Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

A economia mineira pode ter o incremento de 2 milhões de consumidores, no médio e longo prazos, com o Cadastro Positivo (CP), que foi aprovado em abril e passa a vigorar em 9 de julho. Com isso, somente no Estado, podem ser injetados R$ 102 bilhões. Em todo o País, o novo cadastro tem potencial de inserir até 22 milhões de pessoas, gerando R$ 1,1 trilhão adicional. Os dados constam de estudo da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC). Presidente da ANBC, Elias Sfeir explica que esse reforço ocorrerá porque um número maior de pessoas passará a ter acesso ao mercado de crédito.

“Hoje, só há o dado negativo. Com o novo modelo, que leva em conta também dados positivos, sobe o número de pessoas com potencial para crédito, pois há melhora na nota de crédito”, explica. Outra vantagem é que, com informações mais seguras, as taxas de juros devem cair.

De acordo com a pesquisa, em Minas, cerca de 36% dos consumidores estão inadimplentes, enquanto no País esse índice chega a 40%. Com a entrada em vigor do Cadastro Positivo, esses percentuais podem ter queda de 45%, conforme apontam estudos internacionais. Ou seja, parte do reforço no mercado consumidor é formada por pessoas que eram consideradas inadimplentes e que, com a nova regra, deixarão tal condição.

Isso ocorre porque o novo modelo dá maior transparência sobre o comportamento do consumidor. Estimativas apontam que, no caso das classes C, D e E, a nota de crédito sobe em 60% sob as novas regras do Cadastro Positivo.

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Desbancarizados – Além disso, segundo Sfeir, um grupo que era considerado inexistente pelo mercado de crédito passará a poder contar com tais serviços: são os chamados desbancarizados, ou seja, aqueles que não têm acesso ao atendimento bancário. Ele informa que, no País, esse grupo corresponde a 25% dos consumidores.

Segundo a ANBC, o novo CP vai promover a inclusão automática de todos os consumidores, formando um histórico de pagamento de cada cidadão, seja de crédito recebido ou de serviços continuados, como água, energia elétrica, gás e telefonia. Com base nesse histórico, é estabelecida uma nota de crédito. Dessa forma, o modelo valoriza os pagamentos realizados, os dados positivos, e não somente os dados negativos, que são dívidas não pagas ou em atraso.

Atualmente, o CP conta com 15 milhões de CPFs, sendo que, com as novas regras, esse número deve saltar para 130 milhões. Até agora, era necessário fazer o pedido para ser incluído no Cadastro Positivo, sendo que a adesão passará a ser automática.

Sfeir informa que, neste ano, os esforços devem ser concentrados na criação da base de dados do cadastro, com incremento de informações que vão refletir na nota de crédito do consumidor. A estimativa é de que o mercado de crédito comece a crescer a partir de seis meses da entrada em vigor do sistema.

Na avaliação de Sfeir, a medida tem o potencial de ancorar uma fase positiva da dinâmica da economia, inclusive melhorando a arrecadação de impostos e auxiliando na recuperação financeira dos estados, que vêm enfrentando período de crise.

Isso porque, com um número maior de pessoas consumindo, a economia é aquecida. Os empresários começam a investir, elevando a demanda por equipamentos, o recolhimento de impostos e a geração de emprego. Com o aumento de postos de trabalho, há o aquecimento do consumo.

“É um impacto positivo e sustentável. Não é algo pontual”, considera.