Indústria do vestuário de Minas tem queda de 20% nas vendas no 1º trimestre
O setor de moda em Minas Gerais registrou queda nas vendas no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. A instabilidade do cenário econômico e a concorrência com os importados são apontadas como os principais fatores para o resultado negativo. A avaliação é do presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG), Rogério Vasconcellos.
Segundo o dirigente, os resultados negativos vinham sendo observados desde dezembro do ano passado. As vendas de Natal, tradicionalmente fortes para o segmento, ficaram aquém das expectativas, impactando o fôlego das empresas para o início de 2026. “Foi um mês que deixou muito a desejar. Esperávamos mais no Natal para a indústria do vestuário”, afirmou.
Para o primeiro trimestre, a expectativa também era melhor. No entanto, o presidente do Sindivest-MG afirma que houve queda nas vendas. “Foi um início de ano muito difícil. A retração, de acordo com relatos de empresários, é de cerca de 20% em relação ao primeiro trimestre de 2025”.
Entre os principais fatores para o desempenho ruim está o avanço dos importados, considerados concorrência desleal pelo setor. Vasconcellos destaca que, embora a cadeia da moda apresente crescimento em faturamento, esse avanço não se traduz em benefícios para a produção nacional. “Quando você analisa os dados de toda a cadeia da moda, há crescimento, mas um crescimento de produtos importados que não agrega em nada à indústria mineira”, explicou.
Vasconcellos também cita a “taxa das blusinhas”, que, de forma recorrente, entra em debate e refere-se à tributação de produtos estrangeiros de baixo valor. A isenção voltou a ser discutida e, dessa forma, voltou a preocupar ainda mais o setor, que cobra medidas mais eficazes para equilibrar essa concorrência. “Ela ainda incomoda muita gente”, afirmou.
O ambiente macroeconômico também contribui para a insegurança dos empresários. Fatores como instabilidade internacional, conflitos geopolíticos e incertezas políticas internas impactam diretamente o consumo e os investimentos. “O empresário está muito receoso. É um ano conturbado, com guerra, eleições e uma série de fatores que aumentam a insegurança jurídica, econômica e política”, afirmou Vasconcellos.

Ele também criticou o aumento da carga tributária nos últimos anos, destacando que novos impostos, mesmo quando não diretamente ligados ao setor, acabam pressionando toda a economia e reduzindo o poder de compra do consumidor.
Como exemplo, o presidente do Sindivest-MG cita o tradicional polo de moda do Barro Preto, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O bairro, que antes era marcado pela forte atividade comercial, hoje apresenta um número crescente de lojas fechadas. “É triste ver um comércio que já foi tão pujante. Hoje, há ruas com aspecto de cidade fantasma”, relatou.
Além disso, o dirigente afirma que a própria sociedade tem desvalorizado o setor e que o discurso é diferente da forma como atua. “A sociedade quer um preço baixo e, ao mesmo tempo, um trabalho seguro, decente, mas acaba comprando um importado que chega aqui em outras condições”, disse.
Além da retração nas vendas, o setor produtivo também registra queda no volume de empregos. De acordo com o presidente do sindicato, há redução significativa na geração de postos de trabalho, refletindo o enfraquecimento da atividade industrial.
Outro problema constante apontado por Vasconcellos é a escassez de mão de obra. O setor enfrenta dificuldades para renovar seus quadros, com trabalhadores mais experientes envelhecendo e pouca entrada de novos profissionais. “Não vemos renovação de profissionais e isso preocupa. É uma mão de obra que está envelhecida”.
Expectativa de reação na próxima estação
Apesar do início de ano negativo, o presidente do Sindivest afirma que o setor aposta em uma possível recuperação ao longo de 2026, especialmente com o lançamento das coleções de verão.
“O verão costuma ser uma estação em que vendemos melhor do que a estação de inverno. Esperamos que os lojistas que estiverem, nas próximas semanas, visitando Belo Horizonte e fazendo suas compras para a próxima coleção tenham um pouco mais de confiança no segundo semestre”, comentou.
Ainda assim, o otimismo é moderado. “Não podemos perder a esperança, mas é uma expectativa muito cautelosa”, disse Vasconcellos.
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