Imagem & Comportamento S.A

‘O Diabo Veste Prada’ está de volta e suas lições nunca saíram de cena

Análise do filme revela a importância da percepção, adaptabilidade e autenticidade para o sucesso em ambientes corporativos

O filme “O Diabo Veste Prada” é muito comentado do ponto de vista da moda e da transformação da imagem da assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep). Mas há lições que vamos recuperar antes mesmo da continuação do filme estrear por aqui. Vamos revisitar algumas dessas lições. A primeira é que o filme mostra que imagem profissional não é só sobre roupa, mas sobre a percepção do outro.

A jornalista Andy Sachs (Anne Hathaway) não era incompetente ao chegar à revista Runway,
mas sua imagem contrastava com o ambiente fashion e elegante do local. Ou seja, sua imagem
não comunicava pertencimento. Não estava alinhada com aquele universo. E no ambiente
corporativo, isso importa. Muito. Lembrando que antes de qualquer fala o que percebemos é a
imagem. É ela que começa a contar a sua história, a mostrar a sua personalidade, a transmitir
quem é você.

A assistente de Miranda percebe logo que precisa se adequar ao meio para sobreviver e crescer
no emprego. Toma uma decisão fundamental: pede ajuda a quem entende. A transformação
leva em consideração a sua identidade trazendo para o seu guarda-roupa looks jovens,
descolados, grifes e um novo corte de cabelo. De forma estratégica, gradualmente ela ajustou sua linguagem, postura e aparência ao contexto do ambiente profissional. Isto é inteligência social.

Não se trata apenas de “chegar lá”

Tudo isso somado ao trabalho competente, consciência profissional, responsabilidade e
comprometimento abriram os olhos da editora-chefe que acabou valorizando e reconhecendo
seu esforço. Já sabemos, aparência sem conteúdo e sem capacitação não sustenta uma
carreira de sucesso.

Em “O Diabo veste Prada” fica evidente que imagem profissional não é sobre “se render à moda”, mas é sobre entender o código do ambiente em que você está inserido e decidir, de forma estratégica, como você quer ser percebido. Uma transformação visual e comportamental pode gerar críticas e dividir opiniões.

Haverá quem vá enxergar uma perda de essência, mas haverá principalmente um ganho de
repertório, um movimento que fará colegas e gestores apurarem o olhar sobre você. Mostra
adaptação, boa leitura do contexto e demonstra sua flexibilidade, ou seja, habilidades hoje tão
relevantes para avançar nos ambientes corporativos.

Imagem e comportamento andam juntos, mas sem competência não há resultado. Logo é
preciso aglutinar essas bases para construir uma boa reputação. E isso se repete no dia a dia e
não apenas em ocasiões. Ou seja, consistência é fundamental.

Uma lição fundamental chega ao final do filme, o autoconhecimento, a preservação da ética e
do caráter. Andy cumpre sua jornada na Runway e percebe que aquele não é seu lugar. Deixa a
revista quando o preço do sucesso fica alto demais pessoalmente e profissionalmente. Conquista mais ainda o respeito da chefe e demonstra que a imagem profissional também está ligada à coerência, limites e autenticidade.

Não se trata apenas de “chegar lá”, mas de como você chega e o que você precisa deixar para
trás no caminho. Elegância profissional não está apenas no que se veste, mas na consciência
das escolhas que se faz. Escolhas de comportamento. De posicionamento. De identidade. Em
um mundo cada vez mais visual, rápido e competitivo, quem entende isso sai na frente, não por
aparecer mais, mas por comunicar melhor quem realmente é. Vamos aguardar e ver as novas
lições que o “Diabo Veste Prada 2” trará.

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