Giro pelo mundo

Da inteligência artificial, sua e do Papa Leão XIV

Primeira encíclica do atual pontífice trata justamente sobre a IA e a robotização do trabalho em todo o mundo

Romper a correria para refletir, é mais do que necessário. Em especial neste momento de transição tecnológica que nos traz a IA, inteligência artificial, sob o fogo de bilhões de informações sobre o assunto, que continua estranho para 99.999 % da população mundial. Se a voz é a mais adequada, cabe a cada um decidir. O fato é que o líder supremo de 1.4 bilhões de católicos no mundo, o Papa Leão XIV, apresentou sua encíclica sob o título Magnífica Humanitas no aniversário de 135 anos de outra importante encíclica papal, que define a doutrina social da Igreja Católica, Rerum Novarum. E a primeira encíclica do atual Papa, com suas 43.600 palavras, 100 páginas, é justamente sobre a IA e a robotização de trabalho.

A mensagem papal requer um estudo profundo, portanto uma primeira leitura não nos diz só sobre a preocupação com a evolução tecnológica, mas como diz seu próprio título, sobre a relação entre homen e tecnologia. A IA não é humana, mas uma ferramenta que está se aproximando da mente humana e da sua alma. E mais, a vida é bela, a humanidade cria a tecnologia, que nos ajuda desenvolver a sociedade. E como fica com a IA a exclusão social, ou seja quem domina tecnologia, e quem vai ter acesso a ela. Quem controla os algoritmos. Vamos nos tornar uma nova Torre de Babel, chegando a uma autodestruição? E o que fazer com o desemprego que a IA cria? Essas, e mais outras perguntas para refletir e definir a nossa vida, estão nesse documento.

E refletindo, colocam-se pontos como regulação, desemprego, uso para fins inadequados, como divulgar inverdades e uso da IA para fins militares, em especial armas autônomas.

A questão que se apresenta de imediato no Brasil é como educar, ou seja até requalificar, desde empresários e políticos até operários para o uso da IA. E claro, como acelerar nossa integração a essa onda.

Outra questão proeminente é como, nas campanhas eleitorais, vão ser usados as ferramentas de IA, em especial de forma negativa, e não na divulgação de programas e ideias de candidatos. Nossas lideranças podem estar preocupadas, mas estão preparadas tecnicamente para exercer o controle? E aí se coloca a questão da regulamentação. Com a experiência que temos tanto do governo como do Congresso, cabe aquela velha pergunta: você compraria um carro usado de um deles?

Se adicionarmos que a IA está sendo dominada por um grupo restrito de trilionarios do Vale do Silício, soltos neste mundo selvagem capitalista, ao qual se junta a China, temos mais uma situação complexa a ser resolvida.

Provavelmente, os candidatos, mesmo sendo católicos, não vão ler a encíclica papal. E provavelmente este não será um tema de debates. Mas será sem dúvida uma das mais importantes variáveis de nossas vidas no futuro. Ou sem futuro.

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