Empreendedorismo feminino e o poder das mulheres em rede: uma leitura do Encontro das Mulheres do Queijo sob o viés de gênero
“Mulheres são como águas, crescem quando se encontram.” Escolhi começar a coluna de hoje com essa frase, tradicional em cartazes de manifestações de mulheres pelo País, para representar um pouco da experiência que vivi semana passada no Terceiro Encontro das Mulheres do Queijo, realizado durante o Festival do Queijo Artesanal de Minas, evento promovido pelo Sistema Faemg Senar e pelo Sebrae Minas, com patrocínio do Sicoob, que ocorreu no Parque de Exposições do Expominas.
O encontro reuniu mulheres produtoras de treze regiões do Estado e teve como foco principal o incentivo ao posicionamento das produtoras como protagonistas da sua história, o reforço da liderança feminina e o incentivo à sucessão familiar. Quero discorrer aqui sobre a experiência do encontro a partir de uma perspectiva de gênero.
Aprender a ler o mundo com as lentes da cultura patriarcal é condição essencial para o fortalecimento e o posicionamento das mulheres e a sua atuação em rede. O primeiro ponto que quero destacar foi uma das falas da Silvana Morais, gerente da mulher, do jovem e da inovação do Sistema Senai, que apontou o fato das mulheres estarem muitas vezes à frente da produção do queijo, mas não serem reconhecidas por esse processo.
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A comercialização do produto vem sendo sempre atrelada ao nome do marido que é reconhecido como o responsável pela produção: o queijo do seu Fulano, do seu Ciclano, nome que chancela o produto. Além disso, há ainda um hábito dessas mulheres se colocarem na postura de estarem “ajudando” os maridos quando, na verdade, elas atuam como lideranças do processo.
E foi exatamente esse o tema abordado pela palestrante Andreza Capelo: a importância do posicionamento pessoal e da comunicação eficaz dessas mulheres para que elas possam assumir o seu protagonismo nessa história, pois, embora elas estejam à frente da produção, os números oficiais ainda não revelam a atuação delas, o que novamente reforça a importância de construirmos uma leitura de gênero para os diferentes segmentos produtivos brasileiros e atuar a partir das inequidades.
A palestra deu sequência a uma roda de conversa entre mulheres do queijo e esse é o outro ponto que quero destacar: a importância da atuação em rede como uma das estratégias para se vencer os obstáculos do patriarcado.
Foi lindo e emocionante ouvir as histórias daquelas mulheres, se conectando na adversidade e na força, mostrando a potência da representatividade e a da coletividade. E entre as várias falas destaco a de uma delas que apontou a importância dos momentos em rede para a socialização e para pegar força para voltar para casa.
E para fechar, recorro a Joice Berth, que nos lembra que o empoderamento feminino só se dá na força do coletivo. Que as mulheres do queijo e de todos os outros ramos produtivos tenham sempre um coletivo com quem possam partilhar.
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