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Liberação parcial do FGTS estimula o comércio e prejudica a construção

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Liberação de recursos do FGTS da ordem de R$ 30 bilhões deve impulsionar o consumo no segundo semestre deste ano - CREDITO:ALISSON J. SILVA

A possibilidade de liberação dos saques de contas ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que deve colocar na economia do País o total de R$ 30 bilhões, caso se concretize, vai movimentar o comércio.

Em Minas Gerais, as expectativas dos representantes do setor varejista são positivas, uma vez que é esperado aquecimento nas vendas e maior quitação de dívidas, o que libera o acesso ao crédito e estimula o consumo das famílias. Já para a construção civil, a liberação é considerada um risco que pode afetar de forma negativa a comercialização e os investimentos em projetos, uma vez que o saldo é uma das principais formas de pagamento utilizadas na compra de imóveis.

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De acordo com o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Aguinaldo Diniz Filho, a decisão é importante para estimular a economia que vem apresentando resultados negativos.

“Entendemos que é uma boa decisão do governo para que possa reativar um pouco a economia. Não só o comércio, mas a economia como um todo está precisando de um alento. Nós estamos avançando com a reforma da Previdência, o governo fala na reforma tributária, mas isso ainda demandará tempo. Por isso, é importante que tenha algo de imediato”.

Ainda segundo Diniz Filho, a liberação vai favorecer de várias formas. Quem puder sacar os recursos terá a opção de quitar dívidas e voltar ao mercado de crédito, além disso, poderá consumir mais, estimulando o comércio.

“A economia precisa de um choque imediato de recuperação porque está estagnada e, há vários trimestres, vem apresentando queda na projeção do Produto Interno Bruto (PIB). Então, eu acredito que o País pode entrar em uma perspectiva melhor para a economia. O momento é ideal para a liberação dos valores. A ACMinas aplaude fortemente a decisão. Sabemos que não é a solução, mas é a decisão ideal para o momento”, explicou Diniz Filho.

A liberação dos valores também foi bem avaliada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). A ação é considerada benéfica para os setores de comércio e serviços e vai contribuir para injetar novo fôlego na economia, que ainda caminha a passos lentos.

“O impacto da liberação dos saques do FGTS sempre é positivo. A medida é de curto prazo e tem o objetivo de aquecer a economia. As pessoas que estão endividadas e têm direito de sacar poderão quitar os valores e voltar ao mercado. A decisão virá em um bom momento, o segundo semestre do ano, que concentra períodos festivos como o Dia dos Pais, das Crianças e o Natal. A liberação dos recursos pode elevar as vendas nestas datas”, explicou a economista da CDL/BH, Ana Paula Bastos.

A dica para o consumidor, segundo Ana Paula, é que ele utilize o recurso para o pagamento de dívidas, principalmente, as que têm juros mais elevados. Também é preciso planejar bem os gastos de forma consciente para evitar a perda da renda.

Fôlego curto – O economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio – MG), Guilherme Almeida, explica que a medida contribui para o crescimento do comércio, mas destaca que é uma ação de fôlego curto e que será necessário atuar nas frentes estruturais, que são as pautas das reformas, na desburocratização e na retomados dos investimentos em infraestrutura. Estas pautas são fundamentais para a reestruturação do ambiente de negócios e para a retomada do crescimento econômico.

Ainda segundo ele, a liberação do saque não vai possibilitar um crescimento de longo prazo, justamente por conta da injeção de liquidez. A injeção de renda adicional no mercado pode ser destinada ao consumo e tende a beneficiar o comércio de bens e serviços.

O setor pode ser impactado de três formas. A primeira, segundo Almeida, é por via direta, que é o caso de o trabalhador utilizar o recurso para consumir bens e serviços no mercado.

“O período do ano é propício para isso, principalmente, pelo segundo semestre concentrar importantes datas para o comércio”.

A segunda forma é o beneficio de forma indireta que ocorre quando a pessoa utiliza o recurso para regularizar a situação financeira pagando dívidas e saindo de um cenário de inadimplência e voltando a ter acesso ao crédito.

“No cenário de inadimplência, o consumidor fica a margem do mercado de consumo por não conseguir obter crédito para adquirir bens duráveis e semiduráveis. Dessa forma, regularizando a situação financeira, esses indivíduos podem voltar ao mercado de consumo”.

No cenário de inadimplência, o consumidor fica a margem do mercado de consumo por não conseguir obter crédito para adquirir bens duráveis e semiduráveis. Dessa forma, regularizando a situação financeira, esses indivíduos podem voltar ao mercado de consumo”.

A terceira via é caso o trabalhador opte por direcionar os recursos para aplicações. Segundo Almeida, quando isso acontece, o volume de crédito por parte das instituições financeiras tende a crescer.

“Neste caso, o volume de crédito a ser concedido, tanto para pessoas jurídicas como físicas, tende a ficar maior e beneficiar o consumo”, explicou Almeida.

Medida preocupa as construtoras

Ao contrário da expectativa positiva no comércio, o setor da construção civil avalia de forma negativa a proposta de liberação dos saques de contas ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, o setor pode ser afetado de forma negativa, uma vez que o valor do FGTS é utilizado como principal fonte de financiamento na compra de imóveis, principalmente, do programa Minha casa, minha vida (MCMV).

“Conforme as primeiras informações divulgadas pela imprensa, somos absolutamente contra a liberação, porque tudo que retira recursos do FGTS, diminuem os recursos para o setor da construção civil, principalmente na área imobiliária. Vamos esperar o anuncio oficial para ver como será feito na integra e verificar se tem algo de favorável para o setor e que não diminua a capacidade de financiamento através do FGTS”, disse.

Ainda segundo Linhares, o FGTS vem sendo atacado há muitos anos porque é o único que ainda tem recurso financeiro disponível no País e, com isso, está perdendo a finalidade maior que era o financiamento habitacional.

“Com o desemprego em alta, a arrecadação do FGTS vem diminuindo. Ficamos muito preocupados porque o que mais gera emprego no País é a construção civil. A geração de vagas é imediata, o que gera retorno em renda e na arrecadação de impostos. Mais uma vez estão desviando a função do Fundo de Garantia”.

Ainda segundo o representante do Sinduscon, a liberação dos saques não traz benefícios duradouros para o mercado e nem promovem a recuperação da economia.

“Nos saques anteriores, as pessoas foram pagar dívidas e fizeram compras para datas comemorativas. Mais uma vez as instituições financeiras e de crédito serão as beneficiadas. Hoje, 85% dos imóveis vendidos no Brasil são do Minha casa, minha vida, utilizando o FGTS, o que pode ficar comprometido”.

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