Inadimplência empresarial cresce 24,5% em Minas e dívidas somam R$ 22,8 bilhões
O número de companhias no vermelho em Minas Gerais teve crescimento em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período, 915.410 empreendimentos estão com dívidas ante 735.248 de junho, uma variação para cima de 24,5%, somando R$ 22,8 bilhões no total. Em média, cada negócio inadimplente acumulou 7,0 contas negativadas, com dívida média de R$ 24.911 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.538,89.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, alguns fatores estão impulsionando a inadimplência, com destaque para os juros, porém sem que estes sejam o único fator para o alto nível de endividamento empresarial.
“O ambiente de crédito tem um peso importante nesse cenário. Mesmo com os cortes recentes da Selic, as condições financeiras continuam restritivas. Isso dificulta tanto o acesso a novos recursos quanto a rolagem das dívidas. Ao mesmo tempo, a inadimplência empresarial não está concentrada apenas em instituições financeiras, pois mais de três quartos das pendências também envolvem despesas e obrigações ligadas à própria operação”, disse a economista.
Junho x julho
O cenário de empresas inadimplentes também teve piora no comparativo de junho para julho. Os empreendimentos com dívidas tiveram salto de 0,87% de um mês para o outro.
No último mês do semestre eram 907.558 negócios com débitos negativados, gerando 6.323.710 dívidas e um montante de R$ 22.047.698.299. Em julho de 2026 já são 915.410 empresas negativadas, 6.443.860 dívidas e R$ 22.804.126.403 no volume total.
Tendências
O cenário ainda exige cautela, segundo Camila Abdelmalack, da Serasa, mesmo com cortes na Selic. A economista explica que as condições financeiras seguem restritivas e o mercado continua trabalhando com uma perspectiva de juros elevados por um período prolongado.
As questões financeiras se somam à redução da atividade econômica, que vem mostrando uma trajetória de desaceleração, o que pode limitar a recuperação das receitas das empresas.
“Com este cenário, ainda não há elementos que indiquem uma reversão consistente da inadimplência no curto prazo. Em Minas Gerais, a própria série histórica mostra crescimento contínuo no número de empresas inadimplentes ao longo de 2026. Uma recuperação dependerá de uma combinação de condições de crédito menos restritivas, maior capacidade de geração de caixa e melhora do ambiente econômico”, explica a economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack.
Setores inadimplentes e perfil das dívidas
Do total de empresas que estavam negativadas em julho no país, 55,8% eram do setor de “Serviços”. Na sequência apareceram aquelas do “Comércio” (32,1%), “Indústria” (8,0%) e do segmento “Primário” (1,0%).
Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com “Serviços” (31,7%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,7%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,5%), “Utilities” (6,9%) e “Telefonia” (6,2%). As instituições financeiras, considerando “Bancos/Cartões” e “Financeiras”, concentraram 24,3% das pendências, enquanto 75,7% estavam fora desse grupo.
Micro e pequenas empresas concentram a inadimplência
As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência empresarial no Brasil em julho, com 8,7 milhões de CNPJs negativados. O grupo concentrou 60,5 milhões de dívidas, que somaram R$ 206 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.574,33 e ticket médio de R$ 3.403,77.
“As micro e pequenas empresas enfrentam uma combinação particularmente desafiadora: inadimplência elevada e crédito cada vez mais restrito. Mesmo em períodos de normalidade, empresas desse porte já encontram mais barreiras para acessar financiamento, necessários para capital de giro e sustentação da operação”, conclui a economista-chefe da Serasa.
Visão regional
O estudo da Serasa também retratou como anda a situação regional. Sudeste e Sul concentraram o maior volume de empresas inadimplentes em julho de 2026, com destaque para São Paulo (3.147.102), seguido por Minas Gerais (915.410) e Rio de Janeiro (870.189). Na sequência apareceram Paraná (607.497) e Rio Grande do Sul (533.041), ambos da região Sul do país.
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