Arrecadação da Cfem volta a ser liderada por Minas Gerais

No 1º semestre, diferença do Estado para o Pará, que ficou em segundo lugar na soma dos royalties da mineração, foi de R$ 53 milhões
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Arrecadação da Cfem volta a ser liderada por Minas Gerais
Crédito: Muyu Xu/Reuters

Minas Gerais voltou a liderar a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), pelo menos no primeiro semestre de 2022. Por uma diferença de R$ 53 milhões, o Estado passou à frente do Pará na soma dos royalties da mineração nos primeiros seis meses deste exercício. O recolhimento em território mineiro somou R$ 1,465 bilhão, enquanto no estado do Norte do País foi de R$ 1,413 bilhão.

Os dados são da Agência Nacional de Mineração (ANM) e possivelmente refletem a menor produção da Vale no Sistema Norte no acumulado de janeiro a junho. Conforme balanço operacional da mineradora divulgado na última semana, ao todo foram produzidos 76,8 milhões de toneladas na região, volume 10,5% menor do que o registrado na mesma época do ano passado (85,7 milhões de toneladas).

O movimento fez com que Minas Gerais, que se firmou, historicamente, como maior produtor mineral e o maior recolhedor da Cfem do País, mas que, nos últimos anos, perdeu a liderança para o Pará, retomasse à primeira posição. Apenas em junho, Minas recolheu R$ 321 milhões contra R$ 252 milhões do Pará. O total nacional no mês chegou a R$ 669 milhões, o que indica que as participações foram de 47,98% e 37,66%, respectivamente.

Já no decorrer do semestre, quando o recolhimento nacional chegou a R$ 3,35 bilhões, Minas respondeu por 43,73% e o Pará por 42,17%.

Valores arrecadados são menores que em 2021

Porém, ressalta-se que os valores estão menores que os apurados no ano passado, em função dos menores volumes exportados e dos menores preços do minério de ferro no mercado internacional. Os lockdowns na China, em virtude dos novos casos de coronavírus, e a desaceleração econômica mundial causaram o cenário na primeira metade de 2022.

Apenas em junho, a queda da arrecadação dos royalties da mineração em Minas foi de 26,3%. No sexto mês do ano passado, os recolhimentos somaram R$ 436 milhões. No acumulado de janeiro a junho, o recuo foi de 27,8%, uma vez que, há um ano, as cifras acumuladas chegaram a R$ 2,031 bilhões. No caso do Pará, as baixas foram ainda mais intensas: 30,9% e 33,6%, respectivamente.

Municípios com maiores royalties da mineração

Entre os municípios mineradores de Minas Gerais, os principais destaques ficaram com Mariana (Central), Itabirito (RMBH), Itabira (Central) e São Gonçalo do Rio Abaixo (Central).

Mariana, por exemplo, somou R$ 164 milhões nos seis primeiros meses de 2022. Na mesma época do ano passado, o valor havia sido de R$ 171 milhões. Isso representa uma queda de 4% entre os períodos.

Em Itabirito, a arrecadação chegou a R$ 153 milhões nos seis primeiros meses deste ano sobre R$ 227 milhões no exercício passado. Assim, houve baixa de 32% de um ano para outro.

Já em Itabira, os royalties da mineração somaram R$ 147 milhões em 2022 e R$ 157 milhões em 2021. Isso significa recuo de 6%.

Contrariando a tendência, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a Cfem somou R$ 144 milhões nos últimos seis meses contra R$ 128 milhões no acumulado de janeiro a junho do ano passado. O movimento provocou elevação de 12% de lá para cá. Neste caso, cabe ressaltar que, ainda conforme o balanço operacional da Vale, a mina de Brucutu, localizada no município, juntamente com outras operações que compõem as Minas Centrais da companhia, apresentou elevação de 6,4% na produção na primeira metade de 2022. A produção chegou a 8,946 milhões de toneladas.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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