As empresas de tecnologia e internet foram as maiores responsáveis pela recuperação identificada no terceiro trimestre | Crédito: Satish Kumar/Reuters

Daniel Vilela

O número de fusões e aquisições de empresas no Brasil atingiu a melhor parcial do ano entre julho e setembro. Após um período de queda desde o início da pandemia, a retomada das transações surpreendeu especialistas. O montante de operações registradas no terceiro trimestre deste ano superou até mesmo os números do mesmo período de 2019.

Segundo levantamento da KPMG, rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory, foram realizadas 348 operações de fusão e aquisição entre julho e setembro deste ano, um salto de 53% em relação ao volume de transações registrado no segundo trimestre de 2020. Dentre essas operações, 239 foram domésticas e 86 foram realizadas por empresas de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de brasileiros, capital de empresa estabelecida no Brasil.

O sócio-líder de fusões e aquisições da KPMG, Luiz Motta, explica que as empresas de tecnologia e internet foram as maiores responsáveis pela recuperação identificada no terceiro trimestre. “Surgiu um fenômeno: as empresas de tecnologia foram muito beneficiadas por essa crise, porque tudo que estava previsto para acontecer em alguns anos, aconteceu em alguns meses, como o home office, por exemplo. Várias startups solucionaram os problemas de grandes empresas de varejo na parte de logística e e-commerce. Essas empresas de Tecnologia da Informação (TI) foram a rota de sobrevivência de muitos”, explica Motta.

Das operações registradas entre julho e setembro, 116 foram realizadas por empresas de internet e 57 por empresas do segmento de TI. No acumulado do ano, já são 265 transações de empresas de internet e 118 de TI. Praticamente metade das operações de empresas de Tecnologia da Informação no ano aconteceu no terceiro trimestre.

O estudo mostrou que, esse último trimestre, foi o segundo melhor desde quando a pesquisa KPMG foi iniciada, em 1999. Os resultados só ficaram atrás dos identificados no quarto trimestre de 2019, quando ocorreu o recorde de transações concretizadas, com 352 operações. “Estão acontecendo transações de menor porte, mas em maior número. Uma grande parte dos investimentos está vindo de fundos de Venture Capital e Private Equity”, acrescenta Luiz Motta.

O otimismo atual é tanto que especialistas estão projetando um empate técnico entre os resultados de 2019 e 2020. Mas Luiz Motta alerta: “Estamos voltando para o momento que tínhamos no ano passado, mas a epidemia ainda pode atrapalhar, no caso de uma segunda onda, por exemplo. A aprovação de reformas por parte do governo também é importante para criar confiança”.

Investimentos represados – Especialistas explicam que, durante os primeiros meses da pandemia, vários investimentos programados foram postergados ou cancelados. “Uma atividade de fusão e aquisição é um investimento de longo prazo. Um contexto econômico favorável leva a aquisições e fusões, mas em uma crise você não olha mais para o longo prazo”, detalha Luiz Motta.

O sócio-líder de fusões e aquisições da KPMG lembra que os negócios que foram fechados neste último trimestre foram iniciados no começo do ano ou até mesmo em 2019. “Você planta uma coisa para colher daqui a seis, oito meses. E essa colheita não foi feita no segundo trimestre deste ano porque as pessoas ficaram sem dinheiro”.