Economia

Consumo de itens básicos impulsiona vendas no comércio de Minas Gerais

Vendas no varejo de Minas Gerais crescem 2,2%, puxadas por itens essenciais e surpreendentes avanços em tecnologia e atacarejo
Consumo de itens básicos impulsiona vendas no comércio de Minas Gerais
Grandes puxadores do resultado positivo no Estado são grupo de alimentos e bebidas e grupo de itens pessoais | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Charles Silva Duarte

As vendas no varejo de Minas Gerais cresceram 2,2% no primeiro trimestre do ano, resultado próximo ao registrado no Brasil (2,4%). No varejo ampliado, que inclui veículos e peças, material de construção e atacado de alimentos e bebidas, o volume de vendas no Estado avançou ainda mais no primeiro trimestre (5,1%), superando o crescimento nacional (1,9%). A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi divulgada na quarta-feira (13).

Na passagem de fevereiro para março, o ritmo desacelerou para 0,2%, mas o resultado renovou o pico da série histórica de Minas Gerais registrado em fevereiro. Na análise trimestral, o crescimento foi puxado por três dos oito segmentos pesquisados, com destaque para equipamentos e materiais de informática (37,9%), artigos de uso pessoal e doméstico (28,9%) e perfumaria, cosméticos e farmácias (5,7%).

Os principais recuos no primeiro trimestre ocorreram em móveis e eletrodomésticos (-5,8%), livros, jornais e papelaria (-5,1%) e combustíveis e lubrificantes (-3,5%). No acumulado em 12 meses, o volume de vendas no varejo restrito avançou 1,8% no estado, mesma taxa registrada no País.

Consumo de sobrevivência

Os grandes puxadores do resultado positivo do comércio no Estado, itens pessoais (cosméticos e higiene pessoal) e o grupo de alimentos e bebidas, podem ser enquadrados no “consumo de sobrevivência”, que é a compra voltada à manutenção de necessidades básicas do dia a dia.

Para a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Fernanda Gonçalves, itens de valor agregado mais alto, como eletroeletrônicos e veículos, tiveram redução no consumo em razão do cenário econômico pouco favorável nos últimos meses.

“As taxas de juros a 14,50% ao ano promovem esse maior consumo de sobrevivência. Atrelado a isso, hoje, segundo a CNC, mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas. Isso é o maior nível da série histórica iniciada em 2010, medida pela confederação. Com isso, a maior dificuldade é o crédito e, consequentemente, a maior dificuldade em relação a ter bens duráveis e semiduráveis tende a diminuir o consumo desses produtos”, explica.

“Devido a esse cenário, no varejo restrito, Minas obteve índice positivo acima da média nacional em relação a esse mês, frente ao mesmo mês do ano anterior, em outros artigos de uso pessoal e doméstico, com 52,5%. Isso porque ficou 41,4 pontos percentuais acima da média nacional”, completa.

Surpresa vinda do escritório

Em outras vertentes, não seguindo a lógica do consumo de sobrevivência, houve destaque em Minas Gerais para equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação, com alta de 59%.

“Essa categoria voltou a performar positivo em Minas Gerais e acima da média nacional, setor que tem como característica ter maior volume de vendas atrelado à oscilação do dólar, que vem tendo quedas sucessivas”, comenta a economista.

Atacarejo vai bem

No varejo ampliado, o atacarejo, especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, registrou elevação de 29,3%, ficando 20,6 pontos percentuais acima da média nacional.

“Esses destaques contribuíram para Minas Gerais performar no índice geral do varejo restrito 5% acima da média nacional neste mês, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Na variação acumulada, Minas também performou positivo, acima da média nacional, com 5,1%, e a variação acumulada em 12 meses ficou 1,5% acima da média nacional”, disse a economista da Fecomércio, Fernanda Gonçalves.

Segmento mais estável

O varejo ampliado tende a apresentar menores intensidades de queda, sustentado pelos programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola 2.0, pela ampliação da faixa de isenção do imposto de renda e pela expectativa de redução das taxas de juros. Esses fatores devolvem fôlego ao consumo nos próximos meses.

“Datas comemorativas também podem contribuir para um maior aquecimento ao longo do período. Neste ano, há uma data comemorativa a mais: a Copa do Mundo, que tende a contribuir positivamente com alguns setores, como eletrodomésticos e eletrônicos, atrelados a bens semiduráveis e duráveis. Essas datas, portanto, contribuem para o aquecimento do varejo e abrem a possibilidade de índices melhores nos próximos meses”, finaliza a economista.

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