Reféns do imprevisível
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em fevereiro, já tem impactos consideráveis na economia global. A cotação do petróleo se transformou em uma verdadeira montanha-russa, com a commodity chegando a ultrapassar a barreira dos US$ 100 por barril, pressionando os custos ao redor do planeta e até mesmo resultando na falta de combustíveis em algumas localidades.
O cenário é nebuloso. Desde o início das negociações entre o governo norte-americano e o país persa, o mundo vive momentos de alívio, que em horas são revertidos em nova tensão.
Na sexta-feira (17), por exemplo, surgiu um fio de esperança de que o conflito terminasse com o anúncio da abertura do Estreito de Ormuz, por onde 20% da produção global de petróleo é transportada, por parte do governo iraniano. Porém, já no dia seguinte, o Irã voltou a bloquear o trecho, aumentando a tensão com os Estados Unidos.
Os norte-americanos, por sua vez, atacaram e apreenderam um navio persa na região na segunda-feira, dia 20. O Irã prometeu retaliação.
Com isso, o cenário se deteriorou e há a preocupação de que o Irã abandone a mesa de negociações, que ocorrem no Paquistão. Tudo isso ocorre a poucos dias do fim do período de cessar-fogo, que termina oficialmente na quarta-feira (22).
Entre as idas e vindas da guerra no Oriente Médio, a economia global sofre. Bolsas sobem e recuam na mesma velocidade com que os dois países voltam atrás ou avançam nas negociações para solucionar o conflito. Empresas e investidores perdem milhões de dólares com a volatilidade do mercado. As expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estão sendo revisadas, e a geração de riquezas ao redor do mundo deverá ser afetada.
Todo esse cenário ocorre em um momento em que o principal organismo internacional perdeu praticamente toda a força que tinha. A Organização das Nações Unidas (ONU), criada após a Segunda Guerra Mundial e que tem entre seus objetivos evitar que o mundo viva novamente o horror de um conflito generalizado, assiste ao desenrolar do conflito no Oriente Médio impotente, sem conseguir nem mesmo participar dos diálogos para solucionar o problema.
Isso mostra que os países precisam urgentemente dar novas condições para que a ONU se restabeleça como principal organismo de diálogo entre as nações. A organização tem que ter força para mediar e impedir os conflitos ou poderemos ser empurrados para um cenário de guerra generalizada e, talvez, sem pontos de retorno. Sem essa instituição internacional, hoje somos apenas reféns do imprevisível.
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