Indústria extrativa mineira registrou retração de 46,9% nos resultados nos primeiros seis meses do ano - Crédito: Leandro MPerez

A indústria mineira fechou o primeiro semestre do ano com perdas de 3,7% no faturamento, em relação a igual período de 2018, mostrando dificuldade de reação. Conforme aponta o levantamento Indicadores Industriais de Minas Gerais (Index), divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a paralisação parcial da indústria extrativa foi a principal causa da retração, com o segmento mostrando queda de 46,9% nos resultados nessa base comparativa. Já a indústria de transformação registrou alta de 0,8%.

“A indústria vem mostrando resultados ruins, refletindo a apatia da economia. Também contribuiu para o resultado a paralisação no segmento extrativo mineral”, disse a analista de estudos econômicos da Fiemg, Júlia Silper.

A tragédia da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em janeiro, levou à paralisação parcial da atividade no Estado, o que vem impactando negativamente nos resultados da indústria.

Conforme a analista, a expectativa é de que os resultados do segundo semestre sejam melhores, devido a medidas que podem impulsionar o consumo, como liberação do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e redução de juros.

Ela informa ainda que o avanço da aprovação da reforma da Previdência e as discussões sobre a reforma tributária influenciam positivamente na confiança do empresariado, mas os resultados concretos desse impacto ainda não apareceram.

Levando-se em conta os resultados da indústria geral no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2018, apenas o emprego mostrou resultado positivo, com ligeiro incremento de 0,2%. Mostraram retração, além do faturamento, horas trabalhadas na produção (-3,15%), massa salarial (-1,7%) e rendimento médio (-1,8%). A utilização da capacidade instalada (UCI) ficou em 79,3%, abaixo da média histórica, que é de 82,9%.
No caso da indústria extrativa, o número de empregos cresceu 1,2% no semestre. Mas os demais componentes mostraram queda: horas trabalhadas (-25,4%); massa salarial (-2,4%); rendimento médio (-3,7%); e UCI (-18,5%). Já a indústria de transformação registrou alta de 0,1% nos empregos. Mostraram recuo o número de horas trabalhadas (-0,8%), massa salarial (-1,6%) e rendimento médio real (-1,7%). A utilização da capacidade instalada subiu 1%.

Mensal – Conforme o levantamento, na passagem de maio para junho, a indústria geral mostrou melhora, com o faturamento crescendo 9%. Segundo Júlia Silper, a alta ocorreu por questões pontuais, não sendo possível falar em tendência de recuperação. “A melhora pode ter ocorrido por alguma unidade ter voltado à produção”, exemplificou. Nessa base, o faturamento da extrativa mineral caiu 2,4%, enquanto a indústria de transformação teve avanço de 9,4%.

Na relação junho 2018/junho 2019, a indústria geral mostrou queda de 10,7% no faturamento. A extrativa mineral caiu 45,4% nessa base, enquanto a transformação retrocedeu 7,1%. No acumulado de 12 meses, a indústria geral mostrou estabilidade (0%) nos resultados. A extrativa caiu 11%, enquanto o setor de transformação avançou 1,1%.