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Corte em recursos vai afetar construção civil

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Orçamento de 2021 incluiu cortes de R$ 1,3 bilhão destinados ao programa habitacional | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Com um déficit habitacional estimado em cerca de 6,35 milhões de unidades, o Brasil pode ter um rombo ainda maior quando o assunto é a tão sonhada casa própria, principalmente entre a população de baixa renda.

É que o Orçamento de 2021 sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro incluiu cortes de R$ 1,3 bilhão destinados ao programa habitacional Casa Verde e Amarela, substituto do Minha casa, minha vida.

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E as consequências não param por aí. Levantamentos preliminares indicam que, com a medida, mais de 200 mil obras habitacionais para população de baixa renda devem ser paralisadas ainda este ano. Para tocar o Casa Verde e Amarela, o Ministério de Desenvolvimento Regional terá apenas R$ 29 milhões em 2021.

Mesmo em Minas Gerais, onde hoje quase não existem obras da Faixa 1 do programa, os impactos também serão grandes não apenas sob o ponto de vista da construção civil, mas também e principalmente no aspecto social. É o que avaliam representantes do setor, justificando que os efeitos virão em cascata e poderão culminar com o desemprego de mais de 1 milhão de pessoas no País, considerando a mão de obra direta e indireta e a rede induzida da construção.

“Isso é um desastre total. A Faixa 1 contempla conjuntos maiores, então, em uma conta rápida, estamos falando de mil conjuntos, cada um com 200 operários diretos mais 300 indiretos e o dobro na rede induzida. Mil empreendimentos vezes mil profissionais e estamos falando de 1 milhão de pessoas desempregadas. Sem contar as mais de 200 mil famílias que viveriam o sonho da casa própria. É um verdadeiro caos”, lamentou o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Linhares.

Para Linhares, medidas como o veto orçamentário justificam e até impulsionam o escape de multinacionais do Brasil, como vem ocorrendo nos últimos anos e, mais precisamente, de 2020 para cá. O mais recente deles diz respeito ao grupo LafargeHolcim, que comunicou à filial brasileira, na semana passada, a venda das operações locais. O banco Itaú BBA teria sido contratado para conduzir o processo.

Conforme já publicado, há uma onda de empresas estrangeiras deixando o País, sob argumentos relativos à competitividade e ambiente de negócios. A Sony anunciou o fechamento da indústria na Zona Franca de Manaus, Ford, Audi e Mercedes estão em busca de novos mercados, a farmacêutica Roche já havia comunicado o encerramento das atividades em 2019 e a Nike vendeu as operações nacionais para o grupo dono da Centauro – apenas para citar alguns exemplos.

“Aqui o papel não vale nada. Você assina um contrato de obra e meses depois suspendem os recursos que viabilizariam a empreitada. Segurança jurídica é algo que não existe no Brasil e, mais uma vez, o País perderá investimentos por isso”, disse.

O dirigente completou que, apesar do cenário adverso vivido pelo País, considerando as crises sanitária e econômica, os cortes deveriam ter sido melhor avaliados. Para ele, faltou sensibilidade do Ministério da Economia e diálogo com o Ministério do Desenvolvimento Regional. “Nossos governantes precisam parar com essa vaidade e briga de egos. Só assim conseguiremos convergir nos interesses”, alertou.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz, também chamou atenção para as prioridades dos governos. Ele ressaltou que esta não é a primeira vez que o programa habitacional sofre cortes na faixa destinada à população de baixa renda.

“É uma ferida muito pesada para este momento da economia, das empresas e das pessoas. Um corte justamente na faixa que atende quem mais precisa da habitação e tem as maiores dificuldades de acesso à moradia. É muito difícil aceitar isso para justificar a manutenção do orçamento em outras áreas. Sem contar que o impacto será dobrado, uma vez que culminará com consequências no mercado de trabalho da construção”, resumiu.

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