Orçamento restrito difi culta novas compras / Charles Silva Duarte

O índice de inadimplência em Belo Horizonte chegou a 34,5% em setembro, sendo o maior índice do ano, segundo levantamento divulgado ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG). Frente a agosto, quando o índice foi de 29,2%, houve aumento de 4,6 pontos percentuais. Em setembro de 2017, a inadimplência estava em 22,7%. Já o endividamento das famílias alcançou 66,7% em setembro, mostrando estabilidade no comparativo com agosto, quando chegou a 67%. Em setembro do ano passado, o endividamento atingia 69,6% das famílias.

Economista da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida informa que o cenário de inadimplência em alta e endividamento estável está atrelado ao quadro de recuperação lenta da economia. Ele explica que a questão eleitoral não tem grande impacto nesses indicadores.

Segundo Almeida, a estabilidade no endividamento mostra que o consumo sofre resistência nas aquisições nas modalidades avaliadas, tais como financiamento de imóveis, carros, empréstimos e cartão de crédito, lojas e cheques pré-datados. “Há melhoria no ambiente econômico, em termos de fundamentos macroeconômicos, mas não é suficiente para voltar com confiança”, diz.

Já quanto à inadimplência, o principal gargalo é o elevado desemprego, que leva as famílias a ficarem sem fonte de renda ou com o orçamento apertado. Com o dinheiro destinado a gastos essenciais, não sobra recursos para quitar as dívidas. “Aperto no orçamento, desemprego e a falta de educação financeira acabam ampliando o cenário da inadimplência”, resume.

Falta de planejamento – Segundo Almeida, o hábito da falta de planejamento financeiro aparece em pelo menos dois indicadores. Um deles é o que aponta alto percentual de pessoas que comprometem mais da metade do orçamento com endividamento. Em média, as dívidas comprometem 30,6% do orçamento mensal das famílias, mas 24,1% dos entrevistados responderam que as contas pendentes envolvem mais de 50% do orçamento mensal.

O outro indicador é o que mostra o cartão de crédito como líder na modalidade de dívidas, com 79,9% do total. A Fecomércio-MG ressalta a importância de não se perder o controle da dívida no cartão, já que essa modalidade possui os maiores juros do mercado.

Guilherme Almeida destaca que o alto índice de inadimplência é ruim para o consumidor, que fica com o nome sujo, mas também para o varejo, que perde o cliente, especialmente quando a compra demanda tomada de crédito.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) também mostrou que 16,6% dos entrevistados declararam que não terão condições de quitar os compromissos vencidos, enquanto em agosto esse índice era de 14,9%. Dos entrevistados, 66,7% informaram que estão endividados, sendo que, desse total, 20,7% se consideram muito endividados. Além disso, das 34,5% das famílias com contas em atraso, 61,3% afirmam que o período devido é superior a 90 dias.