Custo do transporte rodoviário de cargas sobe 18% em 1 ano

Para 2022, expectativa é de que, após tantos reajustes no último ano, haja acomodação nos preços dos insumos
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Custo do transporte rodoviário de cargas sobe 18% em 1 ano
Crédito: Divulgação

Embora o índice de inflação brasileiro tenha encerrado 2021 apontando alta de 10,06%, o transporte rodoviário de cargas enfrenta um aumento de 18% no preço dos insumos com cargas fracionadas. Segundo levantamento da Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), houve elevação generalizada nos preços das matérias-primas no decorrer do ano passado, especialmente do óleo diesel.

Vale dizer que os custos da atividade estão concentrados em três principais insumos: combustível, mão de obra e veículo (caminhões e implementos). Esses fatores representam 90% dos custos operacionais e entre 60% e 80% do faturamento de uma transportadora.

“Tudo subiu muito. O que menos teve variação nos preços foi a mão de obra – em torno de 10%. Ainda assim, as empresas estão tendo que aumentar os salários para reter os funcionários diante do assédio da concorrência. O combustível já subiu cerca de 50% com o último reajuste anunciado pela Petrobras, alguns modelos de caminhões aumentaram quase 40%, os pneus, 30%, e a manutenção, 25%“, detalhou o assessor-técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia.

Valdivia destacou o desafio para o transporte rodoviário de cargas, que, assim como setores de saúde, segurança pública e alimentício, também não pôde parar durante os momentos críticos da pandemia e teve que continuar trabalhando com 40% a menos de carga e custos em ascensão.

“Mesmo com uma menor demanda, mantiveram-se os custos fixos, cumprimento de prazos, o custo do retorno vazio, aumento da inadimplência e o esgotamento da capacidade dos terminais, gerando descompasso no fluxo de caixa. Com isso, a margem, que já não é muito alta (entre 10% e 15%), acabou ficando ainda menor”, explicou.

Para se ter uma ideia, estudo produzido pela Coordenação da Câmara Técnica de Carga Fracionada (CTF) da NTC&Logística indicou que mais de 90% das empresas de carga fracionada foram afetadas negativamente pela crise. “Mas, mesmo com as dificuldades que o setor passou, ele não deixou de abastecer os hospitais, as farmácias, os postos de combustíveis, as indústrias, os supermercados, as lojas de peças, o agronegócio e o mercado de e-commerce“, ressaltou.

Porém, o assessor-técnico disse que esse esforço deixará sequelas para o setor, inclusive no que diz respeito à defasagem do frete e à diminuição da capacidade de investimento das empresas. É que os 18% se referem apenas à inflação da atividade e não interferem na defasagem do frete que ainda persiste e se agravou durante a pandemia, em 2020, vide o Índice Nacional de Custos do Transporte de Cargas Fracionadas (INCT-F) acumulado, em 24 meses, de 16,14%, afetando duramente as margens e a capacidade de manter seus compromissos e investimentos.

As empresas não conseguem mais absorver, têm que repassar. Algumas já começaram a negociar. A questão é que tem que haver previsibilidade. Como funciona hoje, enquanto a transportadora está negociando um repasse, o fornecedor já anuncia outro reajuste e desequilibra os custos novamente”, explicou.

E depois de um ano de tantos reajustes, a expectativa para 2022 é de que haja acomodação – principalmente considerando a base forte deixada pelo ano anterior. Nos preços dos caminhões, por exemplo, veículos que saltaram de R$ 280 mil para R$ 540 mil não têm como aumentar mais. “Tem modelo que ultrapassa R$ 1 milhão”, contou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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