Conta de luz terá 5º mês seguido de bandeira amarela em setembro; saiba o que isso significa

Fiemg diz que cenário traz fôlego temporário, mas cobra atenção para estiagem e possível alta das tarifas no fim do ano
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Conta de luz terá 5º mês seguido de bandeira amarela em setembro; saiba o que isso significa
Foto: Adobe Stock

A bandeira tarifária permanecerá amarela em setembro, informou nesta sexta-feira (28) a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Será mantido o acréscimo nas contas de luz, no próximo mês, para todos os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O custo adicional da bandeira é de R$ 1,88 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, o que deixa, em média, a conta 2% mais cara em relação à cobrança na bandeira verde.

O anúncio foi recebido com cautela pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que considera a manutenção tarifária como reflexo da contribuição dos reservatórios das regiões Sul e Norte, cujo armazenamento permanece elevado (acima dos 90%), auxiliando na contenção do preço da energia.

Entretanto, a Federação alerta que o cenário hidrológico exige atenção porque o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, principal “caixa-d’água” do sistema elétrico nacional, atravessa o pico do período seco, com nível de armazenamento próximo a 60%.

Estiagem no Sudeste mantém sinal de alerta

Segundo o coordenador de Mercado de Energia da Fiemg, Sérgio Pataca, a continuidade da cobrança traz um fôlego temporário, mas o momento exige cautela.

“A manutenção da bandeira amarela significa um alívio para o consumidor e evita o custo adicional da bandeira vermelha em um momento desafiador para a indústria. No entanto, estamos no ponto mais crítico da estiagem no Sudeste. Agora, o foco se volta para o início da primavera e a transição para o período chuvoso. Se as chuvas de outubro e novembro atrasarem, a pressão sobre as tarifas pode voltar a se intensificar no último trimestre do ano”, observa.

Diante do quadro de incertezas climáticas e operacionais, a federação reforça a urgência do avanço de reformas estruturais no setor elétrico brasileiro, no fomento à eficiência energética e na implementação de políticas que garantam a segurança do suprimento e a previsibilidade tarifária para a indústria e para a sociedade.

Entenda por que a bandeira amarela foi mantida

Este é o quinto mês consecutivo com a bandeira amarela. Segundo a Aneel, a manutenção da bandeira se deve ao período seco no Brasil, o que leva a uma geração hidrelétrica menor, devido ao menor nível dos reservatórios, e ao acionamento de usinas termelétricas, com custo mais elevado.

“A sinalização reflete condições menos favoráveis de geração de energia no País, com necessidade de utilização de fontes de geração com custos mais elevados”, afirma a Agência

Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em cores, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerar a energia usada nas residências, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias.

As cores das bandeiras tarifárias são definidas a partir da previsão de variação do custo da energia em cada mês. Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a fatura sofre acréscimo a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Os valores cobrados são os seguintes:

  • bandeira amarela, com condições de geração menos favoráveis, a tarifa sofre acréscimo de R$ 1,88 para cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos.
  • bandeira vermelha, no patamar 1, com condições mais custosas de geração, a tarifa sofre acréscimo de R$ 4,46 para 100 quilowatt-hora consumidos;
  • bandeira vermelha, no patamar 2, as condições de geração são ainda mais custosas, com a tarifa sofrendo acréscimo de R$ 7,87 para cada 100 quilowatt-hora consumidos.

*Com informações da Agência Brasil

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

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