Espectador é convidado a pensar sobre a exploração do trabalho das empregadas domésticas - Crédito: Nereu Jr

Histórias de mulheres em situação de vulnerabilidade social pela não emancipação econômica. Esse é o enredo que será apresentado pela atriz Inês Peixoto em uma live na próxima segunda-feira, às 19 horas.

A live trará para o espaço virtual a última cena da peça “Órfãs de dinheiro” e será transmitida pela TV Assembleia e pelos canais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no YouTube e no Facebook.

O trecho da trama, que é um monólogo, conta a história de uma empregada doméstica sonhadora. Em uma cena tragicômica, ela, que mora na casa dos patrões e é tratada “como se fosse da família”, reflete sobre suas vivências.

Todas essas reflexões são compartilhadas com o espectador que, por meio da história, é convidado a pensar sobre a exploração do trabalho das empregadas domésticas e a vulnerabilidade da mulher.

“Há necessidade de emancipação econômica da mulher que, em muitos casos, não tem oportunidade de estudar ou de escolher uma profissão que promova uma vida melhor. Além disso, precisamos pensar como alguns tipos de trabalho são considerados menores”, explica Inês.

Essas questões são apresentadas pela empregada doméstica que está num parque, esperando o namorado para um passeio de canoa. Não por acaso. A canoa simboliza a travessia que as mulheres ainda estão fazendo em busca da igualdade de direitos. “Precisamos alcançar a outra margem”, destaca Inês.

O monólogo foi escrito pela atriz que, ao longo dos anos, foi acumulando materiais sobre a condição da mulher a partir de leitura de obras ficcionais e de experiências pessoais.

Uma dessas obras é o livro “Modernismo localista das Américas”, de Paulo Moreira, que analisa 15 contos de William Faulkner, Guimarães Rosa e Juan Rulfo. “Escrevi motivada por ser mulher, por já ter enfrentado várias situações difíceis e pelo meu desejo de pensar a mulher em várias esferas. É uma maneira de colocar questões que me incomodam na atualidade”, ressalta Inês.

Na peça, que tem direção de Eduardo Moreira, fundador do Grupo Galpão, outras duas histórias são contadas: uma mulher explorada sexualmente desde criança e uma refugiada que luta para sobreviver com seu bebê.

Com quase 40 anos de carreira, Inês Peixoto é atriz e diretora, com trabalhos no teatro, no cinema e na televisão. Ela integra o elenco do Grupo Galpão desde 1992 e já foi agraciada com 12 prêmios por sua atuação em teatro e três prêmios por sua atuação em cinema.

Na televisão, participou de minisséries “Hoje é Dia de Maria”, “A Cura” e “A Teia”. Nas novelas, atuou em “Meu Pedacinho de Chão”, “Além do Tempo” e “O Sétimo Guardião”. No cinema, participou de diversos filmes, como “Vinho de Rosas” e “O Crime da Atriz”, de Elza Cataldo, “Os Filmes que Eu Não Fiz”, de Gilberto Scarpa, “Moscou”, de Eduardo Coutinho, “Meu pé de Laranja-Lima”, de Marcos Bernstein.

“Minas Arte em Casa” – A apresentação de Inês Peixoto faz parte do projeto “Minas Arte em Casa”, que é uma das frentes de atuação promovidas pela ALMG no enfrentamento à crise econômica no setor cultural do Estado, gerada pela pandemia do novo coronavírus.

O objetivo é reduzir os impactos negativos nesse segmento, além de fomentar o acesso à cultura para o público, durante o isolamento social.

Serão selecionadas 40 propostas de apresentações inéditas de artes cênicas e de música popular e erudita, desenvolvidas em plataformas digitais. Os escolhidos serão remunerados e terão seus trabalhos veiculados pelos canais da ALMG. As inscrições terminaram no dia 9 de junho e o resultado final está previsto para o mês de julho.

Além desse projeto, a Assembleia realizou outras iniciativas visando apoiar o setor cultural. Uma delas é a Lei 23.631, de 2020, originária do Projeto de Lei (PL) 1.777/20, que, entre outros temas, assegura a possibilidade de concessão de renda mínima emergencial a trabalhadores autônomos e a realização remota de projetos apoiados pelo Sistema de Financiamento à Cultura de Minas Gerais.

Houve também a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1.801/20, que prevê, entre outros assuntos, a adoção de editais emergenciais para profissionais da área artístico-cultural, tanto artistas quanto técnicos; a prorrogação dos prazos de aplicação de recursos e prestação de contas para os projetos culturais apoiados pelo Estado que forem adaptados para ocorrer de forma digital; e a adoção de estratégias para impulsionar a realização de eventos culturais previstos ou reagendados para após o término do estado de calamidade. (As informações são da ALMG)