As vendas de aço da empresa nos primeiros seis meses deste ano atingiram o volume de 2,063 milhões de toneladas - Crédito: REUTERS/Alexandre Mota

A Usiminas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) encerrou o segundo trimestre deste exercício com lucro líquido de R$ 171 milhões. Trata-se do quarto resultado positivo trimestral consecutivo da empresa, que vem apurando lucros sucessivos desde o segundo semestre do ano passado. Os números foram melhores do que o resultado de R$ 76 milhões do primeiro trimestre e revertem o prejuízo líquido de R$ 19 milhões registrado entre abril e junho do ano passado.

De acordo com o balanço financeiro divulgado na sexta-feira (26) pela companhia, com o resultado, o lucro acumulado no primeiro semestre de 2019 chegou a R$ 248 milhões. O resultado indica alta de 79% sobre R$ 138 milhões dos primeiros seis meses de 2018.

Já a receita líquida totalizou R$ 3,69 bilhões nos últimos três meses, representando altas de 5% e 15% em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2018, respectivamente. No semestre, a receita chegou a R$ 7,52 bilhões.

O presidente da produtora de aços planos, Sergio Leite, destacou que as cinco unidades de negócios da companhia apresentaram resultados melhores no último trimestre.

Segundo ele, o negócio de mineração foi beneficiado pelo aumento do preço do minério de ferro no mercado internacional e a siderurgia foi impulsionada pelo aumento da produção e das vendas.

“No caso específico do aço, fizemos um trabalho e conseguimos reduzir o custo em 1% e aumentamos a margem do preço. Daí os resultados melhores”, explicou.

O Ebitda – lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização – totalizou R$ 570 milhões no segundo trimestre deste ano, o que representa um resultado 15% maior que os R$ 474 milhões registrados no acumulado de abril a junho do exercício passado. Na mesma base de comparação, a margem do indicador ficou praticamente estável, passando de 16% para 15%. Já no semestre, o Ebitda somou R$ 1,044 bilhão.

Já o Ebitda Ajustado atingiu R$ 576 milhões, com uma alta de 18% se comparado com o primeiro trimestre do ano, quando ficou em R$ 488 milhões. Sobre a mesma época de 2018, houve alta de 11%. Já no acumulado do ano, chegou a R$ 1,063 bilhão. Segundo a empresa, as elevações são associadas, principalmente, aos maiores volumes de venda de aço e aos maiores preços de minério de ferro e aço.

Vendas – De acordo com o balanço, as vendas consolidadas de aço no trimestre passado somaram 1,059 milhão de toneladas, significando aumento de 5% e 8% sobre as 1,004 milhão de toneladas do primeiro trimestre e as 977 mil toneladas de igual época de 2018. Do total vendido, 90% foram para o mercado interno e 10% destinados às exportações, uma vez que, no mercado interno, as vendas alcançaram 949 mil toneladas e no mercado internacional 119 mil toneladas.

No semestre, as vendas de aço somaram 2,063 milhões de toneladas, abaixo das 2,066 milhões de toneladas da mesma época do ano passado. Cerca de 1,830 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado nacional e 229 mil toneladas ao mercado externo.

Nesse sentido, Leite chamou atenção para o baixo desempenho da economia brasileira no decorrer do primeiro semestre, mas confirmou a expectativa de crescimento para o restante do exercício.

“Assim como o setor em geral, acreditamos que a economia ganhará novo fôlego nos próximos trimestres. No entanto, trabalhamos para que a Usiminas gere resultados independentemente da conjuntura. Quando assumimos a gestão, o cenário econômico era positivo e a empresa amargava prejuízos. Desde então, retomamos o lucro, a economia piorou, mas continuamos entregando os resultados”, analisou.

Mineração – Na Mineração Usiminas (Musa), o segundo trimestre foi encerrado com queda de 7%, em função dos menores volumes exportados, compensados parcialmente pelas vendas no mercado doméstico para terceiros. O volume de vendas foi de 1,8 milhão de toneladas de abril a junho, contra 1,9 milhão de toneladas no primeiro trimestre. Nos primeiros seis meses do ano, as vendas de minério somaram 3,6 milhões de toneladas.

Empresa fará aportes de R$ 800 mi

A Usiminas anunciou novas projeções para investimentos e despesas financeiras líquidas para o ano de 2019. De acordo com fato relevante enviado ao mercado, serão R$ 800 milhões, um aumento sobre o realizado em 2018, que foi de R$ 462,7 milhões. No início do ano, no entanto, a companhia havia comunicado aportes da ordem de R$ 1 bilhão.

De acordo com Leite, a diferença nos investimentos se deve à alocação de alguns projetos para 2020. Segundo ele, isso ocorreu em virtude de uma série de fatores, entre eles, a obtenção de licenças ambientais para um projeto de filtragem e empilhamento de rejeito da mineração.

“Este era um dos principais projetos previstos para 2019. Com o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, e o atraso na obtenção de licenças de novos projetos, tivemos que adiá-lo para o ano que vem”, explicou.

A maior parte desse investimento se dará no segundo semestre deste ano, já que, no primeiro semestre, foram investidos R$ 194 milhões, sendo R$ 105 milhões no segundo trimestre, 19% a mais que no primeiro. Quanto às despesas financeiras líquidas, a meta é de R$ 387 milhões. No primeiro semestre, o resultado financeiro foi uma despesa de R$ 219,538 milhões.