Cesta básica sobe em abril e compromete 47% do salário mínimo em Belo Horizonte
O custo da cesta básica em Belo Horizonte subiu 0,86% em abril e atingiu R$ 767,64, segundo levantamento divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Agora, o preço dos treze produtos analisados compromete cerca de 47,3% do salário mínimo na capital mineira.
Embora o cenário seja de alta, o comprometimento da renda permanece abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Em abril de 2025, a cesta básica custava R$ 4,81 a mais e equivalia a 50,89% do salário mínimo. Nos últimos 12 meses, o custo acumulou recuo de 0,62%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de Belo Horizonte (IPCA-BH) avançou 3,41%.
Segundo o gerente de Pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, a elevação de abril perdeu força em relação ao avanço observado em março, quando a cesta registrou aumento superior a 3%, mas ainda manteve pressão relevante sobre os preços dos alimentos.
“Não houve uma alta no mesmo nível de março, mas esse aumento de quase 0,90% ainda é expressivo”, afirma. Os itens com maiores altas em abril foram manteiga (7,66%), chã de dentro (5,65%) e pão francês (4,14%). Considerando o peso de cada produto na composição da cesta, o chã de dentro foi o principal responsável pela pressão sobre o índice, com contribuição de 1,98 ponto percentual.
De acordo com Eduardo Antunes, o aumento da carne bovina está relacionado ao avanço das exportações brasileiras para a China, reduzindo a oferta no mercado interno.“A alta do chã de dentro é explicada pelo aumento das exportações para a China, que tem comprado muita carne brasileira neste momento. Com isso, a oferta interna fica menor, o que acaba pressionando os preços”, explica.
No caso da manteiga, o pesquisador aponta redução da oferta de leite e aumento dos custos de produção. Já o pão francês, ele explica que segue pressionado pelo encarecimento do trigo e pelos custos logísticos que estão aumentando em decorrência dos conflitos internacionais no preço do frete no País.
Quedas amenizaram pressão
Entre os produtos que registraram queda nos preços em abril, os destaques foram banana caturra (-13,84%), feijão carioquinha (-11,25%) e café moído (-7,08%). Também apresentaram recuo batata inglesa, tomate, açúcar cristal e óleo de soja.
Mesmo assim, as reduções não foram suficientes para compensar o avanço dos itens com maior peso na cesta. “Os demais produtos que apresentaram queda de preço não conseguiram compensar essa elevação”, comenta Antunes.
Alta supera inflação da capital
No acumulado de 2026, a cesta básica já registra aumento de 3,35%, percentual acima da inflação oficial de Belo Horizonte, medida pelo IPCA-BH, que acumula alta de 1,80% no mesmo período.
Segundo Eduardo Antunes, a cesta básica costuma apresentar oscilações mais intensas por ser composta exclusivamente por alimentos, especialmente produtos in natura e itens sujeitos a fatores climáticos e logísticos. “Como a cesta básica é composta exclusivamente por alimentos, ela apresenta comportamento diferente da inflação geral, que inclui diversos outros produtos e serviços não alimentares”, ressalta.
O pesquisador destaca ainda que o cenário segue marcado por incertezas relacionadas ao frete, ao preço do diesel e às condições climáticas, fatores que dificultam as projeções para os próximos meses.
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