Fórum ferroviário debate investimentos de R$ 38 bilhões para projetos de ferrovias em Minas
Belo Horizonte sediou nesta quarta-feira (6) o 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), reunindo autoridades públicas, representantes da indústria e operadores logísticos para discutir a retomada do setor ferroviário no Brasil e os impactos esperados para as economias mineira e nacional.
O encontro, realizado na sede da entidade, destacou o avanço dos investimentos previstos para a infraestrutura ferroviária, a necessidade de ampliar a capacidade logística do País e o papel estratégico de Minas Gerais como principal corredor de integração entre regiões produtoras e os portos brasileiros.
Durante o evento, o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alexandre Baumgartner, afirmou que Minas Gerais concentra hoje uma das maiores carteiras de investimentos em infraestrutura do País. Segundo ele, estão previstos cerca de R$ 100 bilhões em aportes no Estado, sendo R$ 62,5 bilhões em rodovias e aproximadamente R$ 38 bilhões em projetos ferroviários.
Baumgartner destacou que os investimentos incluem a renovação de contratos ferroviários, projetos de recuperação de malhas e novas concessões com horizonte de 30 anos.
Para ele, o fortalecimento da logística ferroviária é indispensável diante do crescimento da produção nacional. “Temos uma previsão de aumento da safra de 40% nos próximos dez anos e queremos ter condições de escoar toda essa produção. Minas Gerais é um ponto central dessa integração logística”, afirmou.
O diretor da ANTT avaliou que o transporte ferroviário perdeu espaço ao longo das últimas décadas em função da priorização das rodovias, mas defendeu que o cenário atual exige uma mudança no modelo logístico brasileiro.
Segundo ele, o crescimento econômico do interior do País tornou as longas distâncias um desafio cada vez maior para o transporte de cargas exclusivamente por caminhões. “As estradas já não suportam mais a quantidade de veículos pesados. Um único trem pode substituir entre 800 e 900 caminhões”, ressaltou.
Modal ferroviário é mais barato, seguro e sustentável, diz ANTF
O presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), David Barreto, reforçou a importância estratégica do setor para a indústria e para a economia nacional. Segundo ele, o transporte ferroviário apresenta vantagens operacionais relevantes em comparação ao modal rodoviário, especialmente em custos, segurança e sustentabilidade ambiental.
“O custo médio do transporte ferroviário pode chegar à metade do rodoviário. O nível de acidentes é cerca de dez vezes menor e as emissões são significativamente reduzidas”, afirmou.
Barreto destacou, no entanto, que a expansão da malha ferroviária ainda enfrenta obstáculos relacionados aos elevados custos dos projetos. De acordo com ele, um quilômetro de ferrovia custa em torno de R$ 20 milhões, enquanto uma locomotiva também pode atingir esse valor e cada vagão custar cerca de R$ 1 milhão.
Mesmo diante dos desafios, o dirigente afirmou que o setor vive um momento de retomada. Segundo ele, 2025 registrou o maior volume de investimentos ferroviários da série histórica, próximo de R$ 20 bilhões.
“A perspectiva é continuar crescendo, tanto com contratos já existentes quanto com novas concessões. O desafio agora é unir setor privado, poder público e indústria para transformar o transporte ferroviário em uma realidade ainda mais forte no Brasil”, disse.
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