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Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

São Paulo – Uma nova geração de corretoras digitais está incomodando um punhado de bancos brasileiros, como Itaú Unibanco e Banco Bradesco, que, por muito tempo, mantiveram-se como destino único para investidores de varejo que buscavam um lugar único para manter conta bancária e aplicações.

Agora, com o suporte de grandes investidores como a chinesa Fosun International e as firmas de private equity General Atlantic LLC, Advent International e Warburg Pincus LLC, as recém-chegadas plataformas de investimentos já atraíram mais de 10% dos R$ 2,98 trilhões investidos pelos brasileiros em fundos mútuos locais, ações e títulos.

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Isso pode ser apenas o começo, já que várias empresas agora estão prontas para expandir suas plataformas de investimento para se tornarem bancos com serviços completos, oferecendo cartões de crédito, contas correntes e serviços de pagamento de contas.

“Acreditamos que os bancos serão ameaçados pelas empresas de tecnologia, principalmente em negócios baseados em tarifas, como gestão de ativos, cartão de crédito e credenciamento de cartões”, disse o estrategista do UBS Philip Finch. Ele acrescentou que os negócios de empréstimos dos bancos tradicionais parecem mais seguros, já que os requisitos de capital criam uma barreira maior à entrada.

A XP Investimentos, líder entre as plataformas digitais de investimento e que tem como investidores o Itaú e a General Atlantic, pretende quadruplicar seus ativos sob custódia para R$ 1 trilhão até dezembro de 2020. Outras corretoras têm metas igualmente ousadas.

Como a maior economia da América Latina continua a crepitar, as startups de investimento digital são um dos poucos setores que contratam em ritmo alucinante.




“Um ano atrás, nós tínhamos 30 funcionários. Provavelmente chegaremos a 200 pessoas este ano”, disse Habib Nascif, CEO da plataforma de investimentos online Órama, que foi uma das primeiras empresas brasileiras a oferecer fundos mútuos com taxa zero em 2011.

Corte de tarifas – O Brasil tem um dos mercados bancários mais concentrados do mundo, com seus cinco principais bancos detendo 82% do total de ativos, muito acima dos 43% nos Estados Unidos (EUA) ou 48% no Reino Unido.

Os brasileiros detêm cerca de 61 milhões de contas-poupança, com R$ 737 bilhões em depósitos, geralmente rendendo bem abaixo da taxa básica de juros Selic, que vem caindo nos últimos anos. Os retornos mais baixos acabam por abrir mais possibilidades de investimentos para os aplicadores para além da poupança.

Conscientes de que as recém-chegadas corretoras digitais representam uma ameaça real aos seus negócios, os maiores bancos privados do País – Bradesco, Itaú Unibanco e Banco Santander Brasil SA – estão reformulando suas ofertas de gestão de recursos, distribuindo produtos de investimento de terceiros e até mesmo reduzindo taxas cobradas.

Dois anos atrás, o Itaú tentou fechar um acordo para futuramente adquirir o controle do XP, mas o Banco Central bloqueou parcialmente a transação, limitando a participação do Itaú a 49%.

A XP, que está planejando uma oferta pública inicial de ações nos EUA, recebeu uma licença bancária em dezembro e planeja se tornar uma prestadora de serviços completa no futuro, competindo com seu principal acionista.




A XP, que tem 1,1 milhão de clientes, logo espera começar a oferecer empréstimos garantidos por investimentos de clientes, disse Gabriel Leal, um de seus parceiros, em uma entrevista.

O Banco BTG Pactual, mais conhecido como banco de investimento, também planeja construir um banco de varejo online em uma estratégia semelhante à do rival norte-americano Goldman Sachs Group para um modelo de negócios mais orientado ao consumidor.

“Os bancos agora podem crescer sem agências de tijolo”, destacou o sócio do BTG Pactual, Marcelo Flora. “É por isso que o BTG decidiu investir em banco de varejo”. (Reuters)

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