Os preços dos alimentos naturais caíram 3,69% mas a alta no ano soma 23,4% | Crédito: Tânia Rêgo/ABr

Após registrar dois meses de quedas consecutivas, o custo de vida em Belo Horizonte voltou a subir em junho. No período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da capital mineira apresentou uma variação positiva de 0,33% frente a maio.

A alta foi atribuída à reabertura de grande parte do comércio. Os dados foram divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais da Universidade Federal de Minas Gerais (Ipead/UFMG).

Com o aumento verificado na comparação mensal, no primeiro semestre de 2020, o IPCA de Belo Horizonte acumula elevação de 1,12% e, nos últimos 12 meses, de 3,8%.
De acordo com a coordenadora de pesquisa da Fundação Ipead, Thaíze Martins, a retomada de parte do comércio de Belo Horizonte contribuiu para o avanço em alguns segmentos.

A pesquisa mostra que houve, em junho frente a maio, aumento entre os produtos não alimentares (0,44%), com alta em habitação (0,09%), pessoais (0,49%) e produtos administrados (0,56%). Dentro do subgrupo de pessoais, o crescimento foi observado em saúde e cuidados pessoais (0,33%) e despesas pessoais (0,6%).

Já no grupo de alimentação, houve um recuo de 0,26% no comparativo de junho frente a maio. Porém, dentro do grupo, no item de alimentação fora da residência foi verificada elevação de 3,16% em bebidas em bares e restaurantes. Em alimentação na residência, o item alimentos elaboração primária apresentou alta de 1,82%. Alimentos in natura recuaram 3,69%, mas acumulam altas de 23,4% no primeiro semestre e de 10,64% nos últimos 12 meses.

Dentre os itens que contribuíram para a elevação do IPCA estão: automóvel novo, com elevação de 4,34%, seguido pela gasolina comum (2,31%), lanche (2,03%), aniversário (festa) (3,99%) e motocicleta (7,42%).

Os itens que apresentaram queda nos preços foram: refeição (-2,01%), excursões (-1,17%), psicotrópico / anorexigeno (-20,09%), tomate (-30,6%) e condomínio familiar de clube recreativo (-4,99%).

“Com a reabertura do comércio, registramos altas em itens que foram estimulados, como lanches fora de casa, gasolina e automóveis. Várias pessoas, com a reabertura, voltaram a circular e cumprir a jornada de trabalho fora do lar, por isso, o mercado teve o movimento intensificado e refletiu nos preços”, explicou Thaíze.

Cesta básica – Ao longo de junho, o custo da cesta básica apresentou variação negativa de 2,84% quando comparado com maio. O valor da cesta no último mês foi de R$ 476,21, montante que equivale a 45,57% do salário mínimo.

Mesmo com a queda, muitos produtos estão mais caros para o consumidor. No ano, o custo da cesta básica subiu 2,57% e, no acumulado dos últimos 12 meses, avançou 8,65%.

A coordenadora de pesquisa da Fundação Ipead destaca que o recuo mensal foi provocado, principalmente, pela retração verificada no preço do tomate Santa Cruz. Em junho, a queda no produto foi de 30,59%, porém, no acumulado do ano até junho, o produto registrou aumento de 4,87%. Outro item que apresentou redução de preços foi a banana caturra (-6,45%), o pão francês (- 0,48%), óleo (-1,18%), manteiga (-0,1%) e café moído (-0,1%).

Já os demais itens ficaram mais caros, com destaque para farinha de trigo (8,8%), batata inglesa (3,12%), leite (2,11%) e arroz (2,55%).

“Junho interrompeu uma série de quatro meses de altas consecutivas nos preços da cesta básica. Porém, é uma queda pontual, totalmente puxada pelo tomate Santa Cruz, que teve uma redução expressiva nos preços. Se não fosse por esse item específico, o valor da cesta teria ficado estável ou com pequena alta. Por isso, a sensação do consumidor de que os itens da cesta estão mais caros é válida. Alguns itens básicos como farinha, leite e arroz, por exemplo, ficaram todos mais caros”, completou.

Consumidor de BH está menos confiante

Os custos mais elevados em Belo Horizonte estão interferindo de forma negativa no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que, em junho, caiu para 33,15 pontos. Em relação a maio, o ICC apresentou uma queda de 0,88%.

É importante destacar que o índice permanece abaixo dos 50 pontos, nível que separa o pessimismo do otimismo.

O Índice de Expectativa Econômica (IEE) apresentou uma queda de 6,32% em comparação com o mês anterior, influenciado pela piora na percepção dos consumidores em todos os componentes, principalmente sobre a situação econômica do País, com recuo de 10,04%, seguido pela inflação, com redução de 6,19%, e emprego com queda de 2,55%.

O Índice de Expectativa Financeira (IEF) apresentou aumento de 2,53% em comparação com o mês de maio. O item pretensão de compras foi o que mais contribuiu para o aumento, apresentando alta de 6,81%.

A situação da família cresceu 1,46% e situação da família em relação ao passado aumentou 2,58%. Os grupos que lideraram a lista dos bens e serviços que os consumidores pretendem adquirir nos próximos três meses são: vestuário e calçados (11,43%), informática/telefonia (8,1%) e móveis (5,24%).

De acordo com a coordenadora de pesquisa da Fundação Ipead, Thaíze Martins, as incertezas em relação à pandemia do novo coronavírus e a crise provocada são fatores que contribuem para a queda da confiança do consumidor. Em relação ao aumento verificado na intenção de compras, a alta se deve à reabertura do comércio.

“O consumidor está pessimista devido às incertezas provocadas pela pandemia e aos impactos já causados. Em relação ao aumento da intenção de compras, a reabertura do comércio facilitou o acesso. Mesmo com as vendas on-line, muitos consumidores preferem comprar nas lojas, pessoalmente”.

Cesta básica recua em 10 de 17 capitais

São Paulo – O valor da cesta básica caiu, em junho, em dez das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo levantamento divulgado nessa segunda-feira (6), a maior redução foi no Rio de Janeiro (-8,23%), onde o conjunto de itens básicos ficou em R$ 512,84. Em 12 meses, a cesta básica ainda acumula alta de 2,84% na capital fluminense.

Aracaju apresentou o maior avanço no mês passado, 4,97%. No acumulado de janeiro a junho, os itens pesquisados pelo Dieese registram aumento de 19,34% e, em 12 meses, os preços subiram 9,6%. A cesta básica ficou mais cara também em Campo Grande (4,32%), Fortaleza (2,01%), Belém (0,11%), Brasília (2,12%), Natal (3%) e Salvador (2,16%).

A capital baiana tem a cesta mais barata do País (R$ 419,18).

Brasília é única das capitais pesquisadas que apresenta queda no valor da cesta básica em 12 meses, com retração de 0,98%. O conjunto de itens básicos custam R$ 450,45 na capital federal. No acumulado de janeiro a junho, a cesta registrou queda de 4,95% em Brasília.

São Paulo tem a cesta mais cara do País (R$ 547,03). Em junho, os produtos tiveram queda de 1,68%, mas, nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 9,04%.

O preço do tomate caiu em 15 cidades – em Vitória, a queda do valor foi de 55,89% e, no Rio de Janeiro, de 47,42%. A batata ficou mais barata em oito das dez capitais do Centro-Sul, com redução de 27,68% no preço médio no Rio de Janeiro e de 3,3% em São Paulo.

A cesta básica também ficou mais barata em junho em Florianópolis (-1,35%), Porto Alegre (-1,20%), Curitiba (-4,75%), Vitória (-6,84%), Goiânia (-4,98%), Belo Horizonte (-1,82%), Recife (-3,58%) e João Pessoa (-2,23%). (ABr)