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ROGÉRIO FARIA TAVARES*

Na semana passada, tive a alegria de receber um telefonema de Marcelo Lima Sampaio, querido companheiro dos tempos de colégio. Conversamos longamente e acabamos combinando um passeio à fazenda em que ele cria cavalos, em Sarzedo, a trinta minutos de Belo Horizonte. Quero que a meninada comece bem as férias, perto da natureza, respirando um ar mais puro e passando um dia menos ruidoso. Concordo com o confrade Jacyntho Lins Brandão, da Academia Mineira de Letras, que sempre fala: “O mundo faz barulho demais…” Carlos, de sete anos, diz que gosta de cavalgar. Gabriela, aos três, terá a sua primeira vez. Vamos ver…

Marcelinho me pediu para participar de um seminário que está ajudando a organizar, no Loyola. Será em junho do ano que vem. Topei. Quer que eu chame outros ex-alunos que possam contribuir. Sugeri os nomes de alguns amigos excepcionais, que também passaram pelas salas de aula da rua Eduardo Porto: Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, Michele Arroyo, João Henrique Renault… Tenho muita saudade dos tempos que passei entre os Jesuítas. Dias atrás disse ao confrade Padre José Carlos Brandi Aleixo (filho do grande Pedro Aleixo) que as ideias apresentadas pela congregação a que ele pertence influíram fortemente na minha formação. O ambiente respeitoso e saudável em que elas circulavam também foi fundamental. O pensamento crítico e reflexivo e a prática do discernimento, pregados por Santo Inácio de Loyola, são hábitos de que não consigo me separar. Nunca me esqueço das aulas de Eliane Pimenta (cunhada do saudoso acadêmico Aluízio Pimenta), que nos apresentou, de forma honesta, complexa e sóbria, a Einstein, Freud e Marx quando ainda tínhamos dezessete anos. Uma sofisticação que raramente se encontra nos dias que correm.

Quando fui presidente do Grêmio Estudantil Loyola (GEL), em 1987, Marcelinho integrou a minha diretoria. Foi o candidato que apoiei para a minha sucessão, sendo eleito com boa vantagem em relação aos demais pretendentes ao posto. Refundado em 85, o Grêmio era uma experiência relativamente nova. E empolgante, já que sintonizada com os tempos da redemocratização do país. Em meu mandato, fizemos dezenas de eventos: Semana da Cultura, Festival de Poesia, Corrida Rústica, Festa Junina, Semana da Paz… Não parávamos um minuto. A equipe era animada e conseguia mobilizar muita gente em torno dos mesmos objetivos. Uma das nossas lutas mais importantes foi pela criação de uma turma específica, no terceiro ano, para os interessados em cursar as chamadas ‘Humanidades’ (com carga horária maior de Português e História). A batalha não foi fácil, já que alguns dos que se opunham a ela detinham certo poder no âmago da instituição. Sensível à nossa demanda, o espanhol José Luiz Fuentes, então desempenhando a função de Reitor, foi o aliado que faltava para a nossa causa, que acabou vitoriosa.

Outra lembrança do Loyola que jamais se apagará é a do engajamento nos movimentos pastorais, tão bem conduzidos por Padre Nelson Lopes de Silva e Sônia Maria Magalhães (hoje diretora do Colégio São Luís, dos jesuítas de São Paulo). Participando de projetos como o ‘Estágio Social’ e a ‘Missão Rural’, tinha a oportunidade de sair da minha zona de conforto para viver uma experiência inesquecível de encontro com os outros, seja na periferia de BH, seja no campo, ainda nos tempos felizes em que não existiam nem as redes sociais nem o whatsapp para dominar toda a gente…

Jornalista e presidente da Academia Mineira de Letras