Superávit da balança comercial de Minas recua 9,9% em abril com alta das importações
Minas Gerais encerrou abril com saldo positivo de US$ 2,2 bilhões na balança comercial. Apesar do resultado favorável, o superávit recuou 9,9% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho foi impactado pelo avanço de 17,6% das importações, enquanto as exportações ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,1%. Os dados são da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
As exportações mineiras somaram US$ 3,9 bilhões em abril. Já as importações atingiram US$ 1,7 bilhão, o maior valor registrado para o mês nos últimos dez anos. Nesse cenário, o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon, destacou a continuidade da alta das importações, considerada por ele significativa.
Na comparação entre abril de 2025 e abril de 2026, o avanço foi puxado principalmente pelas negociações de partes de máquinas de terraplanagem, que cresceram 320%, com incremento de US$ 69 milhões, em razão de um lote destinado à cidade de Pouso Alegre, no Sul de Minas. A indústria aeronáutica também registrou forte expansão nas compras externas, com alta de 133%.
Outro destaque foi o aumento nas importações de enxofre. Segundo Ramon, o cenário geopolítico influenciou diretamente os preços do produto. “Comprávamos esse elemento do Irã, mas, devido ao conflito, tivemos alta de 56% no valor importado. Apesar da queda de 20,7% no volume, houve elevação dos preços”, afirmou.
Pelo lado das exportações, o analista da Fiemg ressaltou a estabilidade das vendas externas, mas ponderou que o desempenho vem sendo afetado por fatores econômicos internacionais e pelas tensões geopolíticas.
O ouro foi um dos principais destaques positivos do mês. As exportações do metal cresceram 70%, alcançando US$ 424,9 milhões, recorde histórico para o produto em Minas Gerais. O minério respondeu por 10,8% de tudo o que o Estado exportou no período. “Houve aumento de US$ 175 milhões, impulsionado por um grande envio para a Suíça”, explicou Ramon.
As vendas de minério de ferro e concentrados também avançaram e contribuíram para sustentar o resultado da balança comercial. O crescimento foi de 12,7%, totalizando US$ 949,5 milhões. O produto representou 24% das exportações mineiras em abril.
De acordo com o especialista, o desempenho está ligado ao aumento das compras chinesas. “A China comprou 25% mais minério de ferro neste ano, em comparação com abril de 2025. Análises do setor indicam que o país esteja ampliando os estoques. Além do minério de ferro, os chineses fizeram grandes aquisições de metais preciosos, espodumênio (lítio), zinco e produtos químicos derivados de minerais críticos, como o nióbio”, afirmou.
Ainda segundo Ramon, diante das instabilidades geopolíticas, a China vem adotando, desde o ano passado, uma estratégia de formação de estoques, tanto de minerais quanto de petróleo.
Em contrapartida, Minas Gerais registrou queda nas exportações para importantes parceiros comerciais. “Exportamos 41% menos para os Estados Unidos, redução de US$ 200 milhões, reflexo das tarifas aplicadas pelo governo do presidente Donald Trump e também da queda das vendas de café, que está em período de entressafra. Para a Argentina, a retração foi de 38%, o equivalente a US$ 69 milhões, possivelmente em função da desaceleração da indústria automobilística. Além disso, o conflito no Oriente Médio fez com que as exportações para Omã caíssem 98%, com redução de US$ 50 milhões. Somados, esses fatores impactaram o desempenho das exportações”, avaliou.
A retração nas vendas de café não torrado e de ferro-gusa também limitou um resultado mais expressivo. As exportações de café somaram US$ 836,6 milhões, queda de 14%, enquanto as de ferro-gusa recuaram 18%, para US$ 239,8 milhões. Juntos, os dois produtos responderam por 27% das vendas externas mineiras no mês.
Saldo do quadrimestre soma US$ 8 bilhões
No acumulado de janeiro a abril, Minas Gerais registrou superávit de US$ 8 bilhões na balança comercial. O resultado representa retração de 6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo havia alcançado US$ 8,45 bilhões.
As exportações do Estado totalizaram US$ 14,1 bilhões no quadrimestre, com leve queda de 0,38% na comparação interanual. Já as importações somaram US$ 6,2 bilhões, avanço de 7,3%.
Entre os principais produtos exportados, as vendas de minério de ferro recuaram 1,2%, para US$ 3,5 bilhões, enquanto as de café não torrado caíram 17%, totalizando US$ 3,2 bilhões. Por outro lado, as exportações de ouro cresceram 80%, alcançando US$ 1,6 bilhão.
Do lado das importações, destacaram-se as compras de medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários, que cresceram 6,7%, atingindo US$ 407 milhões. As importações de motores e máquinas não elétricas, exceto motores de pistão e geradores, avançaram 102%, também alcançando US$ 407 milhões. Já as compras de veículos automóveis de passageiros aumentaram 13%, totalizando US$ 225 milhões.
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