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Londres e Houston – Investidores que já se preparam para resultados fracos das maiores empresas de óleo e gás no primeiro trimestre deste ano passarão a focar em como os executivos dessas companhias planejam economizar dinheiro e na possibilidade de cortes de dividendos após o colapso nos preços do petróleo.

As cinco maiores empresas dos Estados Unidos e da Europa, conhecidas como “Oil Majors”, anunciaram cortes de gastos de em média 23%, em uma rápida resposta à queda livre na demanda por petróleo diante da pandemia de coronavírus e ao recuo de 65% nos preços da commodity.

Com a provável manutenção dessa trajetória por meses, a pressão sobre os balanços permanece extrema, uma vez que pouquíssimos negócios das petroleiras ganham dinheiro com os atuais preços do combustível fóssil, de US$ 20 por barril.

“Esse ambiente de negócios continua brutal”, disse o presidente-executivo da BP, Bernard Looney.

Da Exxon Mobil à Shell, empresas suspenderam projetos, cortaram produção em campos de shale (petróleo não convencional) nos EUA e reduziram operações em refinarias para lidar com o “golpe duplo” da queda de demanda e do excesso de oferta.

Mas é provável que mais medidas sejam necessárias, e investidores estarão observando de perto as mudanças nas estimativas de produção e as formas com que as companhias planejam gerenciar os dividendos, o incentivo mais importante a acionistas que, no ano passado, somavam juntos mais de US$ 40 bilhões.

“O olhar em retrospecto ao que foi um primeiro trimestre fraco parece praticamente irrelevante. O plano de jogo para lidar com os próximos três meses e com os próximos 18 meses é que será o foco”, disse Jason Gammel, analista do Jefferies.

A BP será a primeira das Oil Majors a divulgar seus resultados do primeiro trimestre, na terça-feira(28). A Shell vem a seguir, na quinta-feira (30). Exxon e Chevron apresentam balanços na sexta-feira (1º), e a francesa Total no dia 5 de maio.

A italiana Eni já reportou na sexta-feira (24) uma queda de 94% no lucro líquido e reduziu suas projeções de gastos e bombeamento, enquanto a norueguesa Equinor divulgará resultados em 7 de maio.

Fornecedoras de serviços ao setor petrolífero, como Halliburton, Schlumberger e Baker Hughes, também levaram duros golpes nos lucros no primeiro trimestre. (Reuters)

Taxas de fretamento perdem força

Cingapura – Taxas de fretamento de superpetroleiros recuaram diante de uma esfriada na crescente demanda por armazenamento flutuante e por sinais de que a produção de petróleo deve diminuir, embora as taxas possam voltar a subir à medida que a disponibilidade de embarcações caia e com traders tentando se aproveitar dos preços baixos da commodity, disseram fontes.

As taxas tiveram forte alta no início da semana, após o contrato para maio do petróleo dos Estados Unidos ter operado na segunda-feira (20) em território negativo – pela primeira vez na história – antes do vencimento, conforme operadores desesperados pagavam para se livrar dos barris, desencadeando uma disparada na demanda por navios-tanque para armazenamento.

Nos últimos dias, as taxas para navios do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier, em inglês) operaram entre US$ 120 mil e US$ 130 mil por dia para um período de afretamento de seis meses, de acordo com fontes.

Antes de o petróleo WTI passar ao campo negativo, as taxas eram de cerca de US$ 85 mil por dia para um período de seis meses, ainda segundo as fontes.
As taxas de navios VLCC em rotas do Oriente Médio para a China estavam em cerca de US$ 9,8 milhões na sexta-feira, abaixo dos US$ 11,5 milhões na véspera, mas acima dos US$ 8,9 milhões da segunda-feira, antes do colapso nos preços do petróleo dos EUA, segundo fontes comerciais.

“Depois de o WTI se recuperar de seu colapso para território negativo, o contango diminuiu consideravelmente e o incentivo para armazenamento também caiu em alguma medida, empurrando as taxas dos navios-tanque um pouco para baixo”, disse Ashok

Sharma, diretor-administrativo da corretora BRS Baxi em Cingapura.
A diminuição do bombeamento em importantes países produtores também contribuiu para que as taxas recuassem, afirmaram fontes de corretoras.

Apesar dos cortes, no entanto, as taxas para navios-tanque podem voltar a subir em meio ao crescente excesso de oferta de petróleo que pode forçar o armazenamento de mais cargas “sem destino”.

“Em uma média global, um VLCC voltaria ao trabalho após dois ou três meses do carregamento. Mas agora, por causa desse cenário para armazenamento flutuante, não temos certeza de quando um VLCC envolvido em um contrato de estocagem poderá voltar ao mercado e se apresentar para recontratação”, disse Sharma. (Reuters)