CRÉDITO: ALISSON J. SILVA

ROGÉRIO FARIA TAVARES*

Fundados no mesmo ano, 1909, a Academia Mineira de Letras (AML) e o Cefet-MG assinaram, no começo da semana, um termo de cooperação acadêmica, técnico-científica que beneficiará imensamente a cultura e a educação de Minas Gerais. Como exigem os tempos, o convênio foi celebrado por meio de uma conferência virtual, que reuniu o diretor de Pesquisa e Pós-Graduação da instituição, Conrado Rodrigues; o coordenador de sua pós-graduação em estudos linguísticos, Renato Caixeta; a coordenadora do acordo, Ana Elisa Ribeiro (excelente poeta e contista) e, da parte da AML, sua diretora-geral, Inês Rabelo; a chefe da biblioteca, Soraia Lara, e este presidente. Pelo documento, a academia abre suas portas para que os estudantes e os professores do Cefet-MG realizem suas investigações nos acervos bibliográficos e documentais da Casa de Alphonsus de Guimaraens, hoje compostos por dez coleções valiosíssimas, que ultrapassam os 35 mil itens, entre livros raros, documentos e manuscritos.

O foco da atividade dos pesquisadores recairá sobre algumas joias da academia. A primeira delas é o legado de Eduardo Frieiro, ainda bastante inexplorado, e que, seguramente, dará margem a importantes descobertas no campo da história intelectual do estado. A segunda é o material deixado por Oiliam José, secretário-geral perpétuo da academia e o organizador das suas famosas “Efemérides”, que contam a trajetória da entidade, desde a sua fundação, sempre atualizadas com impressionante rigor e capricho pelo historiador. Apaixonado pela academia, seu decano por muito tempo, Oiliam guardou zelosamente tudo o que pôde a respeito da instituição, salvando informações fundamentais da destruição e do esquecimento.

O terceiro ponto a ser trabalhado pelos estudiosos é formado pelos discursos de posse e de recepção dos acadêmicos, peças oratórias de valor inestimável e relevantes fontes de pesquisa sobre a vida cultural mineira. Afinal, em suas 11 décadas, a academia viu passar por seus quadros nomes cruciais para o entendimento da história mineira, como Abgar Renault, Afonso Arinos de Melo Franco, Bartolomeu Campos de Queiros, Cyro dos Anjos e Henriqueta Lisboa, além de estadistas como Pedro Aleixo, Milton Campos, JK, Oscar Dias Correia, Paulo Pinheiro Chagas e Tancredo Neves.

Finalmente, a equipe do Cefet-MG também se debruçará sobre a Revista da Academia, surgida em 1922, quando o seu presidente era Mário de Lima. Ao longo de quase um século, o periódico publicou ensaios, poemas e crônicas, abrindo espaço para autores de todas as gerações, trajetórias e estilos, numa perspectiva pluralista e democrática, como pede a inteligência humana. Uma das mais longevas publicações literárias do estado, a revista ganhará, daqui a dez dias, graças ao decisivo apoio da Assembleia Legislativa e de seu operoso presidente, Agostinho Patrus, o seu número 79, com mais de seiscentas páginas e cerca de sessenta ensaios sobre a Literatura produzida em Minas Gerais. Com capa de Carlos Bracher e ‘orelha’ assinada por Letícia Malard, professora emérita da UFMG, o volume terá a sua edição impressa e, ainda, uma versão digital, que estará disponível no site da Academia para a consulta gratuita de todos os interessados. Como deve ser.

*Jornalista. Doutor em literatura. Presidente da Academia Mineira de Letras.