negócios situados na cadeia de valor da oferta alimentar, considerando o desenvolvimento e adoção de sistemas produtivos inovadores, sustentáveis e competitivos no âmbito da Bioeconomia, que permitam o aproveitamento do potencial dos recursos naturais dos biomas tropicais existentes no Brasil e resultem em prosperidade para a sociedade.

Uma das ações do Projeto Biomas Tropicais é buscar apoio estrangeiro para o desenvolvimento de pesquisas científicas em conjunto com as instituições nacionais. O objetivo, além de ampliar os conhecimentos, é promover o desenvolvimento de uma agricultura sustentável e capaz de possibilitar o terceiro salto produtivo para atender a crescente demanda por alimentos no mundo. O aumento da produção é cada vez mais necessário e a ideia é que o Brasil, através da tecnologia e da inovação, consiga elevar a produção sem a necessidade de abrir novas áreas.

Os biomas brasileiros são o Amazônico, o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, os Pampas e o Pantanal. Cada um deles tem características próprias e ações de preservação e ocupação diferenciadas.

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