Economia

Economia mineira deve manter crescimento, mas em ritmo mais lento até 2027

Estudo projeta avanço de 1,2% em 2026 e de 0,8% em 2027; serviços seguem como principal motor da atividade, enquanto agro cresce acima da média nacional
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Economia mineira deve manter crescimento, mas em ritmo mais lento até 2027
A agropecuária mineira segue com tendência de crescimento para 2026 e 2027 | Foto: Alexandre Soares / Emater

A economia mineira deve crescer 1,2% em 2026 e 0,8% em 2027. A desaceleração econômica está em linha com o cenário macroeconômico brasileiro, mantendo, no entanto, viés positivo. As informações são de um estudo do departamento econômico do banco Santander, que consolida dados do Produto Interno Bruto (PIB) regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com projeções para o quadriênio 2024-2027.

Segundo o levantamento, as atividades do setor terciário mostraram bom desempenho em Minas Gerais ao longo dos últimos anos, sobretudo o volume de serviços, com o Estado ganhando destaque recente no varejo.

Já a agropecuária, apesar de ter registrado números abaixo da média nacional em 2023 e 2025, segue com uma tendência de crescimento, com um índice de 2,5% em 2026 e 1,8% em 2027, acima da média nacional. Na indústria, as projeções de alta são de 1,1% em 2026 e 0,8% em 2027.

“Verificamos que a política monetária restritiva segue impactando a indústria mineira, mas o setor de serviços vem ganhando destaque e puxando o crescimento. O agro segue resiliente, com crescimento acima da média nacional”, aponta o economista do Santander e um dos autores do estudo, Gabriel Couto.

Segundo ele, a evolução da atividade econômica regional continuará refletindo fatores nacionais e eventos climáticos permanecem entre os principais riscos para o cenário projetado, especialmente diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos anos, com alterações nos padrões de chuva e temperatura.

“Mesmo com a desaceleração prevista a partir de 2026, o mapa econômico do País segue mostrando uma expansão disseminada. O desafio à frente passa a ser manter maior consistência no crescimento, em contexto de heterogeneidade regional e sensibilidade a choques climáticos e financeiros”, conclui Couto.

Especialista também vê avanço modesto da economia mineira

As expectativas de Couto para o crescimento da economia mineira em 2026 se assemelham às projeções do economista da Fundação João Pinheiro e professor do departamento de economia da PUC Minas, Raimundo Sousa.

Ele acredita que o PIB mineiro deve crescer em torno de 1,4% neste ano, porém é pouco provável que fique acima da média nacional.

“No âmbito do setor externo fica difícil a gente esperar grandes novidades. Tivemos aí o primeiro momento do acordo Mercosul-União Europeia, mas os resultados são a longo prazo. A economia chinesa, país que compra muito dos mineiros, está estabilizada mas ainda em processo de desaceleração. A geopolítica global está transtornada, o que coloca em xeque a integração comercial”, analisa.

Sousa também pontua que em relação às empresas, não é possível esperar um vetor de estímulo muito robusto neste ano. Isso porque, segundo ele, as decisões de investimento estão em compasso de espera. “Em resumo, não estamos vivendo exatamente o melhor dos momentos. Pelo menos, a gente continua projetando expansão das atividades, mesmo que em menor ritmo, o que é bem melhor que uma parada ou recessão”, conclui.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas