Lote da Ypê suspenso pela Anvisa: consumidores relatam dificuldade para contato com SAC
Vários consumidores que compraram produtos do lote com numeração final 1 da marca Ypê estão denunciando dificuldades para entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa após a determinação de recolhimento feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência determinou, nessa quinta-feira (7), a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos de limpeza após identificar falhas graves no processo de produção na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.
A recomendação da marca é que os consumidores entrem em contato pelo SAC para receber orientações sobre troca, devolução e recolhimento dos itens afetados. Nas redes sociais, porém, consumidores relatam demora no atendimento, chamadas não completadas e dificuldades para obter informações sobre os procedimentos. Diante das alegações, a reportagem do Diário do Comércio também tentou contato com a empresa pelo SAC, mas não conseguiu atendimento.
A Ypê informou, em comunicado oficial, que ampliou a estrutura de atendimento do SAC e disponibilizou o telefone 0800-1300544 para atendimento aos consumidores. A empresa afirma que está colaborando integralmente com a Anvisa e conduzindo as ações necessárias.
A decisão da Anvisa atinge apenas produtos cujos lotes terminam em 1. Entre os itens afetados estão detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes das linhas Ypê, Tixan Ypê, Bak Ypê e Atol.
Motivo da suspensão
Segundo a Anvisa, inspeções realizadas em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo identificaram descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
De acordo com a agência, os problemas comprometem requisitos essenciais das Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco de contaminação microbiológica dos produtos, com possibilidade de presença de microrganismos patogênicos.
A Anvisa afirma que os consumidores devem suspender imediatamente o uso dos lotes afetados. O órgão orienta ainda que roupas, utensílios ou superfícies que tiveram contato direto com os produtos podem ser lavados novamente como medida de precaução, especialmente em casos de alteração de cheiro, cor ou textura do produto ou em situações de irritação.
Como identificar os produtos afetados
A medida vale apenas para os lotes cuja numeração termina em 1. O número pode ser identificado na embalagem do produto, próximo às informações de fabricação e validade, acompanhado das expressões “Lote” ou “L”.
Entre os produtos atingidos estão:
- Lava-louças Ypê;
- Lava-louças Ypê Clear Care;
- Lava-louças Ypê Green;
- Lava-louças Ypê Toque Suave;
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê;
- Lava-roupas líquido Ypê Premium;
- Lava-roupas líquido Ypê Power Act;
- Desinfetante Bak Ypê;
- Desinfetantes da linha Atol;
- Desinfetante Pinho Ypê.
A lista completa consta na Resolução RE nº 1.834/2026, publicada no Diário Oficial da União.
Histórico de recolhimentos
Esta não é a primeira vez que a marca enfrenta medidas semelhantes. Em 2024, a Anvisa já havia determinado o recolhimento de lotes específicos de detergentes Ypê após a própria fabricante identificar potencial risco de contaminação microbiológica. Na ocasião, a medida atingiu principalmente lotes terminados em 1 e 3.
Em 2025, a empresa também informou ter identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em alguns lotes de lava-roupas líquidos. A bactéria pode causar infecções, principalmente em pessoas imunossuprimidas, hospitalizadas ou com feridas abertas.
Fiscalização e retirada do mercado
A decisão da Anvisa determina que supermercados e estabelecimentos comerciais interrompam imediatamente a venda e a distribuição dos produtos afetados. As vigilâncias sanitárias estaduais e municipais devem intensificar a fiscalização para evitar a circulação dos lotes suspensos.
A agência informou ainda que a empresa terá prazo de até 60 dias para apresentar relatório final sobre o recolhimento, incluindo o percentual de produtos efetivamente retirados do mercado em relação ao total distribuído.
O Diário do Comércio procurou a Anvisa, os Procons do Ministério Público de Minas Gerais, da Prefeitura de Belo Horizonte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, além da Ypê, para mais recomendações aos consumidores e aguarda retorno.
Uma fonte informou ao Diário do Comércio que os supermercados de Minas já foram comunicados pela Associação Mineira de Supermercados (Amis) sobre a medida cautelar da Anvisa. O documento detalhou os produtos e os lotes que devem ser recolhidos.
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