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O número de lançamentos de apartamentos em Belo Horizonte, em janeiro, ficou bem abaixo do registrado em Nova Lima. Foram 32 lançamentos na Capital, enquanto na cidade da região metropolitana foram 114, ou seja, 256% a mais.

Os dados constam do Censo Imobiliário, realizado pela Brain Bureau de Inteligência Corporativa e divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

Segundo o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel, está havendo uma fuga de investimentos do setor imobiliário na capital mineira.

Entre os fatores que levam a essa situação, ele aponta dificuldade em aprovação de projetos e para localização de terrenos. E, na avaliação de Renato Michel, a aprovação do Plano Diretor, que tramita na Câmara Municipal de Belo Horizonte, pode dificultar ainda mais a atividade na capital mineira.

Ele alerta que, com a queda da oferta de unidades, pode haver a alta do preço dos imóveis na Capital. “Belo Horizonte está expulsando sua população. A de maior poder aquisitivo está indo para o vetor Sul. Aqueles com menor poder aquisitivo vão para os vetores Norte e Oeste”, diz.

E ele alerta que, com a mudança, há uma “exportação de riqueza”, já que esses moradores passam a consumir em outras localidades. “Não é só a construção civil que perde. É todo um ciclo”, diz.

Algumas das cidades que estão atraindo investimentos são Nova Lima, Santa Luzia, Contagem e Betim, todas na região metropolitana.

Michel aponta que o Plano Diretor, que está em tramitação na Câmara Municipal de Belo Horizonte, pode acentuar esse cenário. Um dos principais pontos questionados pelo Sinduscon-MG é a outorga onerosa, por meio da qual ocorre o pagamento pelo direito de se construir acima do coeficiente determinado para cada região.

Atualmente, esse direito é do proprietário do terreno. O Plano Diretor prevê que parte desse direito passe para a prefeitura. “O construtor vai ter comprar esse direito da prefeitura e, com isso, o preço do apartamento pode subir até 30%”, diz.

A administração municipal já explicou, anteriormente, que o novo Plano Diretor, ainda em tramitação, prevê que o valor resultante da outorga onerosa será reinvestido em melhoria urbana e moradias sociais.

De acordo com o Sinduscon-MG, janeiro é o sétimo mês consecutivo que apresenta vendas de apartamentos novos nas cidades de Belo Horizonte e Nova Lima acima dos lançamentos.

Nas duas cidades, no primeiro mês do ano, foram comercializadas 176 unidades e lançados 146 apartamentos.


Estoque – O levantamento aponta que Belo Horizonte encerrou o mês de janeiro com 3.232 unidades novas disponíveis para venda, sendo o menor patamar desde 2016. De julho de 2018 a janeiro de 2019 foram vendidos 1.930 apartamentos novos, com os lançamentos somando 737 unidades.

Dos apartamentos lançados em BH e Nova Lima em janeiro, houve prevalência de apartamentos de padrão alto: foram 114 unidades, com valor de R$ 700 mil a R$ 1 milhão, o que corresponde a 78,1% do total. Os de padrão médio – de R$ 400 mil a R$ 700 mil – somaram 32 unidades.

Se Nova Lima concentrou os lançamentos imobiliários em janeiro, Belo Horizonte ficou com o maior número de unidades vendidas. No total, nas duas cidades, foram 176 unidades vendidas, sendo 151 na Capital e 25 em Nova Lima. Em Belo Horizontes, as regiões que concentram o maior número de vendas foram a Oeste (61) e Pampulha (37).

Os apartamentos do padrão econômico foram os mais vendidos em janeiro de 2019. Foram comercializadas 69 unidades com valor até R$ 215 mil, o que representa 39,2% do total. Na faixa preço de R$ 215 mil a R$ 400 mil foram vendidas 47 apartamentos (26,7% do total).