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Economia

Endividamento atinge recorde na Capital

Inadimplência alcançou 39% no período, aponta a Fecomércio MG

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Cartão de crédito é a principal modalidade de dívidas em BH | Crédito: Marcos Santos/USP
Cartão de crédito é a principal modalidade de dívidas em BH | Crédito: Marcos Santos/USP

Junte em uma mesma equação desemprego, inflação e o fim do auxílio emergencial, ou seja, falta de dinheiro. Adicione o entusiasmo com o aumento da vacinação e com as festas de fim de ano para gastar o pouco que sobrou – ou que ainda nem está na conta – e o resultado não pode ser outro que o endividamento das famílias, que não para de crescer.

Em Belo Horizonte, ele bateu recorde no fechamento do ano. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), o número de consumidores belo-horizontinos endividados aumentou 0,2 ponto percentual em dezembro, atingindo 88,9% da população. O percentual é o maior registrado pela série histórica, iniciada em 2014.

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Os dados compõem a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ela aponta ainda um percentual de 15,5% de consumidores que não terão condições de pagar suas dívidas, 0.3 pontos inferior ao apurado em novembro.

A principal modalidade de endividamento continua sendo o cartão de crédito. Em dezembro, 79,6% compraram com cartão, seguido pelo uso dos carnês (25,9%), cheque especial (8,7%), financiamento de carro (8,1%), crédito pessoal (7,6%) e financiamento de casas (6,1%).

Esse é um dos itens da pesquisa que mais preocupa. Respondendo por quase 80% das dívidas dos consumidores belo-horizontinos, o cartão como principal modalidade de crédito faz com que eles fiquem sujeitos a juros de mais de 300% ao ano no crédito rotativo. Um ciclo perverso de endividamento, que é alimentado pelo aumento dos preços.

“Pela facilidade de acesso e uso, as pessoas acabam usando o cartão para compras mensais e do dia a dia”, observa a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, concluindo que o crédito está sendo utilizado para complementação de renda e, em boa medida, para a compra de bens essenciais como alimentos, gás de cozinha e combustíveis.

Inadimplência

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A inadimplência não acompanhou essa expansão do endividamento e encerrou 2021 em estabilidade. Apesar do patamar alto, de 39%, este não é o maior índice na série histórica medida em Belo Horizonte desde 2014. “Quando analisamos toda a série, notamos que o índice de dezembro de 2021 foi o quinto maior da série, ficando atrás de novembro de 2021 (39,1%), agosto de 2020 (39,4%), novembro de 2020 (41,1%) e julho de 2020 (41,6%)”, informa a economista.

O endividamento recorde não indica que a inadimplência vai crescer nos curto e médio prazos. A própria série mostra que um nível maior de endividamento não é acompanhado por inadimplência recorde. Isto porque ele não é necessariamente o grande vilão do cenário.

“Na verdade, o endividamento feito de forma consciente e responsável é positivo, indicando o uso do crédito para consumir. Já a inadimplência, que ocorre quando há dívidas em atraso, é extremamente negativa e indica que o crédito não foi usado da forma correta”, revela Gabriela.

A tendência para o início de ano é que o endividamento continue subindo, já que a economia não dá sinais de uma retomada que reduza o desemprego e baixe os preços. “Além disso, o início do ano é marcado por gastos específicos, como o pagamento de impostos, a compra de material escolar, matrículas escolares, gastos com férias e viagens, festas, entre outros, o que pressiona ainda mais o aumento do endividamento”, lembra a economista.

A Peic é uma Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, que orienta os empresários do comércio de bens, serviços e turismo que utilizam o crédito como ferramenta estratégica. Para elaborar a pesquisa, foram entrevistados consumidores em potencial residentes na capital mineira. A margem de erro é de 3,5%, e o nível de confiança é de 95%.

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