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Nem mesmo o recorde histórico de vendas apurado pela construtora e incorporadora MRV Engenharia Participações S/A, sediada em Belo Horizonte, no primeiro trimestre de 2020 foi capaz de amenizar os impactos da crise do novo coronavírus (Covid-19) nos negócios da empresa.

O lucro líquido dos primeiros três meses deste exercício foi 39,1% menor do que o observado em 2019. O resultado atingiu R$ 115 milhões, contra R$ 189 milhões um ano antes.

De acordo com o diretor Executivo de Finanças e Relações com Investidores da MRV, Ricardo Paixão, já em março, quando a pandemia começou a se alastrar pelo País, a empresa adotou novas estratégias de comercialização, em vistas de manter as vendas e reter clientes. Para isso, foram oferecidos descontos nas unidades com percentual de conclusão mais elevado, ação que tem se mostrado favorável e permaneceu vigente em abril e maio.

“É um cenário novo e desafiador, que não apenas alterou as perspectivas macroeconômicas do País, mas também do consumidor. Por isso, um dos efeitos esperados também é um aumento na inadimplência de nossos recebíveis e já optamos por fazer uma provisão para perdas de R$ 10 milhões, o que resultou em um impacto negativo na margem bruta. Além disso, houve a estratégia comercial mais agressiva, que também impactou”, explicou.

Nos primeiros três meses de 2020, a construtora lançou o equivalente a R$ 1,08 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), baixa de 1% na comparação anual. Já as vendas líquidas contratadas subiram 27,9% na mesma base de comparação, passando de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para cerca de R$ 1,6 bilhão no período.

Ao todo foram 7.927 unidades produzidas entre janeiro e março deste ano, queda de 19,8% em relação ao primeiro trimestre de 2019. Neste caso, conforme o diretor, houve impacto adicional do volume de chuvas registrado nos primeiros meses de 2020.

“As chuvas afetaram o cronograma e a produção de algumas obras, especialmente aquelas que tinham seu início previsto para o período. Além disso, devido ao alastramento coronavírus e atendendo às determinações das legislações municipais e/ou estaduais, outras foram paralisadas. Se os níveis de produção tivessem sido mantidos, certamente a receita teria sido bem maior”, analisou.

Conforme o balanço da companhia, o Ebtida (lucro líquido antes do Imposto de Renda, contribuição social, despesas financeiras líquidas, despesas de depreciação e amortização) chegou a R$ 205 milhões no acumulado dos primeiros três meses de 2020, montante 24,9% menor que os R$ 273 milhões apresentados entre janeiro e março do exercício anterior.

Caixa – Dessa maneira, a geração de caixa da companhia encerrou o primeiro trimestre deste ano negativa novamente, após ter chegado a menos R$ 19 milhões nos primeiros três meses do exercício passado. Dessa vez, foram ao todo menos R$ 182 milhões em decorrência de novo contingenciamento do orçamento dos recursos do “Minha casa, minha vida (MCMV), por parte do governo federal.

“Tivemos alguns gargalos nos repasses dos recursos por parte de Caixa, o que já foi equalizado, mas afetou a geração. No ano passado ocorreu um contingenciamento planejado, desta vez, um atraso nas contribuições do governo com o programa habitacional”, comentou.

Por fim, Paixão destacou que entre os legados a serem deixados pela pandemia à operação financeira da empresa, certamente estará uma mudança estratégica. Ele disse que, se antes havia um trabalho com foco em geração de margem e solidez financeira, agora as atenções voltam-se, justamente para a geração de caixa.