Economia

Inadimplência das empresas cresce em Minas em março e atinge recorde

Minas Gerais registra recorde histórico de dívidas corporativas, impulsionado por juros altos e crédito restrito
Inadimplência das empresas cresce em Minas em março e atinge recorde
Foto: Reprodução Adobe Stock

A inadimplência entre as empresas voltou a crescer em março de 2026 e atingiu 8,9 milhões de CNPJs, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Minas Gerais se destaca com quase 10% das empresas com débitos em atraso.

Em março, o Estado registrou 873.579 empresas mineiras inadimplentes, o maior número da série histórica da Serasa, registrada desde 2019. O total de dívidas em valores monetários ultrapassa R$ 19 bilhões.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, esse cenário de alta inadimplência tem uma explicação clara. “O principal fator é a combinação entre juros elevados por um período prolongado, crédito mais seletivo e dificuldade de rolagem das dívidas. Esse ambiente encarece o capital de giro, aumenta a despesa financeira e reduz a capacidade das empresas de reorganizarem seus passivos.”, disse a economista.

O resultado, tanto do Brasil quanto de Minas Gerais, representa avanço em relação a fevereiro e mantém o indicador próximo ao maior nível da série histórica, registrado em dezembro de 2025.

No período, o total de dívidas negativadas chegou a 62 milhões, somando R$ 212,8 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possuía cerca de sete contas negativadas, com dívida média de R$ 23.992,97 por CNPJ e tíquete médio de R$ 3.431,12.

A média mineira de dívidas das empresas é de R$ 22 mil, pouco abaixo do volume nacional, o que indica que o Estado está com alto grau de endividamento.

Vulnerável

O segmento de serviços se mostrou mais vulnerável neste cenário, mesmo sendo um segmento que gera muitos impostos e empregos. “O setor de serviços tende a ser mais sensível ao ciclo econômico, porque receita e margens reagem rapidamente à desaceleração da demanda e à perda de dinamismo da economia. Em um ambiente de crédito mais caro e restrito, essa sensibilidade se traduz em maior pressão sobre o caixa.”, disse Camila Abdelmalack.

O aumento da inadimplência na atividade reflete um ambiente ainda marcado por juros elevados, maior seletividade na concessão e pressão sobre o fluxo de caixa das empresas, especialmente nas de menor porte. “Para mitigar esse quadro, há um duplo movimento: do lado da oferta de crédito, o avanço passa por ganhos de eficiência na avaliação de risco, com maior uso de dados e analytics, melhor precificação e segmentação”, completa.

Ajuda do poder público

Como o poder público pode contribuir para que haja mais equilíbrio nas contas dos negócios? Política monetária menos rígida nos juros? Reforma tributária mais justa? Essas perguntas são centrais para que se possa construir um ambiente menos danoso para as empresas mineiras, segundo a especialista.

“A Selic ancora o curto prazo, mas é a curva de juros, formada no mercado, que define o custo de capital relevante para as empresas. No curto prazo, iniciativas de renegociação têm ganhado espaço no debate, especialmente em um contexto de elevado endividamento. Já no campo tributário, avanços em simplificação e maior previsibilidade tendem a melhorar o ambiente de negócios, ainda que com efeitos mais graduais.”, observa Camila Abdelmalack.

“Os dados mostram que não estamos apenas diante de um aumento no número de empresas inadimplentes, mas também de um agravamento qualitativo desse quadro. Em média, um CNPJ inadimplente carrega cerca de sete dívidas, o que evidencia a dificuldade de regularização e a maior complexidade da situação financeira.”, finaliza.

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