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O isolamento social implantado para o controle do Covid-19 tem estimulado o mercado de loteamento. De acordo com representantes do setor, a demanda pelos espaços, em alguns casos, cresceu cerca de 200% frente ao mesmo período do ano passado.

Além de muitos consumidores estarem passando maior tempo nos lares, devido à adoção do home office, a demanda também tem sido estimulada pela maior segurança financeira e pela valorização obtida com os imóveis.

Os loteamentos mais procurados estão em Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Sete Lagoas, Betim, Contagem, Igarapé, Santa Luzia, Esmeraldas, Vespasiano e Nova Lima, localidades que também têm uma grande oferta de lotes disponíveis.

O vice-presidente da área de Loteadoras da Câmara do Mercado Imobiliário e do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Adriano Manetta, explica que a demanda pelos espaços cresceu muito e surpreendeu os empresários do setor.

Ele explica que a demanda elevada por ser explicada por várias questões conjunturais. Entre elas está a necessidade do isolamento social, o que fez com que as pessoas fiquem mais tempo nos lares, e desta forma, valorizem mais os espaços. Além disso, o investimento no imóvel é seguro.

“Com a quarentena, as pessoas passaram a olhar diferente para moradia, começaram a achar que vale a pena investir para morar melhor. Além disso, hoje, devido às incertezas, não está tendo outros investimentos tão seguros ou rentáveis como os terrenos. Com a instabilidade da bolsa de valores, por exemplo, começou a ter demanda muito acentuada pelos loteamentos. Nós, empresários do setor, nos preparamos, com o início da pandemia, para ficarmos cerca de oito meses sem vendas e tivemos que reverter o planejamento e atender a demanda que cresceu bastante”, explicou.

Ainda segundo Manetta, que também é sócio-diretor da Masa Empreendimentos, em um loteamento em Nova Lima, com espaço diferenciado e de alto padrão, onde os lotes de mil metros quadrados custam em torno de R$ 540 mil, no ano passado, eram vendidos cerca de 1 lote a cada dois ou três meses. Somente no período da pandemia, já foram vendidos cinco.

“Em um outro loteamento em condomínio fechado, que tinha baixíssima procura em 2019, já liquidamos o estoque. Tivemos aproximadamente mil consultas sobre os nossos loteamentos entre janeiro e junho deste ano, sendo que, no mesmo período do ano passado, recebemos 90”, explicou.

Logística – A demanda maior não está concentrada apenas nos loteamentos residenciais, a procura por espaços para logística também está aquecida.

“A demanda por espaços voltados para a logística também cresceu muito, principalmente, em Contagem e Betim (na Região Metropolitana de Belo Horizonte). São grandes players de mercado negociando e fechando negócios. Antes havia a procura, mas não vendíamos. Nesse período de quarentena, já vendemos 400 mil metros quadrados de área para galpão”, disse Manetta.

Tendência – Em relação aos próximos meses, apesar das incertezas, a tendência é que o mercado siga aquecido.

“É difícil avaliar o mercado, mas, acho que investir em loteamentos é uma tendência que veio para ficar. A maior atenção com a casa será uma destas tendências, com as pessoas buscando maior conforto. Acredito que haverá uma diminuição na demanda por apartamentos pequenos e com foco nas áreas comuns, esse movimento que existia antes da pandemia foi invertido. Agora, morar em um espaço amplo, fora dos grandes centros, passou a ter mais valor. Estamos muito otimistas e planejando novos lançamentos”.

 

Os resultados positivos na venda de loteamentos também foram percebidos pelo sócio da empresa de loteamentos Ello Urbanismo, Leonardo Matos. Em um loteamento localizado em Mateus Leme, na RMBH, houve um aumento de 270% no número de pessoas interessadas ao longo do período de isolamento social, se comparado com o mesmo período do ano anterior (20 de março a 7 julho). Em relação à efetivação de vendas, o aumento foi de 200%.

 

“Foi uma surpresa a alta da demanda. Conversando com outros empreendedores percebemos que eles também estão com a procura em alta, principalmente, por lotes na RMBH e no Colar metropolitano. Com as regras mais severas de isolamento na RMBH, com comércio fechado, home office as pessoas estão buscando por novos espaços foram dos grandes centros”.

A valorização dos imóveis e os riscos financeiros baixos são atrativos para os compradores. “No loteamento, quando lançamos, em abril de 2017, o lote custava cerca de R$ 47 mil, hoje, é vendido a R$ 63 mil (alta de 34%). Ou seja, rende mais que qualquer outra aplicação financeira”, explicou Matos.