Economia

Frigoríficos de Minas darão férias coletivas por risco de esgotamento da cota de exportação de carne para a China

Sinduscarne prevê redução na produção em julho devido à possível aplicação de sobretaxa de 55% sobre embarques ao maior comprador da carne bovina brasileira; setor espera flexibilização da medida chinesa
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Frigoríficos de Minas darão férias coletivas por risco de esgotamento da cota de exportação de carne para a China
Reprodução/ Adobe Stock

Pelo menos dois frigoríficos mineiros deverão dar férias coletivas a seus funcionários a partir de julho diante da aproximação do esgotamento da cota anual de exportação de carne bovina sem tarifa adicional para a China. A informação é do Sindicato das Indústrias de Carnes, Derivados e de Frios de Minas Gerais (Sinduscarne). O cenário preocupa o setor, que poderá ter prejuízos diante da restrição.

Anunciada no fim de 2025, a cota chinesa mantém uma taxa regular de 12% à carne bovina brasileira até o montante de 1,1 milhão de toneladas, quantitativo que é considerado baixo já que, somente em 2025, o Brasil exportou 1,68 milhão de toneladas para a China, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Após o preenchimento desse valor, uma sobretaxa de 55% é adicionada ao volume excedente, e o imposto total chega a 67%, o que dificulta ou impede a competitividade da venda externa do País à China, maior comprador do item brasileiro, com 48% de participação no total.

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“Deveremos atingir a cota em julho. Pelo último relatório, estávamos em 60% da cota, mas há muita carne em trânsito. Então, as empresas estão se preparando para reduzir a produção. Pelo menos dois frigoríficos mineiros vão iniciar férias coletivas até para aguardar por 30 dias pelas próximas atualizações, para ver se a China vai, mesmo, manter a cota”, afirma o presidente do Sinduscarne, Pedro Braga, que acredita na possibilidade de flexibilização chinesa à norma para o Brasil. Os nomes das empresas que confirmaram as férias coletivas não foram revelados. A demissão de trabalhadores está descartada por ora.

Embora a cota chinesa tenha sido imposta a vários países, como a Austrália, que esgotou sua tarifa recentemente, o desejado tratamento diferente com o Brasil não é impossível e dependeria de conversas entre os dois países. Entre os argumentos, está a qualidade e o preço muito competitivos do País, segundo Braga, o que pode levar a uma ampliação do quantitativo livre de sobretaxa ou até ao cancelamento da mesma.

Para tanto, Braga espera, inclusive, que o Brasil, grande parceiro chinês, trabalhe “com seriedade” em conversas para esse fim. O Diário do Comércio procurou o Ministério das Relações Exteriores para comentar as ações empenhadas pelo País para reverter o caso e aguarda retorno.

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Os maiores prejuízos das indústrias de carne bovina podem ser registrados nos meses de agosto e setembro: após as férias coletivas de julho, serão os meses em que a sobretaxa, se mantida, estará em vigor, derrubando exportações. A cota chinesa será renovada em outubro. Ou seja, o montante de 1,1 milhão de toneladas taxado em 12% volta a contar no mês citado.

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Preço da carne pode cair no mercado interno?

Para o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Paulo Casaca, a queda no preço da carne bovina, resultante de uma queda na exportação para a China, é possível, mas pouco provável.

“Se os exportadores não soubessem da sobretaxa e tivessem se preparado para uma demanda que não ocorrerá, sim. No entanto, como isso deve ter sido previsto, pelo menos em partes, pelos produtores e também como eles expandiram bastante o mercado para a carne bovina brasileira desde o início do tarifaço do governo norte-americano, a possibilidade é que não ocorra uma queda de preços”, diz o especialista.

Exportação mineira para China cresceu 9,5% neste ano

Nos primeiros quatro meses deste ano, Minas exportou US$ 213,1 milhões em carne bovina para a China, o que representa US$ 18,5 milhões ou 9,5% a mais do que no mesmo período de 2025, quando US$ 194,6 milhões da proteína foram vendidos para o país asiático. Os dados são da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede).

Posição Destino Valor exportado (US$)
China 804,7 milhões
Estados Unidos 102,8 milhões
União Europeia 55,2 milhões

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