Crédito do Banco do Nordeste cresce 21,5% no 1º trimestre em Minas e impulsiona pecuária
As contratações do Banco do Nordeste (BNB) em Minas Gerais somaram R$ 795,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,5% em relação aos R$ 654,9 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O desempenho é puxado, principalmente, pela pecuária, que concentra o maior volume de financiamentos com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).
No recorte do FNE, principal fonte de crédito da instituição, foram contratados R$ 628,8 milhões até março, avanço de 31,1% frente aos R$ 479,8 milhões liberados no primeiro trimestre de 2025.
A pecuária lidera a demanda por crédito no Estado com R$ 221,4 milhões contratados, crescimento de 31,6% na comparação anual. Em seguida, aparecem comércio e serviços, com R$ 180,8 milhões, uma alta de 31,0%, e agricultura, com R$ 155,2 milhões, crescimento de 22,7%.
Segundo o gerente executivo estadual do Banco do Nordeste, Evacir Júnior, o avanço da pecuária está associado tanto a fatores de mercado quanto a condições climáticas favoráveis. “Tivemos aumento na aplicação de recursos na pecuária, especialmente na pecuária de corte e também no leite, impulsionado pela valorização do boi gordo e dos bezerros para recria e engorda. O período de chuvas foi satisfatório, ampliando a disponibilidade de pastagens”, diz.
Ele acrescenta que o crédito não se limita à compra de animais. “Os recursos também são utilizados para melhoria da infraestrutura produtiva, como reforma de curral, manutenção de pastagens e aquisição de insumos, vacinas e medicamentos, o que melhora a qualidade do rebanho e a produtividade”, explica.
Área urbana
Outro setor que se destacou na aquisição de crédito em Minas Gerais foi o de comércio e serviço. Nesse segmento, o crescimento das contratações está associado à expansão da atuação do banco e ao ambiente econômico mais favorável. Segundo o gerente executivo do Banco do Nordeste, Fernando Madureira, dois fatores explicam o avanço. “Houve ampliação da área de atuação, com novos municípios atendidos e inauguração de agências, além do aquecimento da economia, que incentiva empresários a investir em reforma, modernização, ampliação ou implantação de novos empreendimentos”, afirma.
O executivo cita ainda o desempenho do turismo como vetor adicional. “No setor de turismo em Minas Gerais, tivemos aplicações entre R$ 30 milhões e R$ 32 milhões no período, voltadas para essa expansão identificada na região”, diz.
Madureira também aponta mudanças estruturais em polos regionais. “Montes Claros tem se consolidado como um polo farmacêutico, com ampliação de indústrias já instaladas e chegada de novos empreendimentos, o que gera impacto direto na economia local, atingindo pequenos, médios e grandes negócios”, afirma.
Perspectivas
A expectativa do banco é de aceleração das contratações ao longo do ano, com maior demanda no segundo semestre. Segundo Evacir Júnior, o volume de projetos já em análise indica continuidade do crescimento. “Já há aumento na procura, com produtores apresentando projetos, e a tendência é ampliar ainda mais a aplicação de recursos”, diz.
No caso do crédito rural, o executivo destaca o ritmo de execução do Plano Safra. “Devemos atingir, ainda em maio, a aplicação de cerca de R$ 800 milhões previstos até junho, o que não interrompe a concessão de crédito, já que há disponibilidade de novos recursos para os produtores”, afirma.
Na área urbana, a expectativa também é de intensificação no segundo semestre. “Historicamente há aceleração nesse período, impulsionada por datas comerciais e eventos regionais. A expectativa é ampliar a aplicação de recursos na região”, observa Fernando Madureira.
Microcrédito também avançou no Estado
Os programas de microcrédito do banco também registraram avanço no período. As contratações somaram R$ 422,9 milhões em Minas Gerais, alta de 26,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Já o Agroamigo, voltado para produtores familiares, respondeu por R$ 215,3 milhões, com crescimento de 39,5%. Além disso, o Crediamigo, direcionado a microempreendedores urbanos, alcançou R$ 207,6 milhões, expansão de 14,9%.
O Banco do Nordeste atua em 249 municípios mineiros inseridos na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que abrange o Norte de Minas, parte do Noroeste e os vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce.
Ouça a rádio de Minas