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Economia

Exportações mineiras para a Itália registram alta de 21,1% em 2021

Expertise italiana em fabricação de equipamentos contribuiu para desenvolvimento de setores econômicos do Estado

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Design e qualidade da machinaria italiana tem inegavelmente agregado valor ao produto brasileiro, gerando muitas oportunidades de negócios | Crédito: Leo Lara/Studio Cerri

Um milhão e meio de italianos vieram para o Brasil entre o final do século XIX e o início do século XX, cerca de 60 mil deles para Minas Gerais. A ideia inicial era que eles substituíssem a mão de obra escrava abolida pela Lei Áurea, mas muitos deles foram diretamente do porto de Santos para os centros urbanos. É bom lembrar que boa parte da mão de obra especializada que construiu a nova capital mineira, Belo Horizonte, nos anos 1890, era de italianos.

Com eles, vieram novas técnicas tanto para a exploração da terra nas áreas rurais quanto para atividades comerciais e industriais nas cidades. Algumas décadas depois, nos anos 1970, a Fiat – agora Stellantis – aportou em terras mineiras em um contexto bastante semelhante. “Ela representou um salto tecnológico na indústria mineira. Com ela vieram novas metodologias, que foram aprimoradas em um processo contínuo”, observa o empresário italiano Frederigo Daub, da Simpro, empresa italiana de máquinas e equipamentos para uso industrial que tem filial em Betim.

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Hoje presidente da Câmara de Comércio Italiana de Minas Gerais, Valentino Rizzioli veio do Vêneto para cá antes da fábrica. Em 1969, ele era o gerente-técnico da fábrica da Fiat Tratores e Máquinas Rodoviárias em Belo Horizonte. “Quando começamos a instalar a Fiat, as pessoas perguntavam: ‘É a fábrica de fósforos?’”, conta Rizzioli, referindo-se à Fiat Lux. De lá para cá, ele fez uma carreira emblemática no grupo – foi vice-presidente da CNH e do próprio Grupo Fiat – e viu, nesses 50 anos, cerca de 270 empresas italianas, de vários setores, instalarem-se no Estado.

Essas empresas tiveram e têm um papel crescente na internacionalização da indústria mineira. Afinal, é grande a experiência italiana em fabricação de máquinas e equipamentos de grande desempenho, voltadas para nichos de mercado como revestimentos, autopeças, moda, mobiliário e tecnologias para a transformação alimentar, sejam eles laticínios, bebidas, panificação e confeitaria, sorvete, carne, café e alimentos processados, em geral.

Estima-se que existam mais de 1.200 empresas italianas no País, empregando cerca de 150 mil funcionários diretos. Os investimentos com maiores aportes de recursos são os de empreendimentos imobiliários, telefonia, comércio atacadista de alimentos, fabricação de máquinas e equipamentos, peças e acessórios para veículos. Empresas como a Simpro, do setor automobilístico ferroviário, que foi instalada em Betim, em 1997, inicialmente para atender à Fiat. Nestes 24 anos, expandiu suas atividades por todo o País e pela América Latina. 

“Hoje a empresa fornece maquinário e equipamentos para montadoras como Volkswagen, Renault, BMW, GM no Brasil, além de exportar para Argentina, Chile e Venezuela”, informa o diretor da empresa no Brasil, Frederigo Daub.

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Ao mesmo tempo, cerca de 20 empresas brasileiras de grande porte operam em território italiano. Na pauta de importação e exportação, os principais produtos italianos exportados ao Brasil estão concentrados nos setores da mecânica instrumental, como acessórios para automóveis e tratores ou as máquinas de embalagens. Quanto às importações italianas do Brasil, o café é um dos produtos mais relevantes, seguido pela celulose.

Balança comercial

De acordo com dados do Ministério da Economia, a Itália respondeu por 1,9% das exportações mineiras em 2021 e é o 11º principal destino dos embarques do Estado. Em 2021, as exportações mineiras para a Itália somaram US$ 739 milhões, incremento de 21,1% na comparação com o ano anterior, quando totalizou US$ 610 milhões.

As importações de produtos italianos para Minas somaram US$ 705 milhões em 2021. O montante representa um incremento de 35,7% em relação ao ano anterior, quando atingiu US$ 520 milhões. A Itália respondeu por 5,4% das importações mineiras no ano passado e a corrente de comércio entre os dois países totalizou US$ 1,44 bilhão, crescimento de 27,8% na comparação com 2020 (US$ 1,1 bilhão).

“Atualmente, temos 27 projetos de investimentos de empresas italianas em nosso Estado. São mais de R$ 11 bilhões em negócios e mais de 8 mil empregos gerados. Temos por aqui grandes nomes, como a Fiat, agora Stellantis, Tiberina, Campari, Fassa Bortolo, entre outras”, informou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, em um fórum de negócios entre Minas e Itália, realizado em maio do ano passado.

Com seu design e qualidade, a machinaria italiana tem inegavelmente agregado valor ao produto brasileiro – e é justamente aí que residem as grandes oportunidades para os brasileiros, e para os mineiros, nas relações comerciais com a Itália. Sempre é possível, com soluções tecnológicas inovadoras, aumentar o valor agregado dos produtos produzidos em Minas e na Itália.

Tecnologia italiana pode elevar ganhos com café e frutas

Com 50 anos de Brasil (“quase todos de muita satisfação”), o presidente da Câmara de Comércio Italiana de Minas Gerais, Valentino Rizzioli, confessa que tem um sonho: torrar e empacotar o café mineiro para entregar diretamente nos supermercados italianos. Ele acredita que uma torrefação em Minas poderia empregar 800 pessoas, além de valorizar o nosso maior produto agrícola. Por incrível que pareça, mesmo produzindo muito café de qualidade, 98% do produto mineiro exportado segue cru para nossos compradores estrangeiros.

Há um problema, porém, de ordem legal, que impede o sonho de Rizzioli. “Os italianos gostam de mistura, 90% café brasileiro e dez por cento colombiano, ou da Costa Rica ou da Etiópia. Mas aqui no Brasil é proibido importar café, o que inviabiliza o blend”, esclarece.

O café é o principal item da balança comercial entre Minas e Itália – rendeu US$ 391.045.752 em exportações no ano passado. E é tão importante para os italianos que, durante a pandemia, não sofreu quedas nas exportações, mesmo com as cafeterias e restaurantes fechados na Itália. Ou seja, as famílias italianas prepararam muito café mineiro isoladas em casa.

Para além do café, Rizzioli vê muito espaço para a exportação de frutas na contra-estação: afinal, quando aqui é verão, lá é inverno. De maneira geral, ele acredita que as oportunidades se concentram no uso de tecnologia avançada e mão de obra qualificada, fatores nos quais a Itália pode ajudar muito o Brasil, tanto com treinamento quanto com tecnologias mais avançadas, mais econômicas e mais competitivas.

Café é o principal item da balança de Minas com a Itália, para onde nem a pandemia reduziu os embarques | Crédito: Ramon Loyola

Fundos europeus

Rizzioli acena com uma belíssima oportunidade para os dois países. Empresas ítalo-mineiras podem usar fundos da Comunidade Europeia para alavancar a economia dos dois países. “O empresário em Minas tem que ser rápido e chegar na frente para investir aqui ou na Itália, há possibilidades em todos os setores, em especial informática, tecnologia avançada, mecânica, indústria agroalimentar”, acena.

Este último segmento precisa especialmente de embalagens, um ponto crítico na indústria brasileira.  Uma empresa ítalo-mineira pode comprar uma máquina para embalar alimentos produzidos no Brasil e, assim, vendê-los para o mundo inteiro. Um exemplo de empresa destacada no setor é a Ompi Stevanato, que produz, entre outros itens, os vidrinhos da vacina da Pfizer contra a Covid.

Os recursos são consideráveis – até 300 mil euros para empresas pequenas e médias – que podem financiar 100% do empreendimento, com juros altamente subsidiados, que, segundo Rizzioli, vêm em boa hora. Afinal, além de historicamente altos, neste momento eles estão subindo mais ainda para frear a inflação. No total, são 1,2 bilhão de euros da Comunidade Europeia dirigidos para a Itália.

Comércio tem potencial para ser ampliado

Para o consultor de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Alexandre Brito, o comércio entre Minas e Itália pode ser ampliado, numa relação que inclui cooperação técnica e investimentos conjuntos. 

“Existem algumas possibilidades interessantes de ampliar o comércio tanto de matérias-primas quanto de produtos industrializados, mas isso depende da retomada do crescimento tanto aqui quanto lá, já que a Itália teve uma recessão forte. O ambiente de negócios tem que melhorar, mas se muitas vezes as empresas ficam receosas em investir na crise, muitas vezes a inovação cresce neste momento”, afirma Brito.

Mesmo entendendo que a Europa é um único mercado, ele acredita que há um olhar especial sobre a Itália, uma conexão que tem o setor automotivo como base da relação, mas que pode se ampliar na área de serviços de comércio eletrônico, startups, fintechs, agrotechs e melhoria dos sistemas de rede.

Atento ao papel relevante da Itália no orçamento da União Europeia até 2027, ele destaca que os recursos são para empresas italianas, mas podem gerar oportunidades para o Brasil e para Minas Gerais. “Itália tem muita tradição e qualidade no setor mecânico, em máquinas de corte, lixas. A indústria alimentícia também é muito conceituada e nosso agronegócio precisa de valor agregado; queijos e carnes podem ter embalagens melhores.

O que é confirmado pela diretora-executiva da Câmara de Comércio Italiana de Minas Gerais, Ana Correa, que tem feito contatos na indústria queijeira tanto em Minas quanto na Itália. “A Itália possui milênios de experiência em produção de queijo. Um intercâmbio entre produtores de queijo de Minas e da Itália pressupõe uma troca de tecnologias que pode trazer muitas vantagens para o produtor mineiro; ele pode utilizar novo maquinário, novas embalagens e técnicas que podem ser aplicadas aqui e aumentar a eficiência do processo produtivo e a própria qualidade do queijo”, sugere.  

Ela enfatiza a importância do “Export Italia“, plano nacional italiano com recursos da União Europeia para facilitar a liquidez e internacionalização das empresas, em processo de fortalecimento do país europeu no pós-pandemia. O refinanciamento de 1,2 bilhão de euros do fundo rotativo de apoio às empresas que operam no mercado externo se dirige ao processo de internacionalização das pequenas e médias empresas e startups e também na transição digital e sustentabilidade desses empreendimentos. Os projetos podem acontecer dentro ou fora da União Europeia.

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