De perfume a arroz com feijão: veja quanto de imposto há nos produtos do dia a dia
O brasileiro precisou trabalhar até o dia 29 de maio de 2025 exclusivamente para quitar tributos, taxas e contribuições daquele ano. A conclusão é de um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Esses cinco meses de trabalho voltados somente para pagar impostos representam cerca de 40,82% da renda média anual.
É para chamar atenção para o tema que, em 2007, foi criado o Dia Livre de Impostos (DLI) pela CDL Jovem BH, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), atualmente realizado em todo o Brasil. Neste ano, o DLI será em 28 de maio e, na ocasião, cerca de 600 empresas participantes oferecem produtos e serviços sem o valor dos impostos, evidenciando ao consumidor o impacto da carga tributária no preço final.
“Quando os impostos encarecem itens essenciais, como alimentação, produtos de higiene e eletrodomésticos, quem perde é o consumidor, que compra menos, reduz o consumo e compromete parte importante da renda com tributos invisíveis. O Dia Livre de Impostos é uma oportunidade para mostrar, na prática, quanto os brasileiros pagam além do valor real dos produtos”, afirma o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.

No DLI, o lojista arca com o valor correspondente ao imposto e o transforma em desconto para o consumidor. A lista completa de lojas e produtos está disponível no site www.dlibh.com.br ou via WhatsApp (31) 99127-6060.
Em contrapartida, além de dar mais visibilidade à causa e ajudar a conscientizar a população, o lojista tem seus produtos participantes divulgados para consumidores no site e WhatsApp, ampliando vendas. De acordo com a CDL/BH, o DLI é uma das datas mais importantes do ano para o varejo.
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Porcentagem de impostos em cada produto
Ainda para conscientizar a população sobre o peso da carga tributária no consumo diário, a CDL/BH divulgou um levantamento com a porcentagem de taxas de cada produto do dia a dia. Veja abaixo:
Café da manhã
Pão francês com presunto e mussarela e café com leite adoçado com açúcar: entre 12% e 18%, em que incide o tributo sobre serviço e a transformação do alimento. Já para quem faz a primeira refeição do dia em casa, o custo é um pouco menor, entre 5% e 10%;

Almoço
Arroz, feijão, proteína (bife de boi ou de porco, omelete ou ovo frito), batata frita e salada: entre 22% e 25% do valor pago. Se um PF custa R$ 30, algo entre R$ 6,60 e R$ 7,50 é destinado a tributos federais, estaduais e municipais, como PIS, COFINS e ICMS.
“Estamos vivendo o início da transição da reforma tributária e, mesmo que esteja prevista a alíquota zero para muitos itens essenciais de alimentação, eles ainda possuem resíduos do sistema antigo. Isso torna a alimentação básica muito cara, especialmente quando feita fora de casa”, pondera Souza e Silva.
Veja mais itens:
Higiene pessoal
Mais de 30% de impostos na maioria dos produtos, segundo o Impostômetro. Veja a lista:
- Shampoo: 39,72%;
- Condicionador: 38,28%;
- Sabonete em barra: 38,73%;
- Creme dental: 31,22%;
- Toalha de banho: 36,26%;
- Chuveiro elétrico: 34,58%;
- Escova de dentes: 30,98%;
- Desodorantes: 43,36%;
- Papel higiênico com quatro rolos: 36,98%;
- Pente para cabelos: 43,67%;
- Perfume nacional: 66,18%.

Eletrodomésticos da linha branca
- Fogão, geladeira e máquina de lavar: entre 35% e 45% do valor total dos produtos são impostos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros);
Móveis
- Sofá, guarda-roupas e mesas: entre 12% e 18% de ICMS. Porém, a carga total, incluindo PIS/COFINS e IPI, pode superar os 25%, segundo o Impostômetro.
Tributação também afeta o empreendedor
A tributação, que fragiliza o poder de compra do consumidor, também afeta o empreendedor. No caso de restaurantes e padarias, em que grande parte opta pelo regime Simples Nacional, a alíquota média flutua entre 4% e 10%. Já entre empresas maiores, que optam pelo modelo de Lucro Presumido, por exemplo, o índice varia entre 13% e 18%.
“Se não fosse a alta carga de impostos, o poder de compra de um trabalhador assalariado aumentaria de 30% a mais de 40%, segundo estudos. Mais de 42% da renda bruta anual é somente para pagar tributos, o que potencializa a desigualdade social quando se compara os orçamentos familiares entre quem ganha mais ou menos”, encerra Souza e Silva.
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