Inflação volta a disparar na Capital em março

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Inflação volta a disparar na Capital em março
Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

A inflação voltou a crescer em Belo Horizonte em março. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 1,39% no mês passado na capital mineira, elevando a inflação acumulada no primeiro trimestre de 2022 para 3,64% e para 10,83% nos últimos 12 meses. Gasolina comum, automóvel novo e gás liquefeito de petróleo aparecem entre as principais contribuições para a alta, enquanto gastos com telefonia móvel, excursões e refeições apareceram na outra ponta.

Os dados, divulgados ontem pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), indicaram, entre os grupos avaliados, alta de 2,73% em alimentação na residência, 1,91% em produtos administrados, 1,44% em gastos pessoais, 0,40% em habitação e -0,55% em alimentação fora da residência.

De acordo com o gerente de Pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes, a variação dos preços em março foi maior que a registrada em fevereiro (0,21%) e não há qualquer indicação de arrefecimento nos próximos meses. Ele destaca que no fim do ano passado, o mercado havia estimado meta de 3,5% para a inflação em 2022, o que já foi alcançado em apenas três meses.

“No acumulado de 12 meses, já é mais que o dobro da meta e não há nenhuma tendência de queda. Já estamos nesse patamar há algum tempo e é difícil pensar em nos aproximarmos da meta diante de um cenário de muita incerteza, com setores que ainda não se recuperaram totalmente da pandemia e outros efeitos advindos da crise global provocada pela guerra da Rússia com a Ucrânia”, explicou.

De maneira detalhada, a pesquisa revelou altas de 11,02% para alimentos in natura, 2,47% para bebidas em bares e restaurantes, e 2,25% para vestuário e complementos. Além disso, tiveram aumento transporte, comunicação, energia elétrica, combustíveis, água e IPTU (1,91%), alimentos industrializados (1,64%), despesas pessoais (1,61%), e encargos e manutenção (1,07%). Já os artigos de residência se destacaram no sentido oposto, com queda de 1,03%.

“Embora a alimentação não tenha um peso relevante no índice como um todo, são produtos que acompanhamos a evolução de perto, pois interferem no consumo e na renda das famílias, especialmente as de baixa renda que, normalmente, gastam grande parte do orçamento com a compra de alimentos. Temos visto uma evolução de altas bastante significativas em curtos períodos de tempo, o que é bem preocupante”, diz.

Contribuições

Entre os produtos, as cinco maiores contribuições para a alta do IPCA vieram de: assinatura de telefonia fixa, com variação positiva de 7,47%; gás, 7,27%; gasolina comum, 7,11%; automóvel novo, 7%; e condomínio residencial, com elevação de 1,51%.

Entre as quedas, destaque para gastos com psicólogo, psicoterapeuta, consulta cujo recuo foi de 15,45%; passagem aérea partindo de Belo Horizonte, -12,96%; telefonia móvel, -7%; excursões, -2,09% e refeição, com queda de 1,18%.

Cesta básica

A inflação mais alta e puxada pelos alimentos in natura continua refletindo nos custos com a cesta básica, que apresentou variação positiva de 7,76%, entre fevereiro e março. O valor da cesta no mês passado chegou a R$ 695,41, equivalente a 57,38% do salário mínimo. Novamente, a cesta apresentou valor recorde.

Conforme o Ipead, os principais responsáveis por esse aumento foram o tomate Santa Cruz (29,92%), banana caturra (23,34%) e óleo de soja (18,29%).

No ano, a cesta básica está 14,22% mais cara e nos últimos 12 meses, a variação positiva chega a 25,91%. Nos últimos 12 meses, o preço do tomate Santa Cruz já varia 131,92%, do café moído 73,70% e da batata-inglesa 49,39%.

“É muito preocupante e, neste momento, difícil estabelecer um norte do que pode acontecer nos próximos meses. Podemos ter algumas melhoras, mas temos mais incertezas do que certezas e o cenário ainda é turbulento”, resume o gerente de Pesquisa do Ipead.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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