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Economia

Chuvas já impactam setor produtivo em Minas

Volume de água que cai em todo o Estado, além de castigar municípios, tem interrompido atividades

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Com as ocorrências contínuas de chuvas, 145 municípios em Minas Gerais já decretaram situação de emergência | Crédito: Marco Evangelista / Imprensa-MG

Os mineiros acompanham atentamente as ocorrências provocadas pelas chuvas que caem ininterruptamente no Estado. Os prejuízos se avolumam e 145 cidades já haviam decretado situação de emergência ontem, segundo a Defesa Civil. O setor produtivo também enfrenta as consequências do tempo chuvoso e muitas empresas estão paradas ou reduziram suas atividades.

Segurança é o principal fator de preocupação para a mineração desacelerar suas atividades. Não poderia ser de outra maneira em um Estado que sofreu com a violência de recentes cataclismos ambientais no setor. Como consequência, as chuvas intensas que atingem Minas Gerais paralisaram operações da Vale, Usiminas, CSN, além da mina de minério de ferro Pau Branco, da francesa Vallourec.

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Estas empresas anunciaram ontem a paralisação de parte de suas atividades como uma medida de precaução. Mas são poucas as dúvidas de que o setor pare completamente nos próximos dias, caso a chuva continue intensa e, consequentemente, a situação se agrave.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) minimizou o panorama, informando que estas paralisações em Minas Gerais são temporárias e que poderão ser revertidas em breve, caso a chuva diminua.

O Ibram garante que todas as estruturas que compõem as empresas – como barragens de rejeitos – estão sendo monitoradas 24 horas ao dia e a qualquer sinal de anormalidade as autoridades são imediatamente comunicadas e medidas de emergência, como alertas, são tomadas imediatamente.

Por meio de fato relevante, a Usiminas comunicou que as operações de sua controlada Mineração Usiminas S.A. (Musa) foram temporariamente paralisadas. “As atividades deverão ser retomadas quando as condições climáticas melhorarem e permitirem acesso seguro às minas e o funcionamento adequado de equipamentos, bem como após uma revisão das condições das instalações em geral”, diz a comunicação, assinada pelo vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Alberto Ono.




A empresa garantiu que a paralisação não afetará o fornecimento de minério de ferro para a siderúrgica, que irá utilizar estoques da própria Musa. A mineração acionou já no sábado (8) o nível 1 do Plano de Ação de Emergência de Barragens da Mineração (Paebm) para sua Barragem Central, desativada desde 2014. O Nível 1 significa um estado inicial de alerta e não representa comprometimento dos fatores de segurança da barragem, não requer a retirada de moradores das áreas de risco e nem o toque de sirenes.

Já a Vale divulgou, através de comunicado à imprensa, que paralisou parcialmente a produção dos Sistemas Sudeste e Sul, em razão do nível elevado de chuvas que atingem Minas Gerais e seus reflexos na segurança para circulação de empregados e terceiros, além da infraestrutura da frente de lavra.

A paralisação inclui a circulação de trens na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) em trechos como rio Piracicaba – João Monlevade impedindo o escoamento do material em Brucutu e no complexo de Mariana, que estão com a produção suspensa. O trecho Desembargador Drummond – Nova Era também está paralisado, mas em fase de liberação e não afetou a produção do Complexo de Itabira, diz o comunicado.

No Sistema Sul, a produção de todos os complexos está temporariamente paralisada, em função da interdição de trechos das rodovias BR-040 e MG-030 e da segurança de circulação de empregados e terceiros. A mineradora destacou que segue acompanhando o cenário e monitorando suas barragens, em tempo real, durante 24 horas por dia. 

O trecho da BR-040 foi interditado nos dois sentidos no final de semana após o transbordamento de um dique de contenção de água da mina Pau Branco, da Vallourec.  A estrada foi liberada na manhã de ontem, depois de quase dois dias interrompida, o que levou a Agência Nacional de Mineração (ANM) a interditar as operações.

As reações foram além.  O Ministério Público de Minas Gerais pediu o bloqueio de R$ 1 bilhão da empresa e multa diária, pedindo providências “para conter os danos ambientais e sociais” causados pelo vazamento.




A Vallourec informou que, desde o transbordamento do Dique Lisa, “não poupou esforços para, em conjunto com os órgãos e autoridades competentes, minimizar os transtornos ocorridos e restabelecer a normalidade da situação”. A empresa francesa destacou ainda que, após todas as ações implementadas e inspeções realizadas, a Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizou a reclassificação do nível de emergência do Dique Lisa de 3 para 2.  

A CSN comunicou ao mercado a suspensão das operações de extração e movimentação na mina de minério de ferro Casa de Pedra, em Congonhas (MG).  A companhia afirmou que as operações foram “temporariamente suspensas com expectativa de retorno das atividades nesses próximos dias”.

Ainda em razão das chuvas, diz a comunicação, a operação portuária de carregamento de minério no Terminal de Carvão – Tecar, no porto de Itaguaí/RJ, também está suspensa em virtude do alto grau de umidade verificado no local.

Já a ArcelorMittal, que opera no Estado duas minas para extração de minério de ferro e plantas industriais para produção de aço, informou que está adotando medidas preventivas e corretivas para mitigar os impactos com as interdições de rodovias, priorizando a segurança operacional, das pessoas e o atendimento aos clientes. A empresa esclarece que, até o momento, os impactos em suas operações foram pontuais e estão sendo solucionados.

 Em várias regiões do Estado, porém, minas e barragens inspiram cuidados. A barragem do Carioca, da usina hidrelétrica da Companhia de Tecidos Santanense, em Pará de Minas, está em alerta. A Defesa Civil retirou do local dezenas de pessoas que estavam em áreas de risco.

Prejuízos são significativos e 145 cidades mineiras já decretaram situação de emergência | Crédito: Gil Leonardi – Imprensa MG

Indústria automotiva

A segurança das pessoas também é a principal preocupação da Fiat Automóveis, em Betim, que emprega moradores de toda a região metropolitana – e, como tal, podem ter sofrido com a inundação. Uma fonte interna informou que a empresa está doando 5 mil kits compostos por cobertores, material de limpeza e cesta básica para desabrigados em todo o Estado.

Quanto aos negócios, diz a fonte, a grande preocupação é com a logística, já que o setor depende do fluxo constante e entrega de mercadorias. Um trecho da rodovia Fernão Dias, que passa ao lado da montadora em Betim, inclusive, foi interditado no domingo e liberado apenas na tarde de ontem.

No entanto, avalia a fonte, ainda é cedo para estimar o impacto das chuvas sobre a malha rodoviária. Após uma parada técnica no final do ano, esta seria a semana de retomada da produção, ou seja, as chuvas pegaram o processo ainda no início. O que é confirmado pelo diretor regional do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Fábio Sacioto.

“O setor de autopeças não teve grande impacto, já que retomando hoje a produção, a montadora tinha já um estoque para recomeçar. Por enquanto, não temos notícias de grandes impactos. Alguns caminhões ficaram parados, houve grandes congestionamentos, mas a situação está se normalizando e está sob controle. Mas estaria complicada se a 040 não fosse liberada”, aponta Sacioto.

Temor de um apagão logístico 

Para outros setores da economia, além da questão de segurança está em jogo o apagão logístico, quando estradas fechadas ou em péssimas condições impedem que insumos e mercadorias cheguem ao seu destino: a indústria e o comércio.  

“A cadeia de suprimentos com certeza foi afetada”, acredita o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Anchieta da Silva, destacando que o comércio é o último elo da cadeia empresarial. “O mais complicado é que as prateleiras já estavam vazias por causa do final de ano e o momento era de chegar mercadoria para reposição”, receia.

Para Anchieta, a vida do empresário não está para brincadeiras. “É um desafio atrás do outro. Não metabolizamos a pandemia, vem uma variante, depois uma gripe e, agora, um período chuvoso extremamente concentrado. É mais uma paulada no empresário, que tem que ser muito corajoso para enfrentar essas vicissitudes”, lamenta o dirigente.

E tem que ter sorte também. Por incrível que pareça, pelo fato de o pico chuvoso ter acontecido em um final de semana, o desabastecimento, por enquanto, é menor. É o que sublinha o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Gladstone Viana Diniz Lobato.

“Comércio, Ceasa, não são abastecidos nos fins de semana, ou seja, o problema não foi tão grande”, diz Lobato, frisando que as chuvas estão mais intensas agora mas o problema se repete todo ano. “Minas Gerais não tem estrada, tem caminho. E esse período já pegou a malha em péssimo estado. Então, nós estamos reivindicando do Dnit, do DER, a manutenção das estradas, porque se a chuva continuar assim, ou der uma parada e voltar, as consequências serão maiores”, finaliza.

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