IA pode elevar produtividade da América Latina em até 3,2% ao ano, diz Fórum Econômico Mundial
A América Latina tradicionalmente cresce pela expansão da sua força de trabalho e não pela via da produtividade, mas isso pode mudar com o uso da inteligência artificial, diz estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial.
A instituição estima em um relatório apresentado no Rio de Janeiro nesta terça-feira (9) que, se os países da região investirem na implementação de medidas estruturais, a utilização da IA pode impulsionar a produtividade dos países da região entre 1,9% e 2,3% ao ano até 2030.
O estudo América Latina na Era Inteligente, produzido em colaboração com a consultoria McKinsey & Company, aponta que esse salto de eficiência teria o potencial de injetar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão anualmente na economia da região.
O avanço é visto como crucial em um momento em que o chamado “bônus demográfico”, ou seja, o crescimento da população em idade ativa, começa a se esgotar nos principais países latino-americanos.
Mas há mudanças a serem feitas para que esse resultado possa ser alcançado, segundo o estudo.
Uma das principais é a qualificação de profissionais para operação de novos sistemas ou integração com os antigos por meio da IA. Os pesquisadores lembram que a região vem se consolidando como um polo de exportação de serviços tecnológicos para multinacionais, o que inflaciona salários e dificulta a retenção de profissionais qualificados por empresas nacionais de médio e pequeno porte.
Outra necessidade é o investimento em infraestrutura e fornecimento de energia para abastecer os modelos avançados de IA, que exigem um processamento de dados massivo, em especial para transformar setores pesados como a mineração e a agricultura industrial.
Se esses gargalos não forem resolvidos, aponta o relatório, o crescimento da produtividade por causa da IA pode ficar restrito apenas às grandes cidades ou multinacionais, ampliando a desigualdade produtiva.
Ou seja, os benefícios econômicos podem ficar restritos a uma bolha geográfica e corporativa, a não ser que seja adotada uma agenda coordenada entre governos e a iniciativa privada para democratizar o acesso e requalificar a força de trabalho.
Uso da IA ainda é fragmentado
Os pesquisadores afirmam ainda que hoje existe uma grande diferença entre o entusiasmo com a tecnologia e o retorno financeiro real: apenas 23% das organizações da região conseguem gerar algum valor econômico com a IA, e somente 6% reportam uma criação de valor considerada “significativa”.
A maior parte das empresas, segundo o estudo, ainda utiliza a IA de forma fragmentada, com foco em ferramentas isoladas, como assistentes de texto ou geradores de código, em vez de redesenhar seus modelos de negócios com base na tecnologia.
O setor de serviços financeiros é apontado no levantamento como a grande exceção, usando a IA para análise de crédito da população informal e sistemas avançados de prevenção a fraudes.
Além do setor financeiro, o relatório revela que a indústria manufatureira e a logística despontam como as próximas grandes fronteiras de valor na região. O documento diz que a aplicação de IA preditiva na cadeia de suprimentos e na manutenção de maquinário pesado pode reduzir os custos operacionais dessas indústrias em até 15%.
Outra descoberta do levantamento é o chamado “paradoxo da sustentabilidade” enfrentado pela região.
De acordo com os pesquisadores, apesar de a América Latina possuir uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, a infraestrutura atual de transmissão não está preparada para suportar a explosão de novos data centers necessários para a IA.
O estudo enfatiza que os países que conseguirem integrar fontes renováveis diretamente aos centros de processamento de dados atrairão a maior parte dos investimentos globais em tecnologia nas próximas décadas.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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