Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

Com as perspectivas de manutenção de juros baixos e o processo de migração de investimentos para a bolsa, muitas empresas estão aproveitando o momento favorável para abrir capital e atrair investidores. Toda a preparação necessária tem custos. De acordo com o levantamento da Deloitte, em média, os gastos com ofertas públicas custam 4,9% do valor distribuído para IPOs, 3,4% para follow-ons e 3,5% para follow-ons realizados pela Instrução CVM 476.

Mesmo com o gasto, ingressar na bolsa tem sido interessante para as empresas por se capitalizam sem depender de financiamentos bancários, que possuem taxas elevadas e prolongadas.

O estudo, “Preparação e custos para abertura de capital no Brasil – Uma análise sobre as ofertas de ações no País entre 2004 e 2020”, foi feito pela Deloitte, organização de serviços profissionais, em parceria com a B3.

As empresas usaram como base, dados públicos disponíveis nos prospectos definitivos de ofertas públicas realizadas no Brasil, de janeiro de 2004 a maio de 2020, sendo ofertas iniciais ou subsequentes, além de informações referentes às ofertas subsequentes com esforços restritos pela Instrução 476, fornecidas pela B3.

Cerca de 80% dos gastos de uma empresa no processo de IPO são com custos relacionados a comissões e 20% com as outras despesas. No caso dos follow-ons das empresas o custo fica em 82% no caso de comissões e em 18% em despesas.

Entre 2004 e maio de 2020 o custo médio com as comissões girou em torno de 3,8% sobre o valor distribuído no caso dos IPOs; 2,7% nos processos de follow-ons; e 2,5% nos follow-ons de acordo com a instrução CVM 476.

Dentre as despesas existentes na abertura de capital, o relatório da Deloitte mostra que o custo médio com honorários de advogados nos últimos 16 anos foi de 0,41% sobre o valor distribuído nos IPOs, 0,20% nos follow-ons e 0,33% nos follow-ons CVM 476.

Já a média de despesas com auditores independentes, que auditam os relatórios e demonstrações financeiras, foi de 0,14% (IPO), 0,07% (follow-ons) e 0,19% (follow-ons 476).

“O custo para a abertura de capital é relativamente baixo no Brasil. Tendo como base o montante captado na bolsa, se a empresa fizer um financiamento no mesmo valor, que será a longo prazo, mesmo com as taxas de juros baixas, o custo de transação junto aos juros irão superar o impacto do custo do IPO. Além disso, é um custo que se paga uma vez, sendo descontado no valor captado, não altera o caixa”, disse o sócio de Global Capital Markets Group da Deloitte, Carlos Zanotta.

Ainda segundo Zanotta, nas operações subsequentes, os custos são reduzidos por estarem relacionados à atualização de documentos que a companhia já periodicamente divulga ao mercado.

Setores – Em relação aos setores, os custos variam conforme a complexidade da empresa. Entre 2004 e maio de 2020, as indústrias cujos custos médios com ofertas públicas foram mais altos são: agronegócio (5,7% sobre o valor distribuído), têxtil e calçados (5,7%), prestação de serviços (5,4%), educacional (5,1%) e informática, TI, internet e eletrônicos (5,1%).

“Mesmo com os custos, o momento é muito favorável para abertura de capital. Com os juros baixos, está havendo uma grande migração de investimentos, inclusive com mais pessoas físicas investido no mercado de capitais. Mesmo em um ano de crise sanitária, como o que estamos vivendo, os IPOs que estão em análise na CVM são cerca de 50, incluindo empresas de varejo virtual, construção e de tecnologia”, disse Zanotta.

Custo no Brasil é considerado competitivo

O custo para ingressar no mercado de capitais no Brasil é competitivo. De acordo com o diretor de Relacionamento com Empresas e Assets da B3, Rogério Santana, os custos médios relacionados com o IPO no Brasil variam entre 2,5% a 5,6% em relação ao percentual de recursos captados pela empresa com a oferta pública. Santana explica ainda que em outros mercados, como nos Estados Unidos, a média fica entre 4% e 11,7%.

Esses custos englobam custos diretamente associados com a oferta, considerando comissões dos bancos de investimento (em geral atrelado ao sucesso da oferta), escritórios de advocacia, auditores, taxas da B3 e da CVM, bem como outros custos da oferta.

“Entendemos que o “custo” do IPO no Brasil é bastante competitivo, considerando o cenário global. A curto prazo, para ampliar a atratividade do mercado de capitais como fonte de financiamento para as companhias, a B3 tem trabalhado para criar condições cada vez mais competitivas e atrativas para os clientes interessados em fazer ofertas públicas. Ampliamos as iniciativas de relacionamento com empresas brasileiras de todos os portes e segmentos. Nosso objetivo é orientar as empresas em todas as etapas antes de abrir o capital”, explicou.