Lucro da Usiminas cresce 165,9% no primeiro trimestre e chega a R$ 896,2 milhões
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) registrou alta de 165,9% no lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo intervalo do ano passado. O montante alcançou R$ 896,2 milhões, refletindo a evolução do resultado operacional e financeiro, beneficiado por ganhos cambiais líquidos no período.
Por outro lado, o Ebitda ajustado recuou 10,9%, para R$ 653,2 milhões, enquanto a margem Ebitda ajustada se manteve estável em 11%. No mesmo movimento, a receita líquida de vendas da companhia retraiu 14,4%, atingindo R$ 5,9 bilhões.
Quanto ao desempenho da empresa na siderurgia, a produção de aço bruto foi de 729 mil toneladas (t), com queda de 5,7%, e a de laminados somou 1 milhão de t, baixa de 4,4%. O volume de vendas caiu 7,9%, totalizando 1,1 milhão de t, das quais 938 mil t foram negociadas no mercado interno (-6,4%) e 69 mil t no mercado externo (-25%).
Na mineração, a Usiminas produziu 1,9 milhão de t de minério de ferro, patamar 10,1% inferior. As vendas caíram 12,3%, para 1,9 milhão de t, sendo 1,4 milhão de t destinadas às exportações (-18%) e 592 mil t para operações próprias e de terceiros (+4,8%).
Já os investimentos chegaram a R$ 285 milhões, avançando 30,1%. Desse valor, a siderurgia recebeu R$ 75 milhões (+158,6%) e a mineração, R$ 210 milhões (+11,1%). A projeção do grupo para 2026 é que os investimentos fiquem entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão, acima dos R$ 1,2 bilhão investidos em 2025.
Companhia visualiza recuperação da siderurgia, mas ressalta desafios econômicos
No balanço divulgado nesta sexta-feira (24), a Usiminas afirma que os primeiros três meses do ano foram marcados por uma mudança relevante na dinâmica comercial do aço no Brasil. A empresa ressalta que, em fevereiro, o Brasil aplicou direitos antidumping sobre as importações de aços laminados a frio e aços revestidos, ações que começaram a alterar de forma significativa o ambiente competitivo da indústria siderúrgica nacional.
De acordo com o grupo, buscando garantir condições comerciais anteriores à vigência das novas tarifas, os importadores internalizaram um volume expressivo de aço. Esse movimento gerou um pico pontual de compras externas, que elevou temporariamente os níveis de estoque de material estrangeiro no mercado brasileiro.
No entanto, a companhia avalia que, nos próximos meses, esses estoques seguem para uma normalização, à medida que o efeito das antecipações se dissipa e o novo patamar de custos das importações passa a vigorar de forma plena. “Esse reequilíbrio tende a beneficiar a produção nacional, abrindo espaço para uma recuperação gradual dos volumes e da rentabilidade da siderurgia doméstica”, analisa.
Ainda no relatório, a Usiminas afirma que o cenário econômico dos próximos trimestres se mostra desafiador, impulsionado, em grande medida, pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e seus reflexos na economia tanto global quanto brasileira.
“A alta nos preços do petróleo e do gás natural, o avanço da inflação e a redução mais lenta das taxas de juros compõem um ambiente de incerteza, agravado ainda pelo risco de disrupção nas cadeias de suprimentos, principalmente no transporte marítimo de mercadorias”, pondera.
Ouça a rádio de Minas