Economia

Falta de fertilizantes pode afetar o agronegócio em todo o País, diz dirigente da CNI e da Fiems

Presidente da Fiems e vice da CNI aponta escassez de fertilizantes e frete mais caro como principais efeitos na economia nacional
Falta de fertilizantes pode afetar o agronegócio em todo o País, diz dirigente da CNI e da Fiems
Foto: Reprodução Adobe Stock / Dusan Kostic

O conflito no Oriente Médio já provoca impactos concretos na economia brasileira com reflexos diretos no agronegócio e na indústria. A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul (Fiems) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sérgio Longen, que aponta a escassez de fertilizantes e o encarecimento do frete como os principais efeitos sentidos até o momento.

“O impacto é muito grande. Temos hoje uma redução no fornecimento de óleo diesel e custos diretos que já chegaram às matérias-primas das empresas que trabalham com derivados do petróleo, embalagens plásticas, enfim. É uma guerra que impacta o brasileiro como um todo”, disse.

“Os fertilizantes são um ponto importante. Estamos iniciando o plantio de milho e sorgo na nossa região, e isso já tem impactado a compra da própria matéria-prima dos fertilizantes, o que afeta diretamente o custo para o consumidor brasileiro e já está sendo transferido ao preço final. O fertilizante é essencial para o agronegócio e para as exportações de grãos da região, que é um setor fortíssimo”, completou.

Segundo o dirigente, o custo do frete já subiu cerca de 15% e está sendo repassado ao preço final dos produtos em todo o Brasil. Na produção agrícola, o impacto nos fertilizantes varia entre 15% e 18%, afetando as principais safras nacionais.

Crescimento e alternativas

Apesar do cenário externo adverso, o estado vive um momento de expansão industrial. Nos últimos anos, o Mato Grosso do Sul atraiu entre R$ 115 bilhões e R$ 120 bilhões em investimentos privados na cadeia de celulose, com a instalação de grandes empresas como a Suzano, em Ribas do Rio Pardo, e a Arauco, em Inocência. Um novo projeto da Bracell em Bataguassu, com mais de US$ 3 bilhões em investimentos, também está em andamento.

O estado aposta ainda na produção de biocombustíveis como alternativa ao diesel. “O etanol de milho e de sorgo já são produzidos na região, e subprodutos como o DDG começam a ser exportados para grandes produtores mundiais de proteína animal. A previsão é que Mato Grosso do Sul se torne o primeiro estado brasileiro com emissão líquida zero de carbono até 2030, duas décadas antes da meta nacional”, conta o presidente da Fiems, Sérgio Longen.

No plano nacional, o vice-presidente da CNI demonstra preocupação com os gastos públicos crescentes e com a taxa Selic elevada, que, somada ao spread bancário, inviabiliza operações com custo abaixo de 15% ao ano.

“Por que o Brasil tem juros nesse patamar? Não existe hoje no país nenhum investimento que consiga rentabilizar uma operação com a Selic mais o spread bancário abaixo de 15% ao ano. Isso é proibitivo”, comenta Sérgio.

Para contornar o problema, a entidade trabalha em iniciativas voltadas à captação de investimentos externos, com hedge cambial em moedas como euro, iene e dólar, previstas para serem apresentadas durante a Brazilian Week, em Nova York, em maio.

Parceria Minas Gerais–Mato Grosso do Sul

Recentemente, a Azul relançou a conexão direta entre Belo Horizonte e Campo Grande. A rota pode se transformar em um canal de intercâmbio de negócios e logística, fortalecendo a colaboração entre a Fiems e a Fiemg.

“A Fiemg é uma grande parceira em projetos, com muita experiência e expertise. Essa conexão entre Minas Gerais e Mato Grosso do Sul é de extrema importância para melhorar a integração econômica e social. Temos, por exemplo, Bonito, um polo turístico de grande relevância mundial que precisa ser mais conhecido. Da mesma forma, Minas Gerais oferece inúmeras oportunidades de integração em turismo, cultura e lazer — Tiradentes, Ouro Preto, enfim, Minas Gerais é Minas Gerais”, disse o presidente da Fiems.

“A possibilidade de termos um voo diário, saindo de manhã e retornando à noite, é algo maravilhoso para todos nós. Temos também a rota bioceânica, que deve ser concluída até o final deste ano e vai gerar um hub logístico muito forte, com integração comercial não só com os países da América do Sul, mas também com a Ásia, proporcionando grande redução de custos para os dois estados”, completou Longen, que esteve Ouro Preto na terça-feira (21) para receber a Medalha da Inconfidência, maior honraria do Estado.

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