CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE/Arquivo DC

O setor de comércio varejista em Minas registrou retração de 6,6% em março na relação com igual mês do ano passado. Com isso, o primeiro trimestre fechou com queda de 2,7% na comparação com o mesmo período de 2018. No acumulado de 12 meses, houve redução de 1,2%. Por outro lado, na passagem de fevereiro para março foi registrado crescimento de 0,8% no setor. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Analista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli considera que é necessário aguardar os números do próximo mês para verificar como o setor de comporta, pois os números vêm oscilando. Segundo ela, o resultado do comparativo março 2019/março 2018 sofreu o impacto calendário devido à Páscoa: no ano passado, a data foi comemorada em março, enquanto este ano caiu em abril.

Na análise do economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Guilherme Almeida, o comércio vem acompanhando a conjuntura de lenta recuperação econômica.

Almeida considera que os dados mostram perda do dinamismo da atividade, com arrefecimento do desempenho registrado no final de 2018. Ele considera que o cenário de incerteza, inclusive quanto à votação da reforma da previdência, adia decisões de investidores, empresários e consumidores. Com isso, a indústria continua “patinando”, o que interfere em toda a cadeia. O economista aponta também as altas taxas de desemprego, o que impacta na renda das famílias.

O economista da Fecomércio MG informa que, considerando-se o varejo ampliado – que inclui veículos, motocicletas, partes e peças; e material de construção –, a atividade no acumulado de 12 meses, em março, atingiu alta de 1,2%. Em fevereiro, a alta foi de 2,4%. Ou seja, houve perda do dinamismo no comércio. “Estamos no campo positivo, mas esse comportamento mostra perda de fôlego do setor”, disse.

Levando-se em consideração o varejo ampliado, o comércio varejista em Minas mostrou retração de 6,4% em março na relação com igual mês do ano passado. Na passagem de fevereiro para março, houve alta de 1,6%. Já na comparação primeiro trimestre 2019/primeiro trimestre 2018, houve redução de 0,9%.

Setores – Em março, no comparativo com igual mês do ano passado, o único setor a mostrar desempenho positivo foi o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 6,7%. Almeida explica que o resultado positivo pode ter ocorrido devido ao fato de medicamentos serem itens de primeira necessidade.

Os resultados negativos vieram de livros, jornais, revistas e papelaria (-25,4%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-22,8%); tecidos, vestuário e calçados (-17%); móveis e eletrodomésticos (-14%), combustíveis e lubrificantes (-13,3%); equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-12,3%); veículos, motocicletas, partes e peças (-8,4); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios bebidas e fumo (-1,4%). Materiais de construção mostraram estabilidade

Já na base comparativa março 2019/março 2018, mostraram resultado positivo os setores farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+9,4%); veículos, motocicletas, partes e peças (+6,4%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios bebidas e fumo (+2,1%); e material de construção (+1,6). Os que apresentaram retração foram móveis e eletrodomésticos (-14,6%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-14,5%); livros, jornais, revistas e papelaria (-10,6%); combustíveis e lubrificantes (-9,4%); tecidos, vestuário e calçados (-8,6%); equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-1,7%).

No acumulado de 12 meses, mais setores apresentaram resultados positivos, sendo veículos, motocicletas, partes e peças (+13,7%); equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+8,7%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios bebidas e fumo (+7,7); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+7,7%); material de construção (+5,4%).

As quedas vieram de móveis e eletrodomésticos (-20%); combustíveis e lubrificantes (-17,8%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-15%); livros, jornais, revistas e papelaria (-6,2%); tecidos, vestuário e calçados vestuários (-0,9%).

Março foi positivo na média nacional

Rio e São Paulo – As vendas no varejo do Brasil subiram menos do que o esperado em março e encerraram o primeiro trimestre com leve ganho, em um ritmo modesto refletindo o cenário de fraqueza econômica no País. Na comparação com o mês anterior, as vendas varejistas tiveram ganho de 0,3%, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse foi o resultado mais fraco para o mês de março em dois anos e ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,8%.

Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve recuo de 4,5%, interrompendo sete meses de alta e numa contração mais forte do que a projeção de perda de 2,63% na mediana das estimativas.

Desta forma, as vendas no varejo terminaram o primeiro trimestre com alta de 0,2% sobre os três últimos meses de 2018, mostrando perda de força ante o ganho de 0,6% do quarto trimestre sobre o período anterior.

O varejo reflete o cenário de morosidade da economia apesar da inflação moderada, com um mercado de trabalho com mais de 13 milhões de desempregados. A indústria já havia mostrado em março queda de 1%, ritmo mais forte para o mês em dois anos.

“Houve uma desaceleração, uma perda de ritmo no trimestre provocada pela baixa da atividade econômica, um mercado de trabalho com muitos desempregados e informais e uma subida de preços de alimentos e combustíveis. Isso afetou o poder de compra das pessoas no trimestre”, explicou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

O IBGE apontou que, entre as atividades pesquisadas no varejo, as vendas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos aumentaram 1,4% e as de Outros artigos de uso pessoal e doméstico subiram 0,7%. A comercialização de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação subiram 2,9%.

Entretanto, cinco das oito atividades tiveram queda nas vendas, com destaque para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,4%) e Combustíveis e lubrificantes (-0,8%).

No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, houve aumento de 1,1% das vendas em março sobre o mês anterior, com crescimento de 4,5% entre Veículos e motos, partes e peças e de 2,1% de Material de construção.

As expectativas do mercado para o crescimento econômico do Brasil vêm sofrendo sucessivas reduções. A pesquisa Focus mais recente do Banco Central mostrou que os economistas consultados veem expansão de 1,49% em 2019, indo a 2,5% no próximo ano. (Reuters)